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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

SESSÃO 54: 11 DE NOVEMBRO DE 2014


SEGREDOS E MENTIRAS (1996)

De início há duas mulheres, com vidas separadas que vamos acompanhando em montagem paralela. De um lado, Hortence, uma jovem negra de 27 anos, técnica de optometria, que acaba de assistir ao enterro da sua mãe adoptiva. Como o pai adoptivo já tinha morrido anos antes, Hortence é agora uma mulher só.
Num outro local de Londres, Cynthia, uma mulher branca, de meia idade, mãe de uma rapariga de 20 anos, Roxane, empregada numa fábrica, é a imagem da instabilidade e do desconforto. Vamos assistindo a cenas de ora uma, ora outra, imagens desligadas que pressentimos que mais à frente irão colidir. Chama-se a isto, em linguagem técnica e escolástica, montagem de convergência.
Hortence sente-se só e vai tentar encontrar a mãe biológica que a deu para adopção ainda bebé. Pela legislação inglesa isto é possível e Hortence acaba por descobrir que a sua mãe é Cynthia, nada mais, nada menos. Uma negra filha perdida de uma branca que não quer acreditar nos seus olhos quando é posta perante as evidências: “Mas minha querida, eu não posso ser tua mãe!”. Claro que podia, lembrou-se depois de um americano de que não quer falar e com quem se cruzara quando tinha dezasseis anos.
O resto são “segredos e mentiras” de que fala o título da obra de Mike Leigh e que se vem lentamente deslindando, perante surpresas, dúvidas, ataques de fúria e um churrasco familiar que introduz alguma harmonia, mesmo que passageira, naquela nova família.


Mike Leigh propõe uma solução utópica, é certo, mas saudável. Nada melhor que a verdade e enfrentá-la resolutamente. Como já se sabe, Mike Leigh e Ken Loach são dois dos mais representativos cineastas do cinema inglês contemporâneo e dois cultores de um cinema de forte implantação social. “Segredos e Mentiras” é modelar na forma como retrata a realidade social de Inglaterra, na década de 90, com as suas  dificuldades e características próprias. De um lado, temos uma média burguesia com os seus pequenos sonhos (curiosamente representada por uma negra), do outro, uma mescla de pequena burguesia a descambar para o proletariado (a filha de Cynthia é empregada de limpeza nas ruas de Londres). Mas Cynthia tem um irmão, Maurice,  fotógrafo de casamentos e baptizados e de fotos de estúdio, que tem uma vida um pouco mais desafogada. É neste universo sem grandes horizontes, num bairro popular da capital inglesa, que tudo se passa. Mas a precisão das anotações sociais, o rigor na descrição das situações, e sobretudo a densidade psicológica, a verdade humana que as personagens exalam, quer pelo desenho das personalidades que o argumento lhes oferece, quer pelo brilhantismo da interpretação de um elenco absolutamente notável que conseguiu nomeações para os Oscars nas respectivas categorias: Timothy Spall é um fabuloso Maurice, desde o pormenor das suas sessões fotográficas até ao comovente tom conciliador com que tenta reunir a família; Marianne Jean-Baptiste na figura de Hortence, rigorosa e discreta, a brilhante Brenda Blethyn na complexa e histriónica Cynthia, divididas entre as mais amplas emoções, ou mesmo Claire Rushbrook, a revoltada Roxanne, que deixa cair a sua fachada de agressividade latente, perante o desenrolar dos acontecimentos.
A realização de Mike Leigh é serena, atenta ao mais pequeno indício, intimista e púdica, com uma construção extremamente inteligente e sensível. Uma obra-prima invulgar, optimista no seu desencanto.


SEGREDOS E MENTIRAS
Título original: Secrets & Lies
Realização: Mike Leigh (Inglaterra, 1996);  Argumento: Mike Leigh; Produção: Simon Channing Williams; Música: Andrew Dickson; Fotografia (cor):  Dick Pope; Montagem: Jon Gregory; Casting: Susie Parriss, Paddy Stern; Design de produção: Alison Chitty; Direcção artística: Eve Stewart; Decoração: Liz Griffiths; Guarda-roupa:  Maria Price; Maquilhagem: Christine Blundell, Kirstin Chalmers; Direcção de Produção: Georgina Lowe; Assistentes de realização: Zerlina Hughes, Jennie Osborn, Josh Robertson, Chris Rose, Paula Spinks; Departamento de arte: Nic Orlande; Som: Orin Beaton, Mick Boggis, Loveday Harding, George Richards, Ted Swanscott; Efeitos visuais: David Smith; Companhias de produção: Channel Four Films, CiBy 2000, Thin Man Films; Intérpretes: Timothy Spall (Maurice Purley), Phyllis Logan (Monica Purley), Brenda Blethyn (Cynthia Rose Purley), Claire Rushbrook (Roxanne Purley), Marianne Jean-Baptiste (Hortense Cumberbatch), Elizabeth Berrington (Jane), Michele Austin (Dionne), Lee Ross (Paul), Lesley Manville, Ron Cook, Emma Amos, Brian Bovell, Trevor Laird, Clare Perkins, Elias Perkins McCook, Jane Mitchell, Janice Acquah, Keylee Jade Flanders, Hannah Davis, Terence Harvey, Kate O'Malley, Joe Tucker, Richard Syms, Grant Masters, Annie Hayes, Jean Ainslie, Daniel Smith, Lucy Sheen, Frances Ruffelle, etc. Duração: 142 minutos; Distribuição em Portugal: Atalanta Filmes; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 18 de Outubro de 1996.

MIKE LEIGH (1943- )
Nasceu a 20 de Fevereiro de 1943, em Salford, Greater Manchester, Inglaterra. Filho de um médico, a família era originária de emigrantes judeus da Europa de Leste. Estudou na Royal Academy of Dramatic Art (RADA). Vasta actividade no teatro, na televisão e no cinema. Tanto no cinema como no teatro, raramente trabalha com um guião (peça ou argumento) pré-estabelecido. A sua peça "Abigail's Party", levada a cena no New Ambassador's Theatre, foi nomeada para o Laurence Olivier Theatre Award for Best Revival de 2002. Os seus filmes têm tido algumas das maiores recompensas e distinções em Festivais de todo o mundo. Professor coordenador da The London Film School. Foi casado com Alison Steadman (1973 – 2001, divórcio), de quem tem duas filhas.  Agraciado com o oficialato da Ordem do Império Britânico, em 1993. Para si, os melhores filmes de sempre são: A Árvore dos Tamancos (1978), Viagem a Tóquio (1953), Soy Cuba (1964), Os Quatrocentos Golpes (1959), A Morte do Sr. Lazarescu (2005), Sånger från andra våningen (2000), Quanto Mais Quente Melhor (1959), Os Dias da Rádio (1987), As Sete Ocasiões de Pamplinas (1925) e How a Mosquito Operates (1912).

Filmografia:
Cinema / Longas-metragens: 1984: Meantime; 1988: High Hopes (Grandes Ambições); 1991: Life is Sweet; 1993: Naked (Nu); 1996: Secrets and Lies (Segredos e Mentiras); 1997: Career Girls (Raparigas de Sucesso); 1998: Welcome to Hollywood; 1999: Topsy-Turvy (Topsy-Turvy); 2002: All or Nothing (Tudo ou Nada); 2004: Vera Drake (Vera Drake); 2007: Happy-Go-Lucky (Um Dia de Cada Vez); 2010: Another Year (Um Ano Mais); 2014: Mr. Turner
Curtas-metragens: 1971: Bleak Moments; 1975: Five-Minutes Films; 1987: The Short and Curlies; 1992: A Sense of History; 2012: A Running Jump;

Televisão: 1973: Hard Labour; Scene (A Mug's Game?);1973-1982: Play for Today (TV) (Home Sweet Home, Who's Who, Abigail's Party, The Kiss of Death, Nuts in May); 1975-1976: Second City Firsts (Knock for Knock, The Permissive Society); 1976: Plays for Britain; 1980: BBC2 Playhouse (Grown-Ups); 1982: Home Sweet Home; 1982: Five-Minute Films (Afternoon, A Light Snack, Probation, Old Chums, The Birth of the Goalie of the 2001 F.A. Cup Final); 1983: Meantime; 1985: Four Days in July.

SESSÃO 53: 4 DE NOVEMBRO DE 2014


TRAINSPOTTING (1996)

Partindo de um romance de Irvine Welsh que se transformou rapidamente num grande sucesso editorial, adaptado ao teatro e posteriormente ao cinema, “Trainspotting” assinala a segunda obra cinematográfica de uma equipa que se havia distinguido pouco tempo antes com a sua estreia em “Shallow Grave”. Peter Boyle teria a consagração com “Quem Quer Ser Bilionário?”, em 2008.
Em “Pequenos Crimes Entre Amigos”, três companheiros de roubo disputavam uma mala com dinheiro, esquema que é mais ou menos repetido pelo escritor Irvine Welsh, o realizador Danny Boyle e o produtor Andrew MacDonald no seu trabalho seguinte. Há igualmente uma mala cheia de droga, trocada depois por uma mala repleta de notas, disputada por vários companheiros de destino. Eles formam um grupo de heroinómanos de Edimburgo que está na base desta obra. Mas esta linha de ficção é pouco importante ao longo do filme e serve sobretudo para introduzir algumas anotações de humor negro. O essencial no filme é, todavia, o tom quase documental com que se acompanha este grupo de drogados à roda dos vinte anos, que se afunda no consumo de heroína que tenta depois abandonar, para recair sem remorsos, traficando nos intervalos para conseguir dinheiro para se auto-abastecer.
O tom é quase sempre de um realismo sem concessões, desde as cenas de consumo da droga até à sequência em que o protagonista ensaia uma cura de desintoxicação. Muitos momentos, cenas de grupo na casa onde habitam, em pubs ou em discotecas, fazem lembrar o free cinema dos anos 60 e toda a tradição realista do melhor cinema inglês, que na actualidade é mantida por Ken Loach ou Mike Leigh. Mas a narração em off, assegurada pelo actor Ewan McGregor, e algumas outras sequências, relembram “A Laranja Mecânica”, de Kubrick, e o seu universo de uma violência epidérmica. É, aliás, através desse recurso a um certo onirismo negro que “Trainspotting” se afasta do puro realismo, em duas ou três sequências de devaneio e pesadelo. Numa delas, Mark Renton, depois de ter perdido dois supositórios de droga, mergulha literalmente na latrina do mais nojento WC, procurando recuperar esses dois passaportes para os tais "paraísos artificiais" de que fala a lenda. Noutra, um recém-nascido que entretanto morrera durante uma festa mais animada do grupo, aparece gatinhando no tecto do quarto.

Falando de "paraísos artificiais", este é talvez um dos primeiros filmes onde, apesar de tudo, se tenta compreender porque recorre às drogas quem delas depende. E fala-se mesmo numa possível felicidade que o seu consumo pode trazer. Felicidade que se contrapõe ao pesado quotidiano, à mediocridade da vida em família, à agressividade da competição profissional, à absoluta miséria moral circundante. A opção pela droga é aqui quase reivindicada como um direito e não é por acaso que nalgumas cenas surge o "Perfect Day", cantado por Lou Reed, como banda sonora.
O sucesso internacional que este filme conheceu, e a polémica por si desencadeada, mostram bem que nem só de obras cor-de-rosa as plateias mundiais têm necessidade. Mas o equívoco pode igualmente instalar-se, pois um filme como “Trainspotting” pode igualmente ser consumido como um degrau mais na escalada de violência e abjecção no cinema. De todas as maneiras, trata-se de um marco na história do cinema inglês, inclusive por essa forma despreconceituada como é tratado o consumo de drogas e a sua ligação a uma sociedade doente, onde os indivíduos não se sentem integrados e optam por paraísos artificiais para ultrapassar o mal-estar dominante. Um bom retrato de uma certa juventude. 

TRAINSPOTTING
Título original: Trainspotting
Realização: Danny Boyle (Inglaterra, 1996); Argumento: John Hodge, segundo romance de Irvine Welsh; Produção: Andrew Macdonald; Fotografia (cor):  Brian Tufano; Montagem: Masahiro Hirakubo; Casting: Andy Pryor, Gail Stevens; Design de produção: Kave Quinn; Direcção artística: Tracey Gallacher; Guarda-roupa:  Rachael Fleming; Maquilhagem: Graham Johnston, Robert McCann; Direcção de Produção: Lesley Stewart; Assistentes de realização: David Gilchrist, Claire Hughes, Ben Johnson; Departamento de arte: Gordon Fitzgerald, Colin H. Fraser, Stephen Wong; Som: Tony Cook, Jonathan Miller, Colin Nicolson; Efeitos especiais: Perry Costello; Efeitos visuais: Grant Mason, Tony Steers; Companhias de produção: Channel Four Films, Figment Films, The Noel Gay Motion Picture Company; Intérpretes: Ewan McGregor (Renton), Ewen Bremne (Spud), Jonny Lee Miller (rapaz doente), Kevin McKidd  (Tommy), Robert Carlyle (Begbie), Kelly Macdonald (Diane), Peter Mullan (Swanney), James Cosmo (Mr. Renton), Eileen Nicholas (Mrs. Renton), Susan Vidler (Allison), Pauline Lynch (Lizzy), Shirley Henderson (Gail), Stuart McQuarrie, Irvine Welsh (Mikey Forrester), Dale Winton, Keith Allen, Kevin Allen, Annie Louise Ross, Billy Riddoch, Fiona Bell, Vincent Friell, Hugh Ross, Victor Eadie, Kate Donnelly, Finlay Welsh, Eddie Nestor, Tom Delmar, Rachael Fleming, John Hodge, Andrew Macdonald, Archie MacPherson, etc. Duração: 94 minutos; Distribuição em Portugal: Atalanta Filmes; Classificação etária: M/ 18 anos; Data de estreia em Portugal: 1 de Novembro de 1996.  

DANNY BOYLE (1956 - )
Daniel Boyle nasceu a 20 de Outubro de 1956, em Radcliffe, Manchester, Inglaterra. Oriundo de uma família da classe operária irlandesa, católica. Esteve destinado a seguir uma carreira eclesiástica, mas aos 14 anos foi um padre que o dissuadiu a deixar o seminário. Hoje considera-se “um ateu espiritualista”. Rapidamente assumiu a sua paixão pelo “drama”, passou a estudar no Thornleigh Salesian College, em Bolton, depois na Bangor University, cursos de Inglês e Drama. Casou-se então com a actriz Frances Barber. Continua a considerar que entre o “Drama” (teatro, cinema) e a Igreja há muitos pontos de contacto e dá como exemplo o facto de realizadores como Martin Scorsese, John Woo ou M. Night Shyamalan, todos terem frequentado o seminário. Juntou-se à Joint Stock Theatre Company e, em 1982, passou para a  Royal Court Theatre, onde encenou “The Genius”, de Howard Brenton e “Saved”, de Edward Bond. Encenou depois, na Royal Shakespeare Company, cinco espectáculos, e em 2010, dirigiu no Old Vic Theatre um espectáculo de uma noite, “The Children's Monologues”, com Sir Ben Kingsley, Benedict Cumberbatch, Tom Hiddleston, Gemma Arterton e Eddie Redmayne. Ainda no teatro, encenou em 2011 “Frankenstein”, para o National Theatre. Foi da responsabilidade de Boyle o espectáculo de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
Começou a trabalhar em televisão em 1987, na BBC, onde desde aí desenvolve actividade regular. No cinema estreia-se com “Shallow Grave” que, com “Trainspotting”, o levam a ser considerado “Best Newcomer Award” em 1996,  pelo London Film Critics Circle. Conta que o filme que o levou a apaixonar-se pelo cinema foi “Apocalypse Now”.
“The Beach”, “28 Days Later”, “Millions”, “Sunshine”, são os seus filmes seguintes, mas o triunfo internacional concretiza-se com “Slumdog Millionaire” (2008), e posteriormente com “127 Hours”. Prepara actualmente uma sequela de “Trainspotting”, intitulada “Porno”. Em toda a história do cinema só oito cineastas conseguiram o que Danny Boyle alcançou com “Quem Quer Ser Bilionário?”: o Oscar, o Globo de Ouro, o BAFTA e o Director's Guild, todos para o Melhor Realizador do Ano. Os outros sete são: Mike Nichols ( A Primeira Noite, 1967), Milos Forman (Voando Sobre Um Ninho de Cucos, 1975), Richard Attenborough (Gandhi, 1982), Oliver Stone (Platoon - Os Bravos do Pelotão, 1986), Steven Spielberg (A Lista de Schindler, 1993), Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain, 2005), e Alfonso Cuaron (Gravidade, 2013). Entre 1983 e 2003 manteve uma relação com a directora de arte Gail Stevens, de quem tem três filhos. 

Filmografia
Cinema / Como realizador / longas metragens: 1994: Shallow Grave (Pequenos Crimes Entre Amigos); 1996: Trainspotting (Trainspotting); 1997: A Life less ordinary (Vidas Diferentes); 2000: The Beach (A Praia); 2002: 28 Days Later (28 Dias Depois); 2004: Millions (Milhões); 2007: Sunshine (Missão Solar); 2008: Slumdog Millionaire (Quem Quer Ser Bilionário?); 2010: 127 Hours (127 Horas); 2013: Trance (Transe); 2014: Porno (anunciado).
Cinema / Como realizador / curta-metragem: 2002: Alien Love Triangle;
Televisão / Como realizador: 1987: The Venus de Milo Instead; Inspector Morse (2 episódios); 1987: Scout; 1989: The Hen House; 1989: 1989-1993; Screenplay (3 episódios); The Nightwatch; 1989: Monkeys; 1991: For the Greater Good (3 episódios); 1993: Mr. Wroe's Virgins  (3 episódios); 2001: Strumpet; 2001: Vacuuming Completely Nude in Paradise; 2011: National Theatre Live:  Frankenstein; 2012: London 2012 Olympic Opening Ceremony: Isles of Wonder; 2014: Babylon.

EWAN MCGREGOR (1971 - )
Ewan Gordon McGregor nasceu a 31 de Março de 1971, em Perth, Perthshire, Escócia, Reino Unido, filho de um casal de professores, Carol Diane e James Charles McGregor. Aos 16 anos deixou a Morrison Academy para ingressar no Perth Repertory Theatre. Estudou arte de representar em Kirkcaldly, em Fife, cursando depois a London's Guildhall School of Music and Drama, ao lado de Daniel Craig e Alistair McGowan. Estreia-se na televisão na mini-série  “Lipstick on Your Collar”, de Dennis Potter, no Channel 4 (1993). O seu primeiro grande papel no cinema acontece em “Pequenos Crimes Entre Amigos” (1994), de Danny Boyle, com quem trabalha regularmente. “O Livro de Cabeceira” (1996) e “Trainspotting” (1996) confirmam-no como um dos grandes actores do mais recente teatro e cinema ingleses. Célebre pelo seu trabalho em “Star Wars”, criando a personagem de Obi-Wan Kenobi. Casado com a designer Eve Mavrakis. Em 2013 foi nomeado Oficial da Ordem do Império Britânico. Ao longo da sua carreira arrecadou dezenas de prémios e distinções internacionais.

Filmografia

Como actor: 1993: Lipstick on Your Collar (TV);  The Scarlet and the Black (TV); Family Style (TV); 1994: Being Human (Gente Como Nós), de Bill Forsyth; Shallow Grave (Pequenos Crimes Entre Amigos), de Danny Boyle; Doggin' Around (O Pianista), de Desmond Daves (TV); 1995: Blue Juice, de Carl Prechezer; Kavanagh Q.C.(TV); 1996: Tales from the Crypt (Contos de Arrepiar)(TV); Karaoke (TV); Emma (Emma), de Douglas McGrath; Trainspotting (Trainspotting), de Danny Boyle; Brassed Off  (Os Virtuosos ), de Mark Herman; The Pillow Book (O Livro de Cabeceira), de Peter Greenaway; 1997: A Life Less Ordinary  (Vidas Diferentes); The Serpent's Kiss (O Beijo da Serpente), de Philippe Rousselot; Nightwatch (O Vigilante da Noite), de Ole Bornedal; ER (Serviço de Urgência) (TV); 1998: Velvet Goldmine (Velvet Goldmine), de Todd Haynes; Little Voice (Uma Estrela Caída do Céu), de Mark Herman; Welcome to Hollywood, de Adam Rifkin e Tony Markes; 1999: Rogue Trader (Jogador de Alto Risco), de James Dearden; Star Wars Episode I: The Phantom Menace (), de George Lucas; Desserts (curta-metragem); Eye of the Beholder (Um Olhar Obsessivo), de Stephan Elliott; 2000: Nora (Nora), de Pat Murphy; Anno Domini (curta-metragem); The Mystery of the Third Planet (TV); 2001: Moulin Rouge! (Moulin Rouge!), de Baz Luhrmann; Solid Geometry (TV); Down with Love (Abaixo o Amor), de  Peyton Reed; 2002: Black Hawk Down (Cercados), de Ridley Scott; Star Wars Episode II: Attack of the Clones (Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones);  de George Lucas; The Polar Bears of Churchill (TV); 2003: Bye Bye Love, de Peyton Reed; Young Adam (Young Adam), de David Mackenzie; Big Fish (O Grande Peixe), de Tim Burton; Faster, de Mark Neale; Long Way Round (TV); 2005: Robots (Robôs), de Chris Wedge, Carlos Saldanha (voz); Valiant (Valiant - Os Bravos do Pombal), de Gary Chapman (voz); Star Wars Episode III: Revenge of the Sith (Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith), de George Lucas; The Island (A Ilha), de Michael Bay; Stay (Stay - Entre a Vida e a Morte), de Marc Forster; 2006: Alex Rider: Stormbreaker (Alex Rider - Operação Stormbreaker), de Geoffrey Sax; Scenes of a Sexual Nature (Cenas de Natureza Sexual), de Ed Blum; Miss Potter (O Mundo Encantado de Beatrix Potter), de Chris Noonan; 2007: Cassandra's Dream (O Sonho de Cassandra), de Woody Allen; Long Way Down (TV); 2008: Deception (No Limite da Ilusão), de Marcel Langenegger; Incendiary (Incendiário), de Sharon Maguire; 2009: Angels & Demons (Anjos e Demónios), de Ron Howard; The Men Who Stare at Goats (Homens Que Matam Cabras só com o Olhar), de  Grant Heslov; Jackboots on Whitehall de Edward McHenry, Rory McHenry; 2010: I Love You Phillip Morris (Eu Amo-te Phillip Morris), de Glenn Ficarra e John Requa; Amelia (Amelia), de Mira Nair; The Ghost Writer (O Escritor Fantasma), de Roman Polanski; Nanny McPhee and the Big Bang (Nanny McPhee e o Toque de Magia), de Susanna White; The Battle of Britain (TV); 2011: Beginners (Assim é o Amor), de Mike Mills; Perfect Sense (O Sentido do Amor), de David Mackenzie; 2011: Fastest de Mark Neal; 2012: Haywire (Uma Traição Fatal), de Steven Soderbergh; Salmon Fishing in the Yemen (A Pesca do Salmão no Iémen), de Lasse Hallström; The Impossible  ou Lo imposible (O Impossível), de Juan Antonio Bayona; The Corrections (TV);  2013: Jack the Giant Slayer (Jack, o Caçador de Gigantes), de Bryan Singer; Ewan McGregor: Cold Chain Mission (TV);Bomber Boys (TV); August: Osage County (Um Quente Agosto), de John Wells; 2014: A Million Ways to Die in the West (Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas), de Seth MacFarlane;  Son of a Gun, de Julius Avery; Hebrides: Islands on the Edge (TV) (voz); 2015: Jane Got a Gun de Gavin O'Connor; 2015: Mortdecai, de David Koepp; 2015: Our Kind of Traitor, de Susanna White (em produção); Last Days in the Desert, de Rodrigo García (em produção); Miles Ahead, de Don Cheadle (em produção); The Land of Sometimes, de Will Finn (TV); Porno, de Danny Boyle (em produção); Born to Be King, de Peter Capaldi (em produção); 2016: American Pastoral, de Phillip Noyce (em produção).

domingo, 19 de outubro de 2014

SESSÃO 51: 21 DE OUTUBRO DE 2014


O LIVRO DE CABECEIRA (1996)

O corpo sempre foi, desde tempos imemoriais, suporte de mensagens nele inscritas, de desenhos a letras, símbolos diversos de testemunhos variados. Em África ou nas Américas, uma multiplicidade de tribos e raças servia-se do corpo tatuado ou simplesmente pintado para inspirar as mais diversas emoções ou invocar os deuses. Na Europa e no Oriente passou-se o mesmo e em muitos casos ainda se passa. A recente febre de tatuagens, desde o “Amor de Mãe” a “Angola 62”, até aos mais elaborados e sofisticados desenhos “simbólicos” mostram que desenhar e escrever no corpo é prática corrente desde sempre. Mudam apenas os artefactos e as técnicas com que se executam os empreendimentos. Antigamente eram os feiticeiros, hoje são os tatuadores célebres que se reúnem em convenções internacionais em Miami ou outras paradisíacas localidades para que o negócio rende. De resto a pele de animais sempre serviu de base de escrita, e é vulgar ainda hoje, em filmes e romances de terror, haver alusões a pele humana retirada do corpo de vítimas e usada para transmitir recados ou guardar mensagens. 
“The Pillow Book” (O Livro de Cabeceira), dirigido por Peter Greenaway em 1996, e baseado na obra da cortesã e escritora medieval japonesa (século X) Nagiko Kiyohara no Motosuke Sei Shonagon, conta uma história que tem por base a escrita no corpo humano. O filme abre com imagens da pequena Nagiko (repare-se na justaposição da protagonista do filme com a própria escritora, através do uso do nome Nagiko) a servir de tela privilegiada do pai, escritor e calígrafo, a desenhar-lhe no rosto signos japoneses que para sempre a irão marcar. Essas frases dizem que “Deus criou o primeiro modelo de um ser humano em barro, pintou os olhos, os lábios e o sexo. Depois, pintou o nome de cada pessoa para que o dono jamais o esquecesse. Se Deus gostava da sua criação trazia à vida o modelo de barro pintado assinando o seu próprio nome”. Numa civilização onde o símbolo tem uma importância tão grande e as iniciações estabelecem parâmetros definitivos, Nagiko sente-se guiada na sua vida por essa relação umbilical entre a caligrafia, a poesia, a pele humana, o sexo, o amor, a vingança e a morte.


Ainda jovem, descobre que o pai para conseguir editar os seus textos cedia aos desejos sexuais do seu editor homossexual. Quando amadureceu, serviu-se da sua beleza e sedução para chegar junto do editor, que no entanto recusa publicar os seus livros. Utiliza então um estratagema, seduzindo o escritor europeu amante do editor, para chegar junto deste e acabar por ver publicadas as suas obras. São treze livros que irão circular entre a escritora e o editor, levados na pele de sucessivos mensageiros, sendo que muitas vezes a mensagem se identifica com o próprio mensageiro. Nagiko não deixa nada ao acaso, prepara cada mensageiro com minucia, depila, lava, aromatiza, escreve delicadamente cada poema. Jerome, o escritor inglês, é o primeiro a ser enviado, curiosamente com o livro seis, “o livro do amante”, escrito por Nagiko e encadernado pelo editor, o que transforma num triângulo amoroso esta primeira emissão. Jerome, o mensageiro, estabelece a ligação entre Nagiko e o editor, conduzida por uma bissexualidade que o transforma num joguete facilmente manobrável. O segundo e terceiro livro são expedidos em simultâneo, “o livro do inocente” e “o do idiota”. “O livro do impotente” é o quarto, lançado em correria. O quinto mensageiro, gordo, chama-se “o livro do exibicionista”. No sétimo, “o livro do sedutor”, a chuva lavou os símbolos e dele quase só resta o corpo. O oitavo é “o livro da juventude”. O nono, povoado por enigmas, é “o livro dos segredos”. O décimo, que se apresenta como “o livro do silêncio”, traz os barulhos da grande cidade O décimo primeiro mensageiro aparece morto junto da porta da editora, atropelado. É “o livro do traído”. O décimo segundo apenas se dá por ele porque buzina ao passar no seu carro, é “o livro dos falsos inícios”. 


Finalmente o décimo terceiro, “o livro da morte”, encerra o percurso da vingança e justifica a morte do editor com as frases que estão inscritas no corpo do mensageiro: “Na época dos antigos samurais, quando prendiam os criminosos, tatuavam os seus crimes nos seus corpos. O editor é um criminoso, merece carregar a vergonha dos seus actos para sempre. Mas os seus crimes não estão escritos no seu corpo. É na sua alma que eles estão escritos. Deveriam estar à mostra para todos verem como é sujo. A única verdadeira posse de um ser humano é o amor que ele possui. Tudo se acaba ou então se consome, menos o amor. A única coisa que levamos da vida é o que nós sentimos. Os homens desonrados não merecem o dom da vida. O editor não tem honra. Não merece viver”. Peter Greenaway, autor de obras como "The Draughtsman's Contract", "The Cook, the Thief, His Wife, and Her Lover", "Prospero's Books", “The Baby of Mâcon” ou “Nightwatching”, entre muitas outras, é um cineasta experimentalista, que não acredita numa narrativa tradicional, numa forma linear de “contar” uma história. Os seus filmes devem muito à pintura, à música, às artes performativas. O seu realizador preferido é Alain Resnais, o seu filme referência é “O Último Ano em Marienbad”. O seu cinema mistura as técnicas tradicionais do cinema, mas também o vídeo, jogando com a cor e o preto e branco, com diferentes enquadramentos no mesmo plano (em “O Livro de Cabeceira” surgem várias imagens de menores dimensões no interior dos planos, multiplicando as leituras). Utiliza a imagem, a escrita, a poesia, a voz off, o recitativo e a voz das personagens, criando um conjunto de referências que o espectador absorve e produzindo uma sensação caótica que obriga a uma compreensão activa. Neste particular, “O Livro de Cabeceira” conjuga imagens de rara beleza plástica com uma sonoridade encantatória, que a fotografia de Sacha Vierny, o director de fotografia de Resnais, alimenta magnificamente, e os actores sublinham com a sua presença e talento. Filme de uma grande sensualidade e sedução, mas sempre elegante e púdico, funciona como um marco decisivo no interior da filmografia do autor e do cinema vanguardista contemporâneo.



O LIVRO DE CABECEIRA
Título original: The Pillow Book
Realização: Peter Greenaway (Inglaterra, Holanda, França, Luxemburgo, 1996); Argumento: Peter Greenaway, Sei Shonagon, segundo obra desta última; Produção: Terry Glinwood, Kees Kasander, Jessinta Liu, Jean-Louis Piel, Tom Reeve, Denis Wigman; Fotografia (cor):  Sacha Vierny; Montagem: Peter Greenaway, Chris Wyatt; Casting: Abi Cohen, Hitomi Ishihara, Carrie O'Brien, Aimi O, Liora Reich; Design de produção: Kôichi Hamamura, Willemijn Loivers, Hiroto Oonogi, Andrée Putman, Noriyuki Tanaka, Wilbert Van Dorp; Guarda-roupa: Martin Margiela, Dien van Straalen, Koji Tatsuno; Maquilhagem: Seiji Arai, Cathy Folmer, Shoko Ishigaki, Sara Meerman, Vivian Nowak, Noriko Sato, Kyôko Toyokawa; Direcção de Produção: Katsumi Furuhashi, Misako Furukawa, Yumiko Miwa, Fiona Nottingham;  Assistentes de realização: Paul Cheung, Koji Kobayashi, Adrian Kwan, Kenji Nakanishi, Aimi O, Vincent Rivier; Departamento de arte: Lau Wai Chung, Lijntje Helweg, Wong Mai Ming, Law Tak Nga, Lau Kwok On, Danielle Schilling, Wong Kwong Shing, Mari Tobita, Dione van der Hoeven, Floris Vos, Emi Wada; Som: Kazunori Fujimaru, Nigel Heath, Mathew Knights, Garth Marshall, Kan Shirai, Julian Slater, Volker Zeigermann; Efeitos visuais: Reinier van Brummelen; Companhias de produção: Kasander & Wigman Productions, Woodline Films Ltd., Alpha Film Corporation, Channel Four Films, Canal+, Delux Productions, Euroimages Fund of the Council of Europe, Nederlands Fonds voor de Film; Intérpretes: Vivian Wu (Nagiko), Yoshi Oida (o editor), Ken Ogata (o pai), Hideko Yoshida (a tia), Ewan McGregor (Jerome), Judy Ongg ( mãe), Ken Mitsuishi (o marido), Yutaka Honda (Hoki), Barbara Lott (a mãe de Jerome), Miwako Kawai (a jovem Nagiko), Lynne Langdon, Chizuru Ohnishi, Shiho Takamatsu, Aki Ishimaru, Hisashi Hidaka, Dehong Chen, Ham-Chau Luong, Akihiko Nishida, Kentaro Matsuo, Nguyen Duc Nhan, Augusto Aristotle, Roger To Thanh Hien, Chris Bearne, Ronald Guttman, Wichert Dromkert, Martin Tukker, Wu Wei, Tom Kane, Kheim Lam, Daishi Hori, Kinya Tsuruyama, Eiichi Tanaka, Rick Waney, Masaru Matsuda, Wataru Murofushi, Ryuke Azuma, etc. Duração:126 minutos; Distribuição em Portugal: Atalanta Filmes; Classificação etária: M/ 16 anos; Data de estreia em Portugal: 25 de Outubro de 1996. 

PETER GREENAWAY (1942 - )
Peter Greenaway nasceu a 5 de Abril de 1942, em Newport, País de Gales. A família vivia no País de Gales mas, quando Peter tinha três anos de idade, mudou-se para Essex. Ainda criança, Peter Greenaway começou a interessar-se muito por artes plásticas e desejava ser pintor. Esta sua inclinação manteve-se ao longo da vida, desenvolvendo uma sensibilidade pictórica muito interessante, inclusive no campo do cinema, onde se tornou mais conhecido. Em 1962, iniciou estudos no Walthamstow College of Art, onde teve como colega e amigo o músico Ian Dury, (com quem mais tarde colaboraria em “The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover”). Em Walthamstow estudou pintura, pois queria ser pintor muralista, e realiza seu primeiro filme, “Death of Sentiment”, um ensaio sobre jardins de igrejas, filmado em quatro dos maiores cemitérios de Londres. Em 1965 vamos encontrá-lo no Central Office of Information, onde passou os quinze anos seguintes, trabalhando, inicialmente como montador e depois como realizador, sobretudo e filmes experimentais, e sempre muito ligados à pintura. No campo do cinema, os seus interesses foram para autores como Bergman, ou os franceses da Nouvelle Vague, Godard e Resnais. O seu filme favorito é “O Último Ano em Marienbad” (1961) e a actriz Delphine Seyrig. Greenaway interessou-se sempre por ópera, tendo escrito dez libretos, para uma série, “The Death of a Composer: Rosa, a Horse Drama,  The Tulse Luper Suitcases, The Moab Story”, tendo como referência dez compositores, de Anton Webern a John Lennon. A sua primeira longa-metragem data de 1980, “The Falls”,  sendo que as suas obras de maior reconhecimento internacional datam das décadas de 80 e 90. O interesse por ópera e música levou Greenaway a produzir, em 2005, um espectáculo multimedia, de colaboração com o maestro e compositor David Lang e o calígrafo Brody Neuenschwander, intitulado "Writing on Water". O espectáculo reuniu, ao vivo, a orquestra London Sinfonietta, o realizador, montando imagens numa mesa de vídeo, o compositor na regência da orquestra e o calígrafo, todos trabalhando simultaneamente, com o produto audiovisual sendo lançado num enorme ecrã que era presenciado por vastas plateias. Em 1999, Greenaway divorciou-se, vendeu a casa da família no País de Gales e passou a viver na Holanda. Em 2007, passou a Comandante da »Ordem do Império Britânico, pela sua contribuição à arte do cinema.

Filmografia
Como realizador (curtas-metragens): 1962: Death of Sentiment; 1966: Tree; Train; 1967: Revolution; 5 Postcards From Capital Cities; 1969: Intervals; 1971: Erosion; 1973: H Is for House; 1975: Windows; Water Wrackets; Water; 1976: Vertical Features Remake; Goole by Numbers; 1977: Dear Phone; 1978: A Walk Through H: The Reincarnation of an Ornithologist; Eddie Kid; Cut Above the Rest; 1-100; Vertical Features Remake;1979: Zandra Rhodes; Women Artists; Leeds Castle; 1980: Lacock Village; Country Diary; Act of God; 1981: Terence Conran; 1983: The Coastline; 1984: Making a Splash; 1985: Inside Rooms: 26 Bathrooms, London & Oxfordshire; 1988: Fear of Drowning; 1989: Hubert Bals Handshake; Death in the Seine; 1991: M Is for Man, Music, Mozart; A Walk Through Prospero's Library; 1992: Rosa; 1997: The Bridge; 2001: The Man in the Bath; 2003: Cinema16: British Short Films; 2005: Writing on Water; 2009: The Marriage;
(longas-metragens): 1980: The Falls; 1982: The Draughtsman's Contract (O Contrato); 1983: Four American Composers; 1985: A Zed & Two Noughts (Z00 - Um Z e dois Zeros); 1987: The Belly of an Architect (O Ventre de um Arquitecto); 1988: Drowning by Numbers (Maridos à Água); 1989: The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover (O Cozinheiro, o Ladrão, a sua Mulher e o Amante Dela); 1990: A TV Dante (TV Mini-série) (4 episódios); 1991: Prospero's Books (Os Livros de Próspero); Darwin; A Walk Through Prospero's Library (documentário); 1993: The Baby of Mâcon (O Bebé de Mâcon); 1995: Stairs 1 Geneva (documentário); 1996: Lumière et Compagnie - filme colectivo (documentário); 1996: The Pillow Book (O Livro de Cabeceira); 1999: 8½ Women (8 Mulheres e ½); The Death of a Composer: Rosa, a Horse Drama; 2003: The Tulse Luper Suitcases, The Moab Story; The Tulse Luper Suitcases, Antwerp; The Tulse Luper Suitcases, Sark to the Finish; 2004: The Tulse Luper Suitcases, Vaux to the Sea; Visions of Europe (fragmento "European Showerbath") - filme colectivo; 2005: A Life in Suitcases; 2007: Nightwatching (A Ronda da Noite); Peopling the Palaces at Venaria Reale; 2008: Rembrandt's J'accuse (documentário); Cinema Is Dead, Long Live the Screen (documentário); 2012: Goltzius and the Pelican Company; 2013: 3x3D (episódio "Just in Time"); 2014: Eisenstein in Guanajuato (pós-produção); 2015: Walking to Paris (pré-produção); 2016: The Eisenstein Handshakes (anunciado).