domingo, 24 de agosto de 2014

SESSÃO 41: 27 DE AGOSTO DE 2014


GANDHI (1982)

O cinema tem muitos caminhos por que se pode exprimir, muitas vias a explorar, muitos estilos e muitas finalidades a cumprir. Haverá certamente quem considere que o academismo de “Gandhi” nada traz de novo. Serão aqueles para quem a arte funciona sobretudo como  experimentalismo, vanguarda, pesquisa de novos horizontes. Mas, para muitos outros, para a grande maioria do público que acorre às salas de todo o mundo, “Gandhi” será seguramente um grande momento de cinema. Os primeiros dirão que esta é uma obra sem futuro, que daqui a algumas décadas pouca gente a ligará à evolução da história do cinema, esquecidos talvez que são as modas o que mais depressa passam e morrem na voragem do que é passageiro. Foi o Miguel Esteves Cardoso quem, a propósito desse fabuloso “Do Fundo do Coração”,  relembrou as palavras de T.S. Elliot, que ajudam neste contexto: “O que é actual é actual só num tempo e só num lugar”. É precisamente isso que permite que muitas obras perdurem no seu classicismo sem sobressaltos, apenas carregadas de uma sinceridade e de um toque de magia, que faz a surpresa da arte, enquanto muito monumento de vanguarda rapidamente se esquece quando essa vanguarda o deixa de ser, substituída por outras. Não é que as vanguardas e o experimentalismo não sejam essenciais para o progresso das formas artísticas,  sem elas não haveria evolução, mas devemos ter em conta que elas funcionam como marginais, e é assim mesmo que gostam de ser consideradas.
“Gandhi” não é um filme que arrisque na forma. Assume inteiramente a narrativa tradicional e, mais ainda, o estatuto de super-super-produção, só possível dado o apoio óbvio das autoridades indianas, interessadas nesta biografia épica daquele que está na origem da sua nacionalidade. Mas, se quase nada arrisca neste aspecto, joga-se inteiramente enquanto reconstrução laboriosa e exaustiva de uma época e de uma figura. Estamos mais no domínio do ensaio e da biografia do que no da ficção, o que se percebe logo desde início. Mas entra aqui a segurança e a solidez britânica, que em muitos outros casos não conseguem levantar voo, presas de um conformismo verdadeiramente académico e obsoleto, mas que em “Gandhi” servem com dignidade e probidade os propósitos dos seus responsáveis.


“Gandhi” é isso mesmo: um projecto quase exemplar ao nível dos processos e das intenções, o que é tanto mais de realçar quanto foram os ingleses parte integrante da acção relatada, muitas vezes com desenlace contrário aos seus interesses mais imediatos. Mas Richard Attenborough, o seu argumentista John Briley e o (então) quase desconhecido Ben Kingsley (que pela sua composição brilhante da figura de Gandhi ascende, de um momento para o outro, à condição de vedeta indiscutível) conseguem esse prodígio de sobriedade e objectividade invulgares, sobretudo numa obra que se quer popular e espectacular, que o consegue ser, inclusive, apesar dessa isenção e dessa quase total recusa do efeito gratuito e da tirada demagógica.
Mas “Gandhi” é ainda um filme importante sob outros pontos de vista, que se prendem directamente com a mensagem de tolerância e de pacifismo que aquele estadista tão sabiamente consubstanciou. Pode estar-se, ou não, de acordo com as palavras e os métodos de Gandhi, não se pode todavia atacar, a não ser de forma leviana e perigosa, a sua mensagem e o rigor e coerência do seu exemplo. É esse exemplo que Gandhi divulga perante todo o mundo, por milhões e milhões de espectadores, que diariamente se confrontam com um mundo entontecido pela violência e o horror, e que podem, de alguma forma, encontrar lenitivo e esperança nesta biografia emocionante, e emocionada, de um homem que ajudou a transformar a face do mundo.
Nomeado para 11 Óscares da Academia de Hollywood, disputando nesse ano os principais prémios a filmes como “E.T.”, “Gandhi” não pode deixar de ser visto como uma obra tecnicamente impecável, vivendo de grandes sequências de raro sentido do espectáculo, sabiamente mesclado com outras de um intimismo discreto. Um elenco notável, dirigido com mãos de mestre, faz o resto. E o resto é parte de um todo memorável dentro das circunstâncias atrás referenciadas. E mais uma vez se sublinha o trabalho de Ben Kingsley.  Parece que chegaram a estar previstos para este papel nomes como os de Alec Guinness, Albert Finney, Peter Finch, Tom Courtney, Dirk Bogarde ou Anthony Hopkins. A escolha de Kingsley revelou-se verdadeiramente impressionante.

GANDHI
Título original: Gandhi
Realização: Richard Attenborough (Inglaterra, União Indiana, 1982); Argumento: John Briley; Produção: Richard Attenborough, Rani Dubé, Suresh Jindal, Michael Stanley-Evans; Música: Ravi Shankar; Fotografia (cor): Ronnie Taylor, Billy Williams; Montagem: John Bloom; Casting: Susie Figgis; Design de produção: Stuart Craig; Direcção artística: Norman Dorme; Robert W. Laing, Ram Yedekar; Decoração:  Michael Seirton; Guarda-roupa: Bhanu Athaiya, John Mollo; Maquilhagem: Paula Gillespie, Tom Smith; Direcção de Produção: Rashid Abbasi, Terence A. Clegg, Alexander De Grunwald, Devi Dutt, Shama Habibullah, Gerry Levy, Grania O'Shannon; Assistentes de realização: Bhisham Bhasin, Roy Button, Steve Lanning, John Mathew Matthan, Govind Nihalani, Uday Shankar Pani, M.R. Shahjahan, Kamal Swaroop, David Tomblin, Julian Wall, Peter Waller; Departamento de arte: Amal Allana, Nissat Allana, Roger Cain, Dick Frift, Aruna Harprasard, Jill Quertier, Charles Torbett; Som: Jonathan Bates, Nigel Davis, Taffy Haines, Gerry Humphreys, Simon Kaye, Archie Ludski, Robin O'Donoghue; Efeitos especiais: David H. Watkins; Efeitos visuais: Martyn Hall, Gary Shaw; Companhias de produção: International Film Investors, National Film Development Corporation of India (NFDC), Goldcrest Films International,Indo-British (Indo-British Films Ltd.), Carolina Bank; Intérpretes: Ben Kingsley (Mahatma Gandhi), Candice Bergen (Margaret Bourke-White), Edward Fox (General Dyer), John Gielgud (Lord Irwin), Trevor Howard (Juiz Broomfield), John Mills (Vice-rei), Martin Sheen (Walker), Ian Charleson (Charlie Andrews), Athol Fugard (General Smuts), Günther Maria Halmer (Herman Kallenbach), Saeed Jaffrey (Sardar Patel), Geraldine James (Mirabehn), Alyque Padamsee (Mohammed Ali Jinnah), Amrish Puri (Khan), Roshan Seth (Pandit Nehru), Rohini Hattangadi (Kasturba Gandhi), Ian Bannen, Michael Bryant, John Clements, Richard Griffiths, Nigel Hawthorne, Bernard Hepton, Michael Hordern, Shreeram Lagoo, Om Puri, Virendra Razdan, Richard Vernon, Harsh Nayyar, Prabhakar Patankar, Vijay Kashyap, Nigam Prakash, Supriya Pathak, Neena Gupta,  Shane Rimmer, Peter Harlowe, Anang Desai, Winston Ntshona, Peter Cartwright, etc. Duração: 191 minutos; Distribuição em Portugal (DVD): Columbia Filmes; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 24 de Março de 1983.

RICHARD ATTENBOROUGH 
(1923 - 2014)
Richard Samuel Attenborough nasceu a 29 de Agosto de 1923, em Cambridge, Inglaterra. Faleceu a 24 de Agosto de 2014, em Northwood, Londres, Inglaterra. Contava 90 anos. Estudou em Leicester e posteriormente na Royal Academy of Dramatic Art (RADA), de que se tornaria, anos mais tarde, presidente,  bem assim como da  Capital Radio. Irmão de David Attenborough. Em 1967, foi feito Comandante da Ordem do Império Britãnico, designado Cavaleiro em 1976, barão e Lord em 1993. Em 2003, é Chanceler da universidade de Sussex. Casado, desde 1945, com Sheila Sim, de quem tem três filhos, entre os quais Michael Attenborough, encenador.
Richard Attenborough é considerado um dos maiores  actores ingleses de sempre e um realizador muito conceituado. Em 1983, “Gandhi” recebeu onze nomeações para Oscars, ganhou nove, entre as quais a de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor (Ben Kingsley) e Melhor Argumento. Com o mesmo filme ganhou o Globo de Ouro de Melhor Realizador. Como actor, ganhou o Globo de Ouro para Melhor Actor Secundário em 1967 e 1968, respectivamente para “Yang-Tsé em Chamas”e “O Extravagante Dr. Dolittle”.

Filmografia:
Como realizador:  1969: Oh! What A Lovely War (Viva a Guerra!); 1972: Young Winston (O Jovem Leão); 1977: A Bridge Too Far (Uma Ponte Longe Demais); 1978: Magic; 1982: Gandhi (Gandhi);  1985: A Chorus Line (A Chorus Line); 1987: Cry Freedom (Grita Liberdade); 1992: Chaplin (Chaplin);  1993: Shadowlands (Dois Estranhos, Um Destino); 1996: In Love and War (Em Amor e em Guerra); 1999: Grey Owl (Grey Owl - A História de um Guerreiro);  2007: War and Destiny ou Closing the Ring (O Elo do Amor).
Como actor: 1942: In Which We Serve (Sangue, Suor e Lágrimas), de Noël Coward e David Lean; 1943: Schweik's New Adventures, de Karel Lamač; 1944: The Hundred Pound Window, de Brian Desmond Hurst; 1945: Journey Together (Jornada Heróica) de John Boulting; Think It Over (curta-metragem); 1946: A Matter of Life and Death (Caso de Vida ou Morte) de Michael Powell e Emeric Pressburger; 1946: School for Secrets, de Peter Ustinov; 1947: The Man Within (O Fantasma da Floresta), de Bernard Knowles; Dancing With Crime, de John Paddy Carstairs; 1947: Brighton Rock, de John Boulting; 1948: London Belongs to Me, de Sidney Gilliat; The Guinea Pig, de Roy Boulting; 1949: The Lost People, de Bernard Knowles; Boys in Brown, de Montgomery Tully; 1950: Morning Departure (Trágico Amanhecer), de Roy Ward Baker; BBC Sunday-Night Theatre (TV); 1951: Hell is Sold Out, de Michael Anderson; 1951: The Magic Box, de John Boulting; 1952: Gift Horse, de Compton Bennett; Father's Doing Fine, de Henry Cass; 1954: Eight O'Clock Walk, de Lance Comfort; 1955: The Ship that died of Shame (O Navio Que Morreu de Vergonha), de Basil Dearden; 1956: Private's Progress, de John Boulting:  The Baby and the Battleship (Diabruras Num Couraçado), de Jay Lewis; 1957: Brothers in Law, de Roy Boulting; The Scamp, de Wolf Rilla; 1958: Dunkirk, de Leslie Norman; The Man Upstairs, de Don Chaffey; Sea of Sand (Deserto em Chamas), de Guy Green; 1959: Danger Within (Perigo em Cada Segundo), de Don Chaffey; I'm All Right Jack (Simpático Idiota), de John Boulting; SOS Pacific (S.O.S. Pacífico), de Guy Green;  The League of Gentlemen (Cavalheiros da indústria), de Basil Dearden; Jet Storm, de Cy Endfield; Upgreen - And at 'Em, de ?; The Angry Silence) de Guy Green; 1961: Whistle down the Wind (Os olhos postos em ti), de Bryan Forbes (não creditado); 1962: Only Two Can Play, de Sidney Giliat; 1962: All Night Long (Ao Longo da Noite), de Basil Dearden; The Dock Brief, de James Hill; 1963: The Great Escape (A Grande Evasão), de John Sturges; 1964: The Third Secret (O 3º. Segredo), de Charles Crichton; 1964: Seance on a Wet Afternoon (À Beira do abismo), de Bryan Forbes; Guns at Batasi (Revolta em Batasi), de John Guillermin; 1965: The Flight of the Phoenix (O Voo da Fénix), de Robert Aldrich; 1966: The Sand Pebbles (Yang-Tsé em Chamas), de Robert Wise; 1967: Doctor Dolittle (O Extravagante Dr. Dolittle), de Richard Fleischer; 1968: Only When I Larf (Negócios em Três Continentes), de Basil Dearden; The Bliss of Mrs. Blossom (A Felicidade da Senhora Blossom), de Joseph McGrath; 1969: The Magic Christian (Um Beatle no Paraiso),de Joseph McGrath; David Copperfield (TV); 1970: The Last Grenade, de Gordon Flemyng; A Severed Head (Ligações Cruzadas).de Dick Clement; 1970: Loot, de Silvio Narizzano; 1971: 10 Rillington Place (O Violador de Rillington), de Richard Fleischer; 1974: Ten Little Indians ou Ein Unbekannter rechnet ab, de Peter Collinson; 1975: Rosebud (O Caso Rosebud), de Otto Preminger; 1975: Brannigan (Branningan), de Douglas Hickox; Conduct Unbecoming (A Honra do Regimento), de Michael Anderson; 1977: Shatranj Ke Khilari (O Jogador de Xadrez), de Satyajit Ray; A Bridge Too Far (Uma Ponte Longe Demais), de Richard Attenborough; 1979: The Human Factor (O Factor Humano), de Otto Preminger; 1993: Jurassic Park (Parque Jurássico), de Steven Spielberg; 1994: Miracle on 34th Street  (Milagre em Manhattan), de Les Mayfield; 1996: E=mc2, de Benjamin Fry, Hamlet (Hamlet), de Kenneth Branagh; 1997: The Lost World: Jurassic Park (O Mundo Perdido: Jurassic Park), de Steven Spielberg; 1998: Elizabeth (Elizabeth),de Shekhar Kapur; Tom and Vicky (TV) (voz);  2000: Masterpiece Theatre (TV) - The Railway Children; The Railway Children (TV); 2001: Jack and the Beanstalk: The Real Story (TV); 2002: Puckoon, de Terence Ryan; 2004: Tres en el Caminho, de Laurence Boulting (voz).

BEN KINGSLEY (1943 - )
Com o nome de baptismo de Krishna Bhanji, Ben Kingsley nasceu a 31 de Dezembro de 1943, em Scarborough, Yorkshire, Inglaterra. O pai, Rahimtulla Harji Bhanji, médico, era descendente de indianos, e a mãe, Anna Lyna Mary, modelo e actriz, era inglesa. Ben Kingsley estudou na Manchester Grammar School e começou muito cedo a sua carreira no teatro (Royal Shakespeare Company), logo em meados da década de 60, tornando-se um intérprete muito procurado pelo teatro e pela televisão por essa altura, já com o novo nome de Ben Kingsley. No cinema, “Gandhi” foi um dos seus primeiros trabalhos, e com ele conquistou o Oscar de Melhor Actor e uma carreira internacional carregada de êxitos, galardoado com os maiores prémios, e rapidamente considerado um dos mais talentosos actor ingleses, multiplicando sucessos em vários filmes e séries, como "Turtle Diary", "Maurice", "Pascali's Island", "Without a Clue", "Bugsy", "Sneakers", "Dave", "Searching for Bobby Fischer", "Schindler's List", "Death and the Maiden", "Murderers Among Us: The Simon Wiesenthal Story", "Sexy Beast", e "House of Sand and Fog". É cavaleiro da Ordem do Império Britânico desde 2002. Casado com Angela Morant (1966 - 1972), Alison Sutcliffe (1978 - 1992), Alexandra Christmann (2003 - 2005) e Daniela Lavender (2007 – até ao presente).

Filmografia

Como actor: 1966: Orlando (TV); Pardon the Expression (TV); 1966-1967 Coronation Street (TV); 1972: Fear Is the Key (O Medo é a Chave), de Michael Tuchner; 1973 Wessex Tales (TV); Play for Today (TV); A Misfortune (TV); Full House (TV); The Adventurer (TV); 1974: 2nd House (TV); Antony and Cleopatra (TV); 1975: The Love School (TV); 1976: Dickens of London (TV); 1976-1979 Crown Court (TV); 1977: The Velvet Glove (TV); 1978-1979: BBC2 Playhouse (TV); 1982: Gandhi (Gandhi), de Richard Attenborough; The Merry Wives of Windsor (TV); 1983: Betrayal (Anatomia de uma Traição), de David Hugh Jones; 1983: Kean (TV); 1984: Camille (TV); 1984: Oxbridge Blues (TV); 1985: Turtle Diary (Ele, Ela e a Tartaruga), de John Irvin; Harem (Harém), de Arthur Joffé; Silas Marner: The Weaver of Raveloe (TV); 1986: Stanley's Vision (TV); 1987: Maurice (Maurice), de James Ivory; Testimony (Testemunho), de Tony Palmer; 1988: Pascali's Island (O Império da Honra), de James Dearden; Without a Clue (As Desventuras de Sherlock Holmes), de Thom Eberhardt; Il Segreto del Sahara (TV); Il treno di Lenin (TV);  1989: Slipstream (A Fúria do Vento), de Steven M. Lisberger; Murderers Among Us (TV); 1990: The Children, de Tom Shankland; Romeo-Juliet, de Armondo Linus Acosta (voz); Una Vita Scellerata, de Giacomo Battiato; O Quinto Macaco (O Quinto Macaco), de Éric Rochat; 1991: L'Amore Necessario, de Fabio Carpi; Bugsy (Bugsy), de Barry Levinson; The War That Never Ends (TV); 1992: Freddie as F.R.O.7)(voz); Sneakers (Heróis Por Acaso) de Phil Alden Robinson; 1993: Dave (Dave: Presidente por Um Dia) de Ivan Reitman; Searching for Bobby Fischer (Jogada Inocente) de Steven Zaillian; Schindler's List (A Lista de Schindler) de Steven Spielberg; 1994: Death and the Maiden (A Noite da Vingança) de Roman Polanski; 1995: Species (Espécie Mortal) de Roger Donaldson; José (TV); Moses (TV); 1996: Twelfth Night: Or What You Will (Noite de Reis) de Trevor Nunn; 1997: The Assignment (Caça ao Terrorista) de Christian Duguay; Photographing Fairies (O Caçador de Sonhos), de Nick Willing; O Quarto Poder (TV); The Tale of Sweeney Todd (TV); Weapons of Mass Distraction (TV); 1998: Crime and Punishment (TV); 1999: A Force More Powerful (voz narrador); The Confession (A Confissão), de  David Hugh Jones; Parting Shots, de Michael Winner; Alice in Wonderland (Alice no País das Maravilhas), de Nick Willing (TV); 2000: Spooky House, de William Sachs; What Planet Are You From? (De que Planeta és Tu?), de Mike Nichols; Rules of Engagement (Compromisso de Honra), de William Friedkin; Sexy Beast, de Jonathan Glazer; Anne Frank (TV); 2001: Artificial Intelligence: AI (A.I. Inteligência Artificial) de Steven Spielberg (voz); 2001: The Triumph of Love (O Triunfo do Amor), de Clare Peploe; 2002: Tuck Everlasting (A Fonte Misteriosa), de Jay Russell; 2003: House of Sand and Fog (Uma Casa na Bruma), de Vadim Perelman; Helena: First Pilgrim to the Holy Land (vídeo) (narrador); 2004: Thunderbirds, de Jonathan Frakes; Suspect Zero (O Suspeito Zero), de E. Elias Merhige; 2005: A Sound of Thunder (O Som do Trovão) de Peter Hyams; Oliver Twist (Oliver Twist), de Roman Polanski; BloodRayne, de Uwe Boll; Mrs. Harris (TV);  2006: Lucky Number Slevin (Há Dias de Azar), de Paul McGuigan; Jackanory (TV); 2007 The Ten Commandments, de Bill Boyce, John Stronach (voz Narrador); You Kill Me (Tu Matas-me), de John Dahl; The Last Legion (A Última Legião), de Doug Lefler; 2008: Fifty Dead Men Walking (Na Senda dos Condenados) de Kari Skogland; Wackness (Wackness - À Deriva), de Jonathan Levine; Elegy (Elegia) d'Isabel Coixet; Transsibérien (Transiberiano) de Brad Anderson; Love Gourou (O Guru do Amor), de Marco Schnabel; War, Inc. (Guerra, S.A.), de Joshua Seftel; 2009: Journey to Mecca (narrador); 2010: Shutter Island (Shutter Island), de Martin Scorsese; Prince of Persia: The Sands of Time (Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo), de Mike Newell; Teen Patti de Leena Yadav; 1001 Inventions and the Library of Secrets (curta-metragem); Aral. El mar perdido (curta-metragem) (voz); 2010-2013 The Late Late Show with Craig Ferguson (TV); 2011: Hugo (A Invenção de Hugo), de Martin Scorsese; 2012: The Dictator (O Ditador), de Larry Charles; Noah (voz, narrador); A Therapy (curta-metragem); 2013: Iron Man 3 (Homem de Ferro Três), de Shane Black; A Birder's Guide to Everything, de Rob Meyer; Monstres Academy (Os Monstros das Caixas), de Dan Scanlon; Ender's Game (Ender's Game - O Jogo Final) de Gavin Hood; A Common Man, de Chandran Rutnam; Der Medicus, de Philipp Stölzl; Walking with the Enemy, de Mark Schmidt; 2014: Learning to Drive, de Isabel Coixet; Our Robot Overlords, de Jon Wright; Eliza Graves, de Brad Anderson; Mary Mother of Christ, de Alister Grierson; Exodus (Exodus: Deuses e Reis), de Ridley Scott; 2015: To Reach the Clouds, de Robert Zemeckis; A Doll's House (pré-produção); Marvel One-Shot: All Hail the King (curta-metragem); Night at the Museum: Secret of the Tomb (À Noite no Museu: O Segredo do Faraó), de Shawn Levy; I Autobahn; Jaguar: Rendezvous (curta-metragem); War Story; 2015: The Jungle Book (pré-produção) (voz); I Mary (pré-produção); Selfless (pós-produção); Life (pós-produção). 

SESSÃO 40: 26 DE AGOSTO DE 2014


MOMENTOS DE GLÓRIA (1980)

“Chariots of Fire” assinalou um magnífico início de carreira de Hugh Hudson na longa-metragem de ficção. Não basta recordar os quatro Oscars (Melhor Filme, Melhor Argumento original, Melhor Guarda-roupa. Melhor Partitura Musical), nem as restantes nomeações (entre elas a de Melhor Realizador), mas ainda a sua triunfante passagem pelos BAFTAS, Globos, Festival de Cannes, etc. Este foi obviamente o filme que lançou o cineasta, que depois nos deu ainda algumas outras obras interessantes, como “Greystoke - The Legend of Tarzan, Lord of the Apes” (1984) ou “Revolution” (1985).
Mas também é evidente que quando se recompensa internacionalmente “Chariots of Fire”, quem se recompensa essencialmente é o seu produtor, David Putman, um inglês que realmente contribuiu imenso para o prestígio da cinematografia britânica durante as décadas de 70 e 80 do século XX, contribuindo ainda, e muito, para a aproximação do cinema inglês do americano. O Oscar “Melhor Filme” bem o indica - é o produtor quem se visa essencialmente. E a verdade é que este é também, e essencialmente, um filme de produtor.


Toda a riqueza de David Putman foi posta ao serviço desta reconstituição histórica de um período determinado da vida da Grã-Bretanha: entre 1919-1924, vamos acompanhar a luta de dois jovens alunos de Cambridge, cuja paixão maior é a corrida. Um, Eric Liddell, filho de um missionário na China, está igualmente possuído por um intenso sentimento religioso, que o obrigará, inclusive, a desistir de uma prova eliminatória nos Jogos Olímpicos de Paris (1924), porque esta se realizava num dia que a sua religião consagra inteiramente ao Senhor. Mas nessas mesmas Olimpíadas conseguirá ser o melhor nos 400 metros, e conquistar um “record” mundial dificilmente ultrapassável. O outro, Harold Abrahams, judeu cujos pais vêm da Lituânia, representa um tipo de desportista em ascensão, mais ligado a uma carreira profissional, treinando-se cientificamente segundo todos os preceitos da época. Será ele quem triunfará nos 100 metros, conquistando a única medalha de ouro na distância ganha por um inglês. Mas Harold tem contra si o facto de ser judeu, um pouco plebeu, de a sua corrida ser uma forma de se impor contra o preconceito, contra a tradição universitária, contra os métodos antiquados de treino, contra um certo racismo que impera e que vê com maus olhos que ele seja treinado por um descendentes de árabes.
Ambos atingiram um lugar mítico em Inglaterra. O primeiro iria morrer na China, em 1945, servindo o Senhor como missionário. O segundo viveria até 1978, entregue à sua devoção desportista. Ambos demonstram até que ponto pode a Fé mover montanhas, até que ponto pode o espírito domar a carne e levá-la até “performances” julgadas impossíveis. Tudo ao serviço de Deus, do Rei e da Pátria. Mas também, e sobretudo parece ser essa a mensagem do filme, ao serviço de convicções pessoais que não se atraiçoam.
Surpreendente será a reconstituição de época, de um rigor e precisão inultrapassáveis neste género de filme. Não é tanto uma reconstituição que tenha a preocupação de recuperar grandes acontecimentos, ainda que estes surjam, como a abertura dos VIII Jogos Olímpicos de 1924, em França, mas sobretudo a eficaz e pormenorizada restauração de um tom, de um ar do tempo, de pequenos elementos do dia-a-dia, e, acima de tudo, a forma magnífica como nos é restituída a aparente e serena placidez e o fleumático rigor de um certo formalismo, tal como o snobismo distante e rígido e uma certa soberba inglesas. Depois há ainda sóbrias e subtis anotações sobre os comportamentos de classes sociais no interior do tecido social britânico.
A realização evolui como uma corrida, por vezes discreta, por vezes algo irritante nalguns preciosismos, nem sempre eficazes, muitas vezes escusados. Os ralentis com a música de Vangelis por fundo tornaram-se num imagem de marca de competição e empreendorismo, o que de certa forma desvirtua até as intenções do filme. De qualquer forma, Hugh Hudson surgia na altura como um cineasta a seguir com atenção, dirigindo com correcção os seus actores (alguns brilhantes, como é o caso de Ian Holm, que interpreta o papel de treinador) e dominando a narrativa de forma eficaz. Vangelis é o autor de uma boa partitura, daquelas que perduram na memória.


MOMENTOS DE GLÓRIA
Título original: Chariots of Fire
Realização: Hugh Hudson (Inglaterra, 1981); Argumento: Colin Welland; Produção: David Puttnam, James Crawford, Dodi Fayed, Jake Eberts; Música: Vangelis (ou Vangelis Papathanassiou); Fotografia (cor): David Watkin; Montagem: Terry Rawlings; Casting: Esta Charkham; Direcção artística: Jonathan Amberston, Len Huntingford, Anna Ridley, Andrew Sanders; Guarda-roupa: Milena Canonero; Maquilhagem: Kenteas Brine, Maureen Hannaford-Naisbitt, Kate Healy, Mary Hillman, Joan Hills, Hilary Steinberg; Direcção de Produção: Joyce Herlihy; Assistentes de realização: Jonathan Benson, Matthew Binns, Terence Fitch, Melvin Lind, Hugh O'Donnell, Bill Rudgard, Jeremy Coote; Departamento de arte: Roy Evans, Roger Hall; Som: Bill Rowe, Jim Shields, Clive Winter; Efeitos visuais: Ray Caple; Companhias de produção: Twentieth Century Fox Film Corporation, Allied Stars Ltd., Enigma Productions; A produção e a realização agradecem a colaboração de especialistas: Timothy Burrill, Bernard Coote, Tim Hampton, Jennie Liddell, Sanford Lieberson, Jackson Scholz; Intérpretes: Nicholas Farrell (Aubrey Montague), Nigel Havers (Lord Andrew Lindsay), Ian Charleson (Eric Liddell), Ben Cross (Harold Abrahams), Daniel Gerroll (Henry Stallard), Ian Holm (Sam Mussabini), John Gielgud (Master of Trinity), Lindsay Anderson (Master of Caius), Nigel Davenport (Lord Birkenhead), Cheryl Campbell  (Jennie Liddell), Alice Krige (Sybil Gordon), Dennis Christopher (Charles Paddock), Brad Davis (Jackson Scholz), Patrick Magee (Lord Cadogan), Peter Egan, Struan Rodger, David Yelland, Yves Beneyton, Jeremy Sinden, Gordon Hammersley, Andrew Hawkins, Richard Griffiths, John Young, Benny Young, Yvonne Gilan, Jack Smethurst, Gerry Slevin, Peter Cellier, Stephen Mallatratt, Colin Bruce, Alan Polonsky, Edward Wiley, Philip O'Brien, Ralph Lawton, John Rutland, Alan Dudley, Tommy Boyle, Kim Clifford, Wallace Campbell, Patrick Doyle, David John, Tess Dignan, Ruby Wax, Michael Jeyes, David Kivlin, Eddie Hughson, Gayle Garyson, Rosy Clayton, Carole Ashby, Sara Roache, Paul Howard, Steve Ambrose, Michael Lonsdale, Peter Jones, Graham Brooke, Dave Turner, Kenneth Branagh (estudante de Cambridge), Stephen Fry (cantor na 'H.M.S. Pinafore'), etc. Duração: 124 minutos; Distribuição em Portugal (DVD): LNK; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 25 de Novembro de 1981.

HUGH HUDSON (1936 - )
Hugh Hudson nasceu a 25 de Agosto de 1936, em Londres, Inglaterra. Estudou no Eton College.
A sua família tem origem escocesa e do pequeno estado de Cumberland. Fez o serviço militar no Royal Armoured Corps 81956-1960). Passou em seguida por Paris, onde inicia a sua actividade no cinema, primeiro como montador. Funda uma companhia de documentários com Robert Brownjohn e David Camell, que produz, entre outros, “A for Apple!” e “The Tortoise and the Hare”, primeiros filmes do cineasta, o último dos quais nomeado para o BAFTA. Foi realizador de segunda equipa de Alan Parker em “Midnight Express”. “Chariots of Fire” (1981) é o seu primeiro filme de fundo e ficção e também o seu maior sucesso, ganhando quatro Oscars, incluindo o de Melhor Filme. A seguir, assina outras obras, de maior ou menor sucesso, como “Greystoke - The Legend of Tarzan, Lord of the Apes” (1984) ou “Revolution” (1985). Ganhou diversos prémios e recompensas internacionais. “Chariots of Fire” logrou quatro Oscars, incluindo o de Melhor Filme, e uma nomeação para Melhor Realizador. O mesmo filme ganharia igualmente o BAFTA para Melhor Filme Inglês. Casado com a pintora Susan Caroline Michie (1977) e posteriormente com a actriz Maryam d'Abo (2003-até ao presente).

Filmografia
Como realizador: 1963: A... is for Apple (curta-metragem); 1965: Design for Today (curta-metragem documental); 1967: The Tortoise and the Hare (curta-metragem); 1975: Fangio: Una vita a 300 all'ora; 1978: 12 Squadron Buccaneers (curta-metragem documental); 1981: Chariots of Fire (Momentos de Glória); 1984: Greystone the legend of Tarzan, Lord of the Apes (Greystoke - A Lenda de Tarzan o Rei da Selva); 1985: Revolution (Revolução); 1987: Labour Party Election Broadcast (21 May 1987) (curta-metragem documental); 1989: Lost Angels ou The Road Home (Rebeldes Sem Causa); 1995: Lumière et Compagnie ou Lumière and Company (um dos 41 realizadores a dirigirem uma curta integrada nesta homenagem aos 100 anos do cinema); 1999: My Life So Far; 2000: I Dreamed of Africa (África dos Meus Sonhos); 2006: Sarah Brightman: Diva - The Video Collection; 2008: Revolution Revisited; 2011: Rupture - A Matter of Life or Death (documentário).

DAVID PUTTNAM (1941 - )
David Terence Puttnam, Barão Puttnam, nasceu a 25 de Fevereiro de 1941, em Southgate, Londres, Inglaterra. Político, representante do Partido Trabalhista do Reino Unido na Câmara dos Lordes, escritor, actor num filme, é sobretudo referido no meio cinematográfico como um produtor particularmente importante nas décadas de 70 e 80 do século XX, contribuindo decisivamente para a renovação da cinematografia britânica. Comendador da Ordem do Império Britânico em 1983, Cavaleiro em 1995, par do reino com o título de Barão de Puttnam em 1997. Casado com Patricia Mary Jones (1961 – até ao presente). Trabalhou para várias casas produtoras inglesas e norte-americanas, antes de criar a sua própria casa, em 1976, a Enigma Productions, que ergueu obras tão importantes quanto o foram “The Duellists”, “Chariots of Fire”, “Local Hero”, “Memphis Belle”, “Meeting Venus”, “The Killing Fields” e “The Mission”. Foi administrador da Columbia Pictures, de 1986 a 1988. Em 1998, retirou-se quase inteiramente da indústria cinematográfica e dedica-se à educação e ao ambiente.

Filmografia
Como produtor: 1968: The Wild, Wild World of Jayne Mansfield, de Charles Ross (documentário); 1971: Peacemaking 1919, de David Mingay; 1971: Melody, de Waris Hussein; 1972: Glastonbury Fayre (documentário); Bringing It All Back Home (curta-metragem); The Pied Piper (A Flauta Mágica), de Jacques Demy; 1973: Swastika (documentário); 1973: The Final Programme, de Robert Fuest; Double Headed Eagle: Hitler's Rise to Power 1918-1933 (documentário); That'll Be the Day (Um Certo Verão), de Claude Whatham; 1974: Stardust, de Michael Apted; Mahler (Mahler, Delírio Fantástico), de Ken Russell; Radio Wonderful (documentário); 1975: James Dean: The First American Teenager, de Ray Connolly. (TV) (documentário); Brother, Can You Spare a Dime?, de Philippe Mora (documentário); Lisztomania (Lisztomania), de Ken Russell; 1976: Bugsy Malone (Bugsy Malone), de Alan Parker; The Memory of Justice, de Marcel Ophüls (documentário); 1977: The Duellists (O Duelo), de Ridley Scott; 1978: Midnight Express (O Expresso da Meia-Noite), de Alan Parker; 1980: Foxes (Gatonas), de Adrian Lyne; 1981: Chariots of Fire (Momentos de Glória), de Hugh Hudson; 1982: Experience Preferred... But Not Essential (Prefere-se a Experiência mas não é Essencial ), de Peter Duffell;  P'tang, Yang, Kipperbang, de Michael Apted (TV); 1983: Local Hero (Um Tipo Genial),de Bill Forsyth; The Frog Prince, de Jackson Hunsicker; Secrets, de Gavin Millar; Those Glory Glory Days (TV); 1983: Red Monarch (O Monarca Vermelho), de Jack Gold (TV); 1984: P'tang, Yang, Kipperbang. (TV); Cal (Tempo de Guerra), de Pat O’Connor; 1984: The Killing Fields (Terra Sangrenta), de Roland Joffé; Winter Flight, de Roy Battersby; Sharma and Beyond (TV); 1985: Mr. Love, de Roy Battersby; Defence of the Realm (Em Defesa da Nação), de David Drury; 1986: Arthur's Hallowed Ground (TV), Forever Young, de David Drury; The Mission (A Missão), de Roland Joffé; Knights & Emeralds, de Ian Emes; 1990: A Dangerous Man: Lawrence After Arabia, de Christopher Menaul (TV); Memphis Belle (A Bela Memphis), de Michael Caton-Jones; 1991: Without Warning: The James Brady Story (Sem Aviso: A História de James Brady)(TV); Meeting Venus (Tentação de Vénus), de István Szabó; The Josephine Baker Story (TV); 1992: Great Performances (TV) (1 episódio: A Dangerous Man: Lawrence After Arabia); 1993: Being Human (Gente como Nós), de Bill Forsyth; 1994: War of the Buttons, de John Roberts; 1994: The Burning Season (Amazónia a Ferro e Fogo) (TV); 1995: Le Confessionnal (O Confessionário), de Robert Lapage; 1999: My Life So Far, de Hugh Hudson; 2009: We Are the People We've Been Waiting For (documentário); 2014: I am Chut Wutty (documentário) .

Como actor: 1980: A Pocketful of Dreams, de Stuart Urban (TV).

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

SESSÃO 39: 20 DE AGOSTO DE 2014


MORTE NO NILO (1978)

Agatha Christie conheceu até agora dois bons períodos no cinema britânico. No início dos anos 60, com as adaptações de vários romances seus protagonizados por Miss Marple (Margareth Rutherford), em realizações de George Pollock (filmes que valem mais pela interpretação, que pela banal realização) e, a partir de finais da década de 70, com a EMI a colocar em imagens alguns dos títulos mais célebres da reputada escritora: “Um Crime no Expresso do Oriente”, de Sidney Lumet (1975), “Morte no Nilo”, de John Guillermin (1978), “O Espelho Quebrado”, de Guy Hamilton (1980) e, finalmente, “Morte ao Sol”, de novo sob direcção de Guy Hamilton. “Death on the Nile” foi a operação prestígio da EMI no ano de 1978. Rodado em exteriores naturais no Egipto, ao longo do Nilo, e em interiores em Inglaterra, nos estúdios da Pinewood, esta obra reuniu algumas condições para se afirmar como um grande êxito de público e um razoável, honesto e saudável entretenimento. John Guillermin não é um autor particularmente interessante, mas as suas obras afirmam-se por um cuidado e sóbrio métier, quer se trate de “A Torre do Inferno” ou da remake de “King Kong”. Serve com dignidade o espectáculo na melhor tradição dos técnicos americanos, e isso mesmo se pode sentir ao longo desta sofisticada investigação de Hércules Poirot, numa paisagem de sereno exotismo. Mas o encanto maior desta obra, para lá do intrincado da investigação policial, é o seu naipe de actores, invulgarmente bem escolhidos para os papéis que representam e onde se salientam nomes que percorrem quase toda a história do cinema. Poirot é aqui encarnado por Peter Ustinov em plena forma, conjugando com talento um certo ar arrogante e distante com um humor que faltava por completo a Albert Finney, no anterior “Crime no Expresso do Oriente”. Enquanto na obra de Sidney Lumet o detective belga aparecia com a gravidade de raciocínio e a antipatia que o caracteriza em muitas das aventuras imaginadas por Agatha Christie, em “Morte no Nilo” Poirot diverte-se, e diverte-nos, com o humor discreto que ressalta de uma investigação que nunca é tomada muito a sério. Ou seja: onde Lumet aceitava por completo a lógica algo excessiva da dedução pura do detective, Guillermin (e o seu argumentista Anthony Shaffer, um dramaturgo inglês de renome, autor da prestigiada peça de teatro “Sleuth”, e irmão de Peter Shaffer) opta por um sorriso irónico, distanciando do espectador figuras e situações. Nesse aspecto, o concurso de Peter Ustinov é determinante, sendo ele, em grande parte, quem define o tom da representação.


Mas outros grandes nomes se lhe associam: Bette Davis, uma velha americana que não resiste ao brilho das jóias; Jane Birkin, a criada francesa de uma arrogante milionária, Lois Chiles; Mia Farrow, obsessivamente apaixonada por um ex-noivo, Simon Mac Corkindale, que acaba por casar com a sua melhor amiga; John Finch, um estudante comunista que se deixa enamorar por Olivia Hussey, filha de Angela Lansbury, uma melosa escritora de dramas passionais; George Kennedy, o astuto advogado que procura manter interesses diversos; David Niven, como sempre um coronel inglês, investigador por conta própria, amigo, administrador e colaborador de Poirot; Jack Warden, um médico com algo a ocultar no seu passado; Maggie Smith, dama de companhia de Bette Davis até ao momento em que não se contém mais.
Como em quase todas as obras de Agatha Christie, o destino reúne um grupo de personagens num determinado espaço fechado, aqui a bordo do Karnac, um luxuoso navio de carreira, ao longo do Nilo. O crime aparece. Poirot, envolvido na teia, é chamado a investigar. De dedução em dedução, explorando alibis e investigando interesses, chega à conclusão de que todos são suspeitos e poderiam ter assassinado a vítima. Resta isolar o verdadeiro culpado, o que se consegue, como quase sempre, na última bobina do filme. Não sem que outras cabeças rolem. O filme vive, ainda, do trabalho esmerado de alguns técnicos, entre os quais cumprirá destacar o director de fotografia, Jack Cardif, e o autor da banda sonora, Nino Rota.


MORTE NO NILO
Título original: Death on the Nile
Realização: John Guillermin (Inglaterra, 1978); Argumento: Anthony Shaffer, segundo romance de Agatha Christie; Produção: John Brabourn, Richard B. Goodwin, Norton Knatchbull; Música: Nino Rota; Fotografia (cor):  Jack Cardiff; Montagem: Malcolm Cooke, Casting: Dyson Lovell; Design de produção: Peter Murton; Direcção artística: Brian Ackland-Snow, Terry Ackland-Snow; Guarda-roupa:  Anthony Powell; Maquilhagem: Betty Glasow, Ramon Gow, Freddie Williamson; Direcção de Produção:  Barrie Melrose, Ron Purdie, Ahmed Sami; Assistentes de realização: Chris Carreras, Steve Lanning, Ted Sturgis, Peter Waller; Departamento de arte: John Paterson; Som: John W. Mitchell, John Richards, Bill Rowe, Nicholas Stevenson; Companhias de produção:EMI Films, Mersham Productions Ltd.; Intérpretes: Peter Ustinov (Hercule Poirot),Jane Birkin (Louise Bourget), Lois Chiles (Linnet Ridgeway), Bette Davis (Mrs. Van Schuyler), Mia Farrow (Jacqueline De Bellefort), Jon Finch (Mr. Ferguson), Olivia Hussey (Rosalie Otterbourne), I.S. Johar (Comandante do Karnak), George Kennedy (Andrew Pennington), Angela Lansbury (Mrs. Salome Otterbourne), Simon MacCorkindale (Simon Doyle), David Niven (Coronel Race), Maggie Smith (Miss Bowers), Jack Warden (Dr. Bessner), Harry Andrews (Barnstaple), Sam Wanamaker  (Rockford), François Guillaume, Barbara Hicks, Celia Imrie, Andrew Manson, etc. Duração: 140 minutos; Distribuição em Portugal (DVD): Universal Pictures; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 15 de Dezembro de 1978.

AGATHA CHRISTIE (1891-1976)
Nascida em 1891, em Ashfield, Inglaterra, com o nome de Agatha Mary Clarissa Miller, Agatha Christie é conhecida como a “Rainha do Crime”. Os seus livros venderam mais de um bilião de cópias em inglês, e outro bilião em línguas estrangeiras. É a autora mais publicada de todos os tempos em qualquer idioma, somente ultrapassada pela Bíblia e por Shakespeare. Escreveu oitenta romances de crime e colecções de pequenas histórias, dezanove peças e seis romances apresentados sob o pseudónimo de Mary Westmacott.
O pai morreu era ela muito pequena. Embora tendo uma infância feliz o seu temperamento era o de uma criança tímida e muito unida à família. A sua irmã Magda lia-lhe muitas histórias de Conan Doyle, Edgar Allan Poe e Leroux, os grandes génios da intriga e, um dia, incita-a a escrever uma história onde, apenas no final, se descubra o nome do assassino.
Outra versão do mesmo episódio indica que Agatha começou a escrever sob a influência da mãe, que a incentivou a criar um conto, enquanto Agatha estava com um forte resfriado e de cama. Ela chegou a duvidar de sua capacidade, mas conseguiu. Continuou escrevendo encorajada também por Eden Phillpotts, um teatrólogo amigo da família. Quando já era famosa, disse que durante muitos anos se divertiu escrevendo histórias melancólicas em que a maioria dos personagens morria.
Estudou em casa e recebeu uma educação conservadora e tradicional. O perigo e os desportos agradavam-lhe imenso e esta combinação marcar-lhe-á o carácter. Devido ao facto de não ter uma escolaridade oficial, não pode frequentar a universidade. Por isso, considerando-se uma pessoa inculta, lutou por encontrar uma profissão, para se impor na sociedade. Escolhe a música e decide estudar piano em Paris, para onde vai viver. Torna-se numa extraordinária aluna e profissional do piano.
Era uma rapariga bonita, alta, magra e ruiva. Tinha inúmeros pretendentes. De entre todos elegeu aquele por quem nutria uma grande paixão: Archie Christie, com quem casou quase no início da I Guerra Mundial. Começa, então, a trabalhar como enfermeira e em farmácia, aprendendo o manejo de drogas e venenos, que se tornaram de enorme utilidade como escritora. Fica separada do marido durante o conflito e sente uma profunda tristeza. Precisa de relaxar e resolve escrever uma novela de mistério.
O primeiro romance de Agatha Christie, “O Misterioso Caso de Styles”, foi escrito no final da Primeira Guerra Mundial. Nele criou Hercule Poirot, o pequeno detective belga que mais tarde se tornaria a personagem de crimes de ficção mais popular desde Sherlock Holmes. Foi publicado em 1920.
Ao regressar da guerra, o marido não lhe dedica a atenção de que ela tanto carece, asseguram uns. Outros afirmam que Agatha Christie terá sofrido bastante com vários factos que ocorreram durante a sua vida, incluindo a separação do seu primeiro marido. Têm, entretanto, uma filha. Archibald Christie, porém, irritado por voltar para casa e encontrar sempre a mulher a dactilografar, resolveu arejar e conheceu Tessa Neele, uma mulher mais jovem que Agatha, e acabaram por se tornar amante. Em 1926, Agatha já tinha publicado seis romances, mas o marido estava cada vez mais enamorado dessa amiga do casal. Archibald Christie resolve então revelar tudo à mulher e pedir o divórcio. Que não lho concede. Este procedimento chocou a escritora, que sofreu ainda mais ao ter conhecimento que a mãe falecera, caindo em depressão e desespero. Foi então que Agatha Christie desapareceu, juntando um mistério pessoal e verídico à lista de mistérios ficcionados que envolvem a sua existência.
Em 1926, após uma média de um livro por ano, Agatha Christie escreveu a sua obra-prima. “O Assassinato de Roger Ackroyd” foi o primeiro dos seus livros a ser publicado pela editora Collins e marcou o início de um relacionamento autor-editor que durou 50 anos e 70 livros. “O Assassinato de Roger Ackroyd” também foi o primeiro dos livros de Agatha Christie a ser teatralizado – sob o nome de “Álibi” – e a fazer sucesso na West End de Londres. “A Ratoeira”, sua mais famosa peça, estreou em 1952 e é a obra teatral de maior duração em cartaz da história do teatro mundial. O mistério da longevidade de “The Mousetrap” ainda está por desvendar. Com mais de 50 anos em cartaz, um recorde absoluto de permanência em cena, comemorou um dos últimos aniversários com a presença, entre a assistência, de 332 actores que já tinham integrado o elenco, assim como a Rainha Isabel II, que também comemorou nesse dia o Jubileu de Ouro do seu reinado. Como é habitual, Lorde Richard Attemborough, de 78 anos (que na estreia assumiu o papel do sargento Trotte), subiu ao palco no final para pedir à assistência para não revelar aos seus amigos quem é o assassino.
Agatha Christie tornou-se “Dama na Ordem do Império Britânico” em 1971. Morreu em 1976 e desde então vários livros seus foram publicados postumamente. O romance “Um Crime Adormecido” apareceu mais tarde nesse mesmo ano, alcançando grande sucesso, seguido por sua auto-biografia e da colecção de pequenas histórias “Os Casos Finais de Miss Marple”, “Problem at Pollensa Bay” e “Enquanto Houver Luz”. Em 1998, “Café Preto” foi a primeira de suas peças a ser adaptada para o teatro por outro autor, Charles Osborne.
Voltemos a 1926 e a um dos grandes mistérios que envolve a escritora. Depois de abandonada por Archie, Agatha Christie parece enlouquecer, deixando a sua roupa interior e o carro pessoal junto de uma estrada e desaparece durante onze dias. Um médico certifica que sofreu de amnésia. Depois de muitas amarguras recupera o equilíbrio, sobretudo graças ao apoio dos seus amigos e a um tratamento psiquiátrico.
O desaparecimento da autora foi noticiado na época nos jornais e a tensão aumentou ao encontrarem seu carro com uma porta aberta à beira de um lago, sem nenhum bilhete ou qualquer indício que poderia indicar o paradeiro de Agatha. Chegou-se a pensar em rapto, assassinato e suicídio. A polícia tomou conta da ocorrência, realizou uma vasta busca para encontrá-la. Um maestro identificou uma foto com a autora num jornal e disse que a havia visto num hotel e que tinha mesmo cantado e dançado com sua orquestra. No hotel, estava registrada com o nome de Tessa Neele, a amante de seu ex-marido. Disseram que Agatha estava sofrendo de amnésia por esgotamento nervoso. Intensamente cercada pela imprensa, desenvolveu uma grande aversão aos jornalistas. Até hoje não se sabe ao certo por que ela fez aquilo, se foi uma atitude de desespero ou um simples golpe publicitário.
Numa digressão pelo Oriente, em Bagdad, conhece o arqueólogo Max Mallowan, mais novo que ela catorze anos, apaixonando-se mutuamente e acabam por casar.
Um de seus livros, intitulado "O Caso dos Dez Negrinhos" é um dos preferidos pelos leitores e causou muita polémica na época em que foi escrito devido ao título. Mesmo assim, é muito aclamado pela crítica e pelos leitores.

PRINCIPAIS OBRAS DE AGATHA CHRISTIE:
The Mysterious Affair at Styles (A Primeira Investigação de Poirot)1920; The Secret Adversary (O Adversário Secreto) 1922; Murder on the Links (Poirot, o Golfe e o Crime) 1923; The Man in the Brown Suit (O Homem do Fato Castanho) 1924; The Secret of Chimneys (O Segredo de Chimneys) 1925; The Murder of Roger Ackroyd (O Assassinato de Roger Ackroyd) 1926; The Big Four (As Quatro Potências do Mal) 1927; The Mystery of the Blue Train (O Mistério do Comboio Azul) 1928; Partners in Crime (colecção de 15 histórias) (O Homem que era o nº 16) 1929; The Seven Dials Mystery (O Mistério dos Sete Relógios) 1929; The Murder at the Vicarage (Encontro com um Assassino) 1930; The Mysterious Mr. Quin O Misterioso Sr. Quin O Misterioso Mr. Quin 1930; The Sittaford Mystery (O Mistério de Sittaford) 1931; Peril at End House (A Diabólica Casa Isolada) 1932; The Hound of Death (11 mistérios curtos) 1933; Lord Edgware Dies (A Morte de Lorde Edgware) 1933; The Thirteen Problems (13 mistérios curtos) (Os Treze Enigmas) 1933; Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente) 1934; Parker Pyne investigates (doze mistérios curtos) (Parker Pyne Investiga) 1934; The Listerdale Mystery (doze mistérios curtos) (O Mistério de Listerdale) 1934; Three Act Tragedy (Tragédia em Três Actos) 1935; Why Didn't They Ask Evans? (Perguntem a Evans) 1935; Death in the Clouds (Morte nas Nuvens) 1935; The A.B.C. Murders (Crimes do ABC) 1936; Murder in Mesopotamia (Assassínio na Mesopotâmia) 1936; Cards on the Table (Cartas na Mesa) 1936; Death on the Nile (Morte no Nilo) 1937; Dumb Witness Poirot (Poirot Perde uma Cliente) 1937; Appointment with Death (Morte entre as Ruínas) 1938; And Then There Were None (publicado originalmente em inglês como Ten Little Niggers) (Convite para a Morte) 1939; Murder is Easy (Matar é Fácil) 1939; The Regatta Mystery and Other Stories (Um acidente e outras histórias) 1939; Hercule Poirot's Christmas (O Natal de Poirot) 1939; Evil Under the Sun (As Férias de Poirot) 1941; N or M? (Tempo de Espionagem) 1941; One, Two, Buckle My Shoe (Os Crimes Patrióticos) 1941; The Body in the Library (Um Cadáver na Biblioteca) 1942; Five Little Pigs Poirot (Desvenda o Passado) 1942; The Moving Finger (O Enigma das Cartas Anónimas) 1942; Towards Zero (Contagem até Zero) 1944; Sparkling Cyanide (À Saúde da... Morte) 1944; Death Comes as the End (Morrer não é o Fim) 1945; The Hollow (Poirot, o Teatro e a Morte) 1946; The Labours of Hercules (doze pequenas histórias) (Os Trabalhos de Hércules) 1947; Taken at the Flood (Arrastado na Torrente 1948; Witness For The Prosecution and Other Stories (Testemunha da Acusação) 1948; Crooked House (A Última Razão do Crime) 1949; Three Blind Mice and Other Stories (Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias) 1950; A Murder is Announced (Participa-se um Crim) 1950; They Came to Baghdad (Encontro em Bagdade) 1951; Mrs McGinty's Dead (Poirot contra a Evidência) 1952; A Pocket Full of Rye (Centeio que Mata) 1953; After the Funeral (Os Abutres) 1953; Hickory Dickory Dock (Poirot e os Erros da Dactilógrafa) 1955; Destination Unknown (Destino Desconhecido) 1955; Dead Man's Folly (Poirot e o Jogo Macabro) 1956; 4.50 from Paddington (O Estranho Caso da Velha Curiosa) 1957; Ordeal by Innocence Cabo da Víbora) 1957; Cat Among the Pigeons (Poirot e as Jóias do Príncipe) 1959; The Adventure of the Christmas Pudding (A Aventura do Pudim de Natal) 1960;The Pale Horse (O Cavalo Pálido) 1961; The Mirror Crack'd from Side to Side (O Espelho Quebrado) 1962; The Clocks (Poirot e os 4 Relógios) 1963; A Caribbean Mystery (Mistério nas Caraíbas) 1964; At Bertram's Hotel (Mistério em Hotel de Luxo) 1965; Third Girl (Poirot e a Terceira Inquilina) 1966; Endless Night (Noite Sem Fim) 1967; By the Pricking of My Thumbs (Caminho para a Morte) 1968; Hallowe'en Party (Poirot e o Encontro Juvenil) 1969; Passenger to Frankfurt (Passageiro para Francoforte) 1970; Nemesis (Nemesis) 1971; Elephants Can Remember (Os Elefantes Não Esquecem) 1972; Postern of Fate (Morte pela Porta das Traseiras) 1973; Poirot's Early Cases (18 mistérios curtos) (Ninho de Vespas) 1974; Curtain Cai o Pano (O Último Caso de Poirot) 1975; Sleeping Murder (Crime Adormecido) 1976 (As datas referem o ano do lançamento editorial da versão original.) Site oficial: http://uk.agathachristie.com/site/home/

AGATHA CHRISTlE NO CINEMA
Muitas têm sido as versões cinematográficas de obras de Agatha Christie, uma das grandes escritoras do romance policial contemporâneo. Muitas mais as adaptações a televisão, com muitas e variadas séries. Aqui se dá nota de algumas das versões cinematográficas. 
Filmografia: 1931: Alibi (do romance “O Assassino de Roger Ackroyd”), de Leslie Hiscott (EUA), com Austin Trevor (Hercules Poirot); 1934: Lord Edgware Dies, de Henry Edward  (EUA), com Austin Trevor (Hercules Poirot); 1936: Lave irom a Stranger (do conto “Philomel Cottage”), de Rowland V. Lee  (EUA). com Basil Rathbone e Ann Harding; 1945: And Then There Were None, do romance “Then Little Indians”, de René Claire (EUA), com Walter Huston, Barry Fitzgerald, Louis- Hayward, Roland Young; 1947: Love from a Stranger, de Richard Whorf (GB), com John Hodiak e Sylvia Sidney; 1957: Witness For the Prosecution (Testemunha de Acusação), segundo romance com título original “The Hound of Dead”, de Billy Wilder (EUA), com Charles Laughton, Marlene Dietrich, Tyrone Power, Eisa Lanchaster; 1960: Spkier's We, de Godfrey Grayson (EUA), com Glynis Johns e John Justin; 1962: Murder She Said (O Estranho Caso da Velha Curiosa), de George Pollock, segundo novela “4.50 from Paddington” (GB), com Margareth Rutherford (Miss Marple), Charles Tingwell; 1963: Murder at the Gallop (A Velha Descobre o Crime), de George Pollock, segundo a novela “After the Funeral” (GB), com Margareth Rutherford (Miss Marple), Charles Tingwell; 1964: Murder Must Foul (A Velha Investiga), de George Pollock, (GB), com Margareth Rutherford (Miss Marple), Charles Tingwell; 1964: Murder Ahoy (O Regresso da Velha Curiosa), de George Pollock, (GB), com Margareth Rutherford (Miss Marple), Charles Tingwell; 1965: Ten Little Indians, de George Pollock, (GB), com Stanley Holloway, Wilfrid  Hyde White, Dennis Price, Leo Genn, Shirley Eaton, Hugh O'Brien, Daliahavi, Fabian, Mario Adolf; 1966: The ABC Murder (O Alfabeto do  Crime), de Frank Tashlin (GB), com  Tony Randall  (Hercules Poirot); 1971: Endless Night, de Sidney Gilliat (GB), com Hayley Mills, Hywell Bennett e Britt Ekland; 1975: And Then There Were None, segundo “Ten Little Indians”, de Petter Collinson (GB), com Oliver Reed, Richard Attenborough, Elke Sommer, Herbert Lom, Gert Froebe, Stephane Audran, Charles Aznavour, Adolfo Celi, Alberto de Mendonza e Maria Rohm; 1975: Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente) de Sidney Lumet (GB), com Albert Finney (Hercules Poirot). Ingrid Bergman, Lauren Bacall, Wendy Hiller, Sean Connery, Vanessa Redgrave, Michael York, Martin Balsam, Richard Windmark, Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Cassei, Rachel Roberts, John Gielgud, Anthony Perkins, Colin Blakely; 1978: Death on the Nilo (Morte no Nilo) de John Guillermin (GB). com Peter Ustinov (Hercules Poirot), Bette Davis, Jane Birkin, Lois Chiles, Mia Farrow, John Finch, Olivia Hussey, I. S. Johar, George Kennedy, Angela Lansbury, Simon Mac Corkindale, David Niven, Maggie Smith, Jack Warden; 1978: Agatha (O Mistério de Agatha), de Michael Apted, com Vanessa Redgrave (no papel de Agatha Christie), Austin Hoffman; 1980: The Mirror Crack (O Espelho Quebrado) de Guy Hamilton (GB). com  Angela Lansbury (Miss Marple), Geraldine Chaplin, Tony Curtis, Edward Fox, Rock Hudson, Kim Novak, Elisabeth Taylor; 1982: Evil Under the Sun (Morte ao Sol), de Jolin Brabourne (GB), com Peter Ustinov, Jane Birkin, James Mason, Roddy McDowall, Diana Rigg; 1984: Ordeal by Innocence (A Forca para Um Inocente) de Desmond Davis (GB), com Donald Sutherland, Sarah Miles, Christopher Plummer, Faye Dunaway, lan McShane; 1988: Appointment with Death (Morte Entre as Ruínas), de Michael Winner (GB), com Peter Ustinov, Lauren Bacall, Carrie Fisher; 2008: Le Crime est Notre Affaire (O Crime é a Nossa Profissão), de Pascal Thomas (Fr.), com Catherine Frot, André Dussollier, Claude Rich.

JOHN GUILLERMIN (1925 - )
Nasceu em Londres, Inglaterra, a 11 de Novembro de 1925, contando agora 88 anos. Estudou na universidade de Cambridge. Depois de ter passado pela Royal Air Force com 22 anos, inicia a sua carreira no cinema, em França, mas rapidamente passa a Hollywood, em 1950, onde aprende os métodos da grande produção. Torna-se um realizador de grande eficácia, muito procurado para filmes de orçamentos avultados, registando vários sucessos de bilheteira. Os seus filmes mais célebres são Tarzan's Greatest Adventure (1959), Tarzan Goes to India (1962), Waltz of the Toreadors (1962), The Blue Max (1966), The Bridge at Remagen (1969), The Towering Inferno (1974), King Kong (1976), Death on the Nile (1978), Sheena (1984) and King Kong Lives (1986). Casado com Maureen Connell (1956–?)

Filmografia
Como realizador: 1949: High Jinks in Society; 1950: Torment; 1951: The Smart Aleck; Two on the Tiles; Four Days; 1952: Miss Robin Hood; Song of Paris; 1953: Operation Diplomat; Strange Stories (episódio: The Strange Mr. Bartleby); Your Favourite Story (TV) (4 episódios: Strange Journey, Work of Art, The Strange Mr. Bartleby, An Eye for na Eye); 1954: The Crowded Day; Adventure in the Hopfields; 1955: Tormenta; 1956: Thunderstorm; 1956-1957: The Adventures of Aggie (TV) (15 episódios); 1957: Town on Trial (O Caso das Meias Assassinas); 1957-1958: Sailor of Fortune (TV) (13 episódios); 1958: Adventure in the Hopfields; The Whole Truth (Um Crime na Riviera); I Was Monty's Double; 1959: Tarzan's Greatest Adventure (A Maior Aventura de Tarzan); 1960: The Day They Robbed the Bank of England; Never Let Go (Sem Olhar para Trás); 1962: Waltz of the Toreadors (A Valsa do Galanteador); Tarzan Goes to India (Tarzan e os Elefantes); 1964: Guns at Batasi (Revolta em Batasi); 1965: Rapture; 1966: The Blue Max (Ambição de Glória); 1968: P.J. (Uma Nova Cara no Inferno); 1968: House of Cards (A Sombra de Um Homem); 1969: The Bridge at Remagen (A Ponte da Remagen); 1970: El Condor (O Tesouro de El Condor); 1972: Skyjacked (Piratas do Ar); 1973: Shaft in Africa (Shaft em África), 1974: The Towering Inferno (A Torre do Inferno); 1976: King Kong (King Kong); 1978: Death on the Nile (Morte no Nilo); Death on the Nile: Making of Featurette (curta-metragem,TV); 1980: Mr. Patman; 1984: Sheena (Sheena, a Rainha da Selva); 1986: King Kong Lives (King Kong Vive!); 1988: The Tracker (TV).

PETER USTINOV (1921 – 2004)
Peter Alexander Freiherr von Ustinov nasceu a 16 de Abril de 1921, em Swiss Cottage, Londres, Inglaterra, e faleceu a 28 de Março de 2004, em Genolier, Suíça, vítima de ataque cardíaco, provocado por diabetes. Gostava de afirmar-se descendente de russos, alemães, franceses, italianos e etíopes, e “sem uma única gota de sangue inglês”. Gabava-se das suas relações ancestrais com a nobreza russa e a família real da Etiópia. “Sou um cidadão internacional, concebido na Rússia, nascido em Inglaterra, trabalhando em Hollywood, vivendo na Suíça, e fazendo turismo por todo o mundo”, disse uma vez. Estuda na Westminster School de Londres, depois da qual passa para a London Theater School, com dezasseis anos. Em 1938, estreia-se como actor e, aos dezoito anos, dispunha já de considerável público, como actor cómico. Foi uma das personalidades mais carismáticas do mundo do espectáculo inglês, com participação brilhante no teatro, no cinema na televisão, como escritor, jornalista, declamador, etc. Escreveu, interpretou, encenou, produziu inúmeras peças de teatro nos mais célebres teatros ingleses e americanos. Foi duas vezes Oscar para Melhor Actor Secundário (“Spartacus” e “Topkapi”). Nomeado ainda por “Quo Vadis?” e “Hot Millions”, neste caso na qualidade de argumentista. Recebeu, em 1958, duas nomeações para os Tonys, como actor e argumentista da peça teatral, "Romanoff and Juliet". Mas toda a sua carreira foi coroada com centenas de prémios nos mais prestigiados festivais e instituições. Teve uma importante actividade como defensor dos direitos humanos, sendo membro de diversas instituições humanitárias, e pertencendo à International Academy of Humanism. Falava fluentemente inglês, russo, francês, alemão, espanhol e italiano. Casado com Isolde Denham (1940 - 1950), Suzanne Cloutier (1954 - 1971) e Helene du Lau d'Allemans (1972 - 2004).

Filmografia
Como actor: A) Cinema: 1940: Mein Kampf - My Crimes (documentário); 1941: New Acres (curta-metragem); 1942: The Goose Steps Out, de Basil Dearden; Let the People Sing; One of Our Aircraft Is Missing (Falta um dos Nossos Aviões), de Michael Powell; 1943: The New Lot (curta-metragem); 1944: The Way Ahead (7 de Infantaria), de Carol Reed; 1949: Private Angelo, de Michael Anderson; 1950: Odette, de Herbert Wilcox; 1951: Quo Vadis? (Quo Vadis?), de Mervyn LeRoy; Hotel Sahara (Hotel Sahará), de Ken Annakin; The Magic Box, de John Boulting; 1952: Le Plaisir (O Prazer), de Max Ophüls (narrador, da versão inglesa); La Bergère et le Ramoneur, de  Paul Grimault (narração, na versão inglesa); 1954: Beau Brummell (O Belo Brummell), de Curtis Bernhardt; The Egyptian (O Egipcio), de Michael Curtiz; 1955: We're no Angels (Veneno de Cobra), de Michael Curtiz; Lola Montès (Lola Montès), de Max Ophüls; 1956: I Girovaghi (Nós, os Homens), de Hugo Fregonese; The Legend of the Good Beasts (curta-metragem); 1957: Les Espions (Os Espiões), de Henri-Georges Clouzot; Un Àngel Pasó por Brooklyn (Um Anjo passou por Boklyn), de Ladislao Vajda; 1959: Adventures of Mr. Wonderbird, de Pierre Grimault (só voz); 1960: The Sundowners (Três Vidas Errantes), de Fred Zinnemann; 1960: Spartacus (Spartacus), de Stanley Kubrick; 1961: Romanoff and Juliet (Romanoff e Julieta), de Peter Ustinov; 1962: Billy Budd (A Lei do Mar), de Peter Ustinov; 1964: Topkapi (Topkapi), de Jules Dassin; 1965: Lady L (Lady L), de Peter Ustinov; 1965: John Goldfarb, Please Come Home (Um Americano no Harlem), de Jack Lee Thompson; 1965: The Peaches (Os Pêssegos) (curta-metragem); 1967: The Comedians (Os Comediantes), de Peter Glenville; 1968: Blackbeard’s Ghost (O Fantasma de Baba Negra), de Robert Stevenson; 1968: Hot Millions (Milhões Escaldantes), d'Eric Till; 1969: Viva Max (Viva Max), de Jerry Paris; 1971: Hammersmith Is out (A Engrenagem), de Peter Ustinov; 1973: Robin Hood (Robin dos Bosques), de Wolfgang Reitherman (voz); 1975: One of Our Dinosaurs Is Missing, de Robert Stevenson; 1976: Logan’s Run (Fuga no Século XXIII), de Michael Anderson; Treasure of Matecumbe (Tesouro de Matecumbe), de Vincent McEveety; 1977: The Last Remake of Beau Geste (A Mais Louca Aventura de Beau Geste) de Marty Feldman; 1977: Un Taxi Mauve (Um Táxi Cor de Malva), d'Yves Boisset; 1977: The Mouse and His Child, de Charles Swenson, Fred Wolf (voz); 1978: Death on the Nile (Morte no Nilo), de John Guillermin; 1978: Doppio Delitto, de Steno; Metamorphoses, de Takashi (voz); 1979: Ashanti (Ashanti), de Richard Fleischer; Tarka the Otte (O Reino de Tarka), de David Cobham (voz); Nous Maigrirons Ensemble (Dos Gordos é que Elas Gostam), de Michel Vocoret; 1981: Charlie Chan and the Curse of the Dragon Queen (Charlie Chan e a Maldição da Rainha), de Clive Donner; La Grande Aventure des Muppets (Os Marretas contra-atacam), de Jim Henson; 1981: The Search for Santa Claus de Stan Swan (curta-metragem); 1981: Grendel Grendel Grendel, de Alexander Stitt (voz); 1982: Evil Under the Sun (Morte ao Sol), de Guy Hamilton; Venezia, Carnevale - Un amore, de Mario Lanfranchi; 1984: Memed my Hawk, de Peter Ustinov; 1988: Appointment with Death (Morte Entre as Ruínas), de Michael Winner; 1989: La Révolution Française, de Robert Enrico e Richard T. Heffron (episódio "Les Années Lumière"); 1990: C'era un Castello con 40 Cani, de Duccio Tessari; 1992: Lorenzo's Oil (Acto de Amor), de George Miller; 1995: The Phoenix and the Magic Carpet, de Zoran Perisic (voz); 1998: Stiff Upper Lips (Uma Comédia Sobre Sexo e Outras Partes Marotas), de Gary Sinyor; 1999: The Bachelor (Noiva Procura-se), de Gary Sinyor; 2002: The Will to Resist, de James Newton; 2002: Luther, de Eric Till
B) na televisão: 1966: Hallmark Hall of Fame; 1970: Hallmark Hall of Fame; 1971: Hallmark Hall of Fame, todos de George Schaefer; 1973: Burt Bacharach: Opus No. 3, de Dwight Hemion; 1976: Kein Abend wie jeder andere, de Hermann Leitner; 1977: Jésus de Nazareth, de Franco Zeffirelli;1978: The Thief of Baghdad, de Clive Donner; 1980: Strumpet City; 1982: Wortwechsel; 1983: Imaginary Friends, de Michaël Darlow; 1984: Abgehört, de Rolf von Sydow; 1985: Thirteen at Dinner (A Noite de Lord Edgware), de Lou Antonio; 1986: Murder in Three Acts (Tragédia em Três Actos), de Gary Nelson; Dead Man's Folly (Poirot e o Jogo Macabro), de Clive Donner; 1989: Around the World in 80 Days, de Buzz Kulik; 1990: The Orchestra; 1993: Wings of the Red Star MIG Force; 1995: The Old Curiosity Shop, de Kevin Connor; 1999: Alice in Wonderland, de Nick Willis; 1999: Animal Farm; 2000: Deutschlandspiel, de Hans-Christoph Blumenberg; 2001: Victoria & Albert, de John Erman; 2002: Salem Witch Trials, de Joseph Sargent; 2003: Winter Solstice, de Martyn Friend.
C) como realizador: 1946: School for Secrets; 1948: Vice Versa; 1949: Private Angelo; 1958: Omnibus (TV) (1 episódio: Moment of Truth); 1961: Romanoff and Juliet; 1962: A Lei do Mar; 1965: Lady L; 1972: A Engrenagem;   1984: Memed My Hawk.
D) como escritor: 1960, “Add a dash of pity”, Romance; 1961, “The Loser”, Romance; 1966, “Frontiers of the sea”, Contos; 1971, “Krumnagel”, Contos; 1977, “Dear Me”, autobiografia; 1983, “My Russia”, Viagens; 1989, “The Desinformer”, Romance sobre a vida e a obra de Orson Welles; 1990, “The Old Man and M. Smith”, Romance; 1991, “Ustinov at Large”, reunião de escritos vários; 1993, “God and the state railways”, Contos.

DAVID NIVEN (1910-1983)
James David Graham Niven nasceu a 1 de Março de 1910, em Londres, Inglaterra, e viria a falecer a 29 de Julho de 1983, com 73 anos, em Château-d'Oex,  Suíça.  O pai era militar (que faleceu na Batalha de Galípoli em 1915) David Niven começou por pretender seguir a carreira militar.  Nos anos 1930, porém,  muda-se para Hollywood, e surge em variadíssimos filmes  como figurante. Contratado por Samuel Goldwin, aparece nalguns filmes protagonizados por Errol Flynn até que,  1939, ganha o estrelato ao lado de Ginger Rogers, em “Bachelor Mother”. Volta a Inglaterra, durante a II Guerra Mundial, integrando as forças militares. É  condecorado. De volta ao cinema, o filme “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, interpretando a figura de Phileas Fogg, torna-o celebre mundialmente. Ganha um Oscar, em 1958, como trabalho em  “Separate Tables” (uma presença de apenas 15 minutos, o que faz dele o actor com menor tempo de actuação a ganhar o Oscar de Melhor Actor). Interpretava o típico gentleman inglês, e surgiu em várias obras muito populares, como “Os Canhões de Navarone” (1961) ou  “A Pantera Cor-de-Rosa” (1963). Chegou a ser pensado para interpretar 007, mas acabaria por si viver essa personagem em “Casino Royale” (1967). Em 1971 lançou sua autobiografia “The Moon's a Balloon”, que teria uma sequência em 1975. Casou duas vezes, a primeira com Priula Rollo, casamento que acabaria com a morte da esposa, depois de uma queda durante uma festa na casa de Tyrone Power. Casou-se anos depois com a modelo sueca Hjordis Tersdemen.
Faleceu em seu castelo suíço, vítima de Esclerose Lateral Amiotrófica, deixando incompleto um novo volume de memórias. Encontra-se sepultado no Chateau D'Oex Cemetery, Chateau D'Oex, Vaud, Suíça. Para lá do Oscar, ganhou ainda diversos outros prémios, entre os quais dois Globos de Ouro, um 1958, também com “Separate Tables”, e outro em 1953, com “The Moon is Blue”.

Filmografia
Como actor:
1932: There Goes the Bride, de Albert de Courville; 1933: Eyes of Fate, de Ivar Campbell; 1934: Cleopatra (Cleópatra) de Cecil B. DeMille; 1935: Barbary Coast (Cidade Sem Lei) de Howard Hawks; Splendor (O Preço de um Triunfo), de Elliott Nugent; Without Regret, de Harold Young; Mutiny on the Bounty (Revolta na Bounty), de Frank Lloyd (não creditado); 1936: Rose-Marie (Rose Marie), de W.S. Van Dyke; Dodsworth (Veneno Europeu), de William Wyler; The Charge of the Light Brigade (A Carga da Brigada Ligeira), de Michael Curtiz; Beloved Enemy (O Amor Nasceu do Ódio),  de H.C. Potter; Palm Springs, de Aubrey Scotto; Thank You, Jeeves!, de  Arthur Greville Collins; 1937: The Prisoner of Zenda (O Prisioneiro do Castelo de Zenda) de John Cromwell; Dinner at the Ritz (Jantar no Ritz) de Harold D. Schuster; We Have Our Moments (Um Ladrão a Bordo), de Alfred L. Werker; 1938: Bluebeard's Eighth Wife (A Oitava Mulher do Barba Azul), d'Ernst Lubitsch; 1938: Four Men and a Prayer (O Juramento dos Quatro), de John Ford; 1938: Three Blind Mice (Precisam-se Três Maridos) de William A. Seiter; The Dawn Patrol (A Patrulha da Alvorada), de Edmund Goulding; 1939: Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais), de William Wyler; Bachelor mother (Mãezinha à Força) de Garson Kanin; The Real Glory (A Verdadeira Glória) de Henry Hathaway; Eternally Yours (Fabricante de Mulheres), de Tay Garnett; Raffles, de Sam Wood; 1942: The First of the Few (Spitfire, o 1º Entre Poucos), de Leslie Howard; 1944: The Way Ahead (7 de Infantaria) de Carol Reed; 1946: Magnificent Doll (No Limiar da Glória), de Frank Borzage; A Matter of Life and Death (Caso de Vida ou Morte), de Michael Powell; The Perfect Marriage (O Casamento Perfeito), de Lewis Allen; 1947: The Other Love (A Orquídea Branca), de André De Toth; 1947: The Bishop's Wife (O Mensageiro do Céu), de Henry Koster; 1948: Bonnie Prince Charlie (Aventuras do Príncipe Charlie),, de Anthony Kimmins; Enchantment (Encantamento), de Irving Reis; 1949: A Kiss in the Dark (Um Beijo no Escuro), de Delmer Daves; 1949: A Kiss for Corliss (Consequências de um Beijo), de Richard Wallace; 1950: The Toast of New Orleans (Nas Redes do Amor), de Norman Taurog; Nash Airflyte Theatre (TV); The Elusive Pimpernel (O Libertador) de Michael Powell e Emeric Pressburger; 1951: Happy Go Lovely (Horas de Sonho), de H. Bruce Humberstone; Soldiers Three (Três Grandes Amigos), de Tay Garnett; Appointment with Venus (Entrevista com Venus), de Ralph Thomas; Schlitz Playhouse of Stars (TV); 1952: The Lady Says No, de Frank Ross; Four Star Revue (TV), Robert Montgomery Presents (TV), Celanese Theatre (TV), Chesterfield Presents (TV); 1952-1953: Hollywood Opening Night (TV); 1952-1956: Four Star Playhouse (TV); 1953: The Moon Is Blue (Ingénua... Até Certo Ponto), de Otto Preminger; 1954: The Love Lottery (A Lotaria do Amor), de Charles Crichton; Happy Ever After (Para Sempre Felizes), de Mario Zampi; 1955: Carrington V.C., de Anthony Asquith; The King's Thief (O Ladrão do Rei), de Robert Z. Leonard; 1956: The Birds and the Bees (O Tímido e a Vigarista), de Norman Taurog; The Star and the Story (TV); Around the World in Eighty Days (A Volta ao Mundo em Oitenta Dias), de Michael Anderson; 1957: Oh, Men ! Oh, Women ! (Os Noivos da Minha Mulher), de Nunnally Johnson; The Return of Phileas Fog (curta-metragem); The Little Hut (Dois Amores e uma Cabana), de Mark Robson; My Man Godfrey (Irene e o Mordomo), de Henry Koster; The Silken Affair (Romance Proibido), de Roy Kellino; Mr. Adams and Eve (TV); 1957-1958: Zane Grey Theater (TV); Goodyear Theatre (TV); Alcoa Theatre (TV); 1958: Bonjour Tristesse (Bom Dia, Tristeza), de Otto Preminger; Separate Tables (Vidas Separadas), de Delbert Mann; 1959: Ask Any Girl (O Que Elas Querem é Casar), de Charles Walters; Happy Anniversary (Feliz Aniversário), de David Miller; The David Niven Show (TV);  1960: Please Don't Eat the Daisies (Por Favor Não Comam os Malmequeres), de Charles Walters; The DuPont Show with June Allyson (TV) 1961: I Due Nemici, de Guy Hamilton; The Guns of Navarone (Os Canhões de Navarone), de J. Lee Thom;pson; 1962: La Città prigioniera, de Joseph Anthony; The Best of Enemies (O Melhor dos Inimigos), de Guy Hamilton; The Road to Hong Kong (A Caminho de Hong Kong), de Norman Panama; Guns of Darkness (Armas na sombra), de Anthony Asquith; 1963: 55 Days at Peking (55 Dias em Pequim), de Nicholas Ray; The Pink Panther (A Pantera Cor-de-Rosa), de Blake Edwards; Burke's Law (TV); Il Giorno più Corto, de Sergio Corbucci (presença não confirmada); 1964: Bedtime Story (Os Sedutores), de Ralph Levy; 1964-1965: The Rogues (TV); 1965: Where the Spies Are (Passaporte para o Desconhecido), de Val Guest; Lady L (Lady L), de Peter Ustinov; 1966: Eye of the Devil, de J. Lee Thompson; 1967: Casino Royale (Casino Royale), de Val Guest, Ken Hughes, John Huston, Joseph McGrath e Robert Parrish; 1968: Prudence and the Pill (Sarilhos Conjugais), de Fielder Cook e Ronald Neame; The Impossible Years (A Minha Filha é Um Problema), de Michael Gordon; 1969: The Extraordinary Seaman (O Marinheiro Fantástico), de John Frankenheimer; 1969: Le Cerveau (O Cérebro), de Gérard Oury; 1969: Before Winter Comes (Antes do Inverno chegar), de J. Lee Thompson; 1971: The Statue (A Estátua), de Rod Amateau; 1972: King, Queen, Knave, de Jerzy Skolimowski; 1974: Vampira, de Clive Donner; Canterville Ghosts (TV), de Robin Miller; 1975: Paper Tiger, de Ken Annakin; The Canterville Ghost (TV); The Remarkable Rocket (curta-metragem); 1976: No Deposit, No Return (As Aventuras de Dois Jovens), de Norman Tokar; 1976: Murder by Death (Um Cadáver de Sobremesa), de Robert Moore; 1977: Candleshoe (O Tesouro do Castelo), de Norman Tokar; 1978: Death on the Nile (Morte no Nilo), de John Guillermin; 1979: A Nightingale Sang in Berkeley Square, de Ralph Thomas; Escape to Athena (Fuga para Atenas), de George Cosmatos; A Man Called Intrepid (TV); 1980: Rough Cut (Ladrão por Excelência), de Don Siegel; The Sea Wolves: The Last Charge of the Calcutta Light Horse (Os Comandos de Sua Majestade), de Andrew V. McLaglen; 1982: Better Late Than Never (Mais Vale Tarde do Que Nunca), de Bryan Forbes; Trail of the Pink Panther (Na Pista da Pantera), de Blake Edwards; 1983: Curse of the Pink Panther (A Maldição da Pantera), de Blake Edwards.

Como realizador: 1958-1960: Zane Grey Theater (TV) (2 episódios: The Vaunted (1958) e Wayfarers (1960).

SESSÃO 38: 19 DE AGOSTO DE 2014


MONTY PYTHON E O CÁLICE SAGRADO (1975)

“Monty Python” foi um grupo de humoristas britânicos que surgiu mesmo no final da década de 60, inicialmente na televisão, através de uma série que ficaria lendária, “Monty Python's Flying Circus” (o programa de estreia foi para o ar a 5 de Outubro de 1969). O sucesso foi fulminante, o grupo diversificou a sua actividade pelo teatro, o cinema, a rádio, a imprensa, a literatura, os jogos de computador, etc. Eram seis os seus elementos, Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin, os cinco iniciais, todos ingleses, a que se juntou Terry Gilliam, americano, vindo da revista “Mad”. Todos escreviam e interpretavam as obras em que intervinham. O seu estilo de humor não passou despercebido, e tornaram-se uma fonte de inspiração para humoristas de todo o mundo, desde os EUA até Portugal. Eram anárquicos e caóticos, entre o surrealismo e o non sense. O grupo esteve unido durante bastantes anos (fecharam a porta em 1983), depois cada um deles seguiu a sua carreira isolada, mantendo, no entanto, muitas das características que definiram o grupo. Todos excepto Graham Chapman, que morreu em 1989, com 48 anos. Agora anuncia-se o regresso do grupo para um espectáculo no “O2 arena” de Londres, em Julho de 2014. Quando foi anunciado o evento, os bilhetes esgotaram em 43 segundos!
O seu primeiro filme de fundo para cinema foi “Monty Python and the Holy Grail” (Monty Python and the Holy Grail), de 1974, que teve a assinar a sua realização Terry Gilliam e Terry Jones, aqueles que maior propensão tinham para o cargo. O seu sucesso em Inglaterra e no mundo era já imenso, mas tiveram dificuldades para impor o projecto, apesar de o orçamento ser mínimo para o tipo de filme que era. Mas o seu humor iconoclasta e politicamente incorrecto lançava o pânico entre os produtores mais conservadores. Para que este título fosse concretizado, foram alguns fãs, célebres (e milionários), do grupo que se empenhassem na tarefa, entrando com apoios consideráveis. Entre eles, citam-se os Pink Floyd e Led Zeppelin. Apesar do triunfo do filme nas salas de todo o mundo, o seguinte, ainda mais “politicamente incorrecto” (“A Vida de Brian”) só foi possível porque George Harrison, dos Beatles, adiantou do seu bolso cinco milhões de dólares para comprar bilhete para a estreia. Na verdade, explicou o gesto com uma frase que ficou para sempre: “financiei, porque eu quero ver esse filme".


O filme é um verdadeiro quebra-cabeças para um espectador mais convencional. Troca-lhe as voltas a todo o momento e tudo quanto possa esperar ver acontecer de mais realista não acontece. Inicia-se logo de forma surpreendente, com legendas em sueco. 
Inglaterra, 932 DC. A história deste filme, onde os cavaleiros cavalgam sem cavalo (uma das contingências do reduzido orçamento e da muita imaginação do grupo), fala do Rei Arthur dos Bretões (Graham Chapman), que inicia uma viagem, acompanhado pelo seu fiel escudeiro Patsy (Terry Gilliam) procurando bravos cavaleiros que desejassem juntar-se a ele na corte lendária de Camelot. Pelo meio aparece um Cavaleiro Negro (John Cleese) que, apesar de ficar sem braços nem pernas, continua a pelejar. O Rei Arthur, cavalgando ao som de cocos que imitam o trote dos cavalos, passa por terras onde as carroças apanham “os mortos do dia” ou onde os monges batem com tábuas na cabeça à medida que caminham, fala com Deus sobre a melhor forma de encontrar o Santo Graal, avizinha-se de um castelo em posse dos franceses, que o insultam das formas mais estranhas e lhe arremessam com vacas pelo ar, tenta penetrar no castelo através da engenhosa construção de um coelho de madeira (subterfúgio que foram herdar de Tróia, com a diferença de se esquecerem de colocar os soldados lá dentro), cruzam-se com os cavaleiros do Ni, mas lá consegue cativar o inteligente Sir Bedevere (Terry Jones), o bravo Sir Lancelot (John Cleese), o casto Sir Galahad (Michael Palin), e Sir Robin (Eric Idle), todos a responderem à chamada divina que lhes pedia que fossem em demanda do Santo Graal. Assim fica explicada a gesta dos Cavaleiros da Távola Redonda, segundo a óptica dos “Monty Python”.
O filme utilizou como cenário o célebre castelo de Doune, na Escócia, e vive efectivamente de um desconcertante humor, que mescla tempos históricos (aparece um historiador e a polícia do século XX a tentar investigar o seu assassinato), histórias diversas, integra a animação e as colagens no interior da história, cria intervalos e acaba com um final que parece anunciar a falta de libras para acabar a empreitada. Os actores são magníficos, os gags de uma invenção que não tem equivalente e o arrojo do projecto só será igualado por outras obras dos mesmos Monty Python, como “A Vida de Brian” ou “O Sentido da Vida”.  


MONTY PYTHON E O CÁLICE SAGRADO
Título original: Monty Python and the Holy Grail
Realização: Terry Gilliam, Terry Jones (Inglaterra, 1975);  Argumento: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones, Michael Palin; Produção: Mark Forstater, John Goldstone, Michael White; Fotografia (cor):  Terry Bedford; Montagem: John Hackney; Design de produção: Roy Forge Smith; Guarda-roupa:  Hazel Pethig; Maquilhagem: Pam Luke, Pearl Rashbass; Direcção de Produção: Julian Doyle; Assistentes de realização: Gerry Harrison; Departamento de arte: Graham Bullock, Bob Devine, Bill Harman, Tom Raeburn; Som: Philip Chubb, Ian Crafford, Garth Marshall, Hugh Strain; Efeitos especiais: Valerie Charlton, John Horton; Efeitos visuais: Julian Doyle; Animação: Terry Gilliam; Companhias de produção: Michael White Productions, National Film Trustee Company, Python (Monty) Pictures, Twickenham Studios; Intérpretes: Graham Chapman (Rei Artur / Deus / Cabeça do meio), John Cleese (Cavaleiro Negro / Sir Lancelot, o Bravo / Tim), Eric Idle (Sir Robin, o Não-tão-bravo-quanto-Sir Lancelot / Concorde / Irmão Maynard / Roger the Shrubber), Terry Gilliam (Patsy / cavaleiro verde / Sir Bors), Terry Jones (Sir Bedevere / Príncipe Herbert (voz), Michael Palin (Dennis / Sir Galahad o Puro / Narrador / Rei do Castelo no Pântano / Irmão do Irmão Mynard / chefe dos cavaleiros que falam Ni!), Connie Booth, Carol Cleveland, Neil Innes,  Bee Duffell, John Young, Rita Davies, Avril Stewart, Sally Kinghorn, Mark Zycon, Elspeth Cameron, Mitsuko Forstater, Sandy Johnson, Sandy Rose, Romilly Squire, Joni Flynn, Alison Walker, Loraine Ward, Anna Lanski, Sally Coombe, Vivienne MacDonald, Yvonne Dick, Daphne Darling, Fiona Gordon, Gloria Graham, Judy Lamb, Tracy Sneddon, Sylvia Taylor, Joyce Pollner, Mary Allen, Julian Doyle, Margarita Doyle, Charles Knode, Zack Matalon, William Palin, Tom Raeburn, Roy Forge Smith, Maggie Weston, etc. Duração: 91 minutos; Distribuição em Portugal: Big Picture; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 27 de Outubro de 1978. 
MONTY PYTHON 
“Monty Python” foi um grupo de humoristas britânicos que surgiu mesmo no final da década de 60, inicialmente na televisão, através de uma série que ficaria lendária, “Monty Python's Flying Circus” (o programa de estreia foi para o ar na BBC a 5 de Outubro de 1969 e agrupou 45 episódios divididos em 4 temporadas). O sucesso foi fulminante o grupo diversificou a sua actividade pelo teatro, o cinema, a rádio, a imprensa, a literatura, os jogos de computador, etc. Eram seis os seus elementos, Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin, os cinco iniciais, todos ingleses, a que se juntou Terry Gilliam, americano, vindo da revista “Mad”. Todos escreviam e interpretavam as obras em que intervinham. O seu estilo de humor não passou despercebido, e tornaram-se uma fonte de inspiração para humoristas de todo o mundo, desde os EUA até Portugal. Eram anárquicos e caóticos, entre o surrealismo e o non sense.
O grupo esteve unido durante bastantes anos (fecharam a porta em 1983), depois cada um deles seguiu a sua carreira isolada, mantendo, no entanto, muitas das características que definiram o grupo. Todos excepto Graham Chapman que morreu em 1989, com 48 anos. Agora anuncia-se o regresso do grupo para um espectáculo no “O2 arena” de Londres, em Julho de 2014. Quando foi anunciado o evento, os bilhetes esgotaram em 43 segundos!
Nos Estados Unidos vários programas lhe devem influência, como “Late Night with Conan O'Brien” ou “Saturday Night Live”, “South Park”, “Adult Swim”, entre muitos outros que assumem o surrealismo e o absurdo. Em Portugal, Herman José ou os Gato Fedorento contam-se entre os admiradores dos Monty Python.
Num documentário, “Live at Aspen” (1998), o grupo revelou como escolheu o nome: Monty surgiu como tributo a Lord Montgomery, um lendário general britânico da II Guerra Mundial, e Python apareceu como palavra que soasse evasiva e divertida. Em 2005, num inquérito do Channel 4 para escolher “O Comediante dos Comediantes”, três dos seis actores dos Monty Python foram incluídos entre os 50 maiores humoristas. Michael Palin ficou em trigésimo, Eric Idle em vigésimo-primeiro e John Cleese em segundo lugar, sendo superado apenas por Peter Cook.
A actividade do grupo ficou registada em


TELEVISÃO
Monty Python's Flying Circus (1969–1974)
Monty Python's Fliegender Zirkus (1972)
Monty Python's Personal Best (2006)

CINEMA
And Now for Something Completely Different (E Agora Para Algo Completamente Diferente) (1971)
Monty Python and the Holy Grail (Monty Python e o Cálice Sagrado) (1975)
Monty Python Meets Beyond the Fringe (1976)
Monty Python, The Life of Brian (A Vida de Brian) (1979)
Monty Python Live at the Hollywood Bowl (Monty Python Ao Vivo no Hollywood Bowl) (1982)
Monty Python, The Meaning of Life (O Sentido da Vida) (1983)
Não são do grupo, embora sejam atribuídos, e participem do espírito:
Jabberwocky (1977)
Erik, the Viking (Erik, O Viking) (1989)

ÁLBUNS
Monty Python's Flying Circus (1970)
Another Monty Python Record (1971)
Monty Python's Previous Record (1972)
The Monty Python Matching Tie and Handkerchief (1973)
Monty Python Live at Drury Lane (1974)
The Album of the Soundtrack of the Trailer of the Film of Monty Python and the Holy Grail (1975)
Monty Python Live at City Center (1976)
The Monty Python Instant Record Collection (1977)
Monty Python's Life of Brian (1979)
Monty Python's Contractual Obligation Album (1980)
Monty Python's Meaning of Life (1983)
Monty Python's The Final Rip Off (1988)
Monty Python Sings (1989)
The Ultimate Monty Python Rip Off (1994)
The Instant Monty Python CD Collection (1994)
Monty Python's Spamalot (Músicas da versão da Broadway do filme “Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado” com Tim Curry a interpretar Rei Arthur) (2005)
The Hastily Cobbled Together Album (nunca lançado, ao que consta)

TEATRO
Monty Python's Spamalot - Musical inspirado no filme Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado.
Monty Python's Flying Circus - A primeira e única versão autorizada do programa de TV, apesar de ser apresentada em francês.
Monty Python Alive – o regresso marcado para Julho de 2014.

MONTY PYTHON Os membros do grupo

GRAHAM CHAPMAN (1941-1989)
Nasceu a 8 de Janeiro de 1941, em Melton Mowbray, Leicester, Inglaterra. Estudou medicina em Cambridge. Ficou célebre, sobretudo, como argumentista, e como actor sobretudo por duas das suas criações em cinema, o Rei Artur, em “Monty Python e o Cálice Sagrado”, e Brian Cohen, em “A Vida de Brian”. Gay e dependente do álcool, morre vítima de cancro na garganta, a 4 de Outubro 1989. No elogio fúnebre, Michel Palin disse: “Graham Chapman está entre nós neste momento. Se não estiver neste momento, estará dentro de vinte e cinco minutos”. 
Principais filmes como actor: 1969: The Magic Christian (Um Beatle no Paraíso), de Joseph McGrath; 1970: The Rise and Rise of Michael Rimmer, de Kevin Billington; 1971: The Statue (A Estátua), de Rod Amateau ; 1972: And Now for Something Completely Different (Os Gloriosos Malucos à Solta), de Ian MacNaughton; 1975: Monty Python and the Holy Grail (Monty Python e o Cálice Sagrado), de Terry Gilliam e Terry Jones; 1978: The Odd Job, de Peter Medak; 1979: Life of Brian (A Vida de Brian), de Terry Jones; 1983: Monty Python Live at the Hollywood Bowl, de Terry Hughes e Ian MacNaughton; Monty Python's the Meaning of Life), de Terry Gilliam e Terry Jones; Yellowbeard (As Loucas Aventuras de Barba Amarela, o Pirata), de Mel Damski; 1989: Stage Fright, de Brad Mays.

JOHN CLEESE (1939 - )
Nasceu a 27 de Outubro de 1939, em Weston-super-Mare, North Somerset, Inglaterra. O nome de família era Cheese, mas o pai mudou-o para Cleese quando esteve a tropa. Cleese estudou no colégio de Clifton, em Bristol, onde apareceu nalguns espectáculos. Passou pela universidade de Cambridge para estudar Direito, onde encontrou Graham Chapman. Eram os autores de grande parte dos argumentos do grupo. Fora dos Monty Python ficou célebre pela criação de Basil Fawlty, em “Fawlty Towers”.
John Cleese participou em dezenas de filmes. Ficam aqui apenas alguns títulos: 1968: The Bliss of Mrs. Blossom (A Felicidade da Senhora Blossom), de Joseph McGrath; 1969: The Best House in London de Philip Saville; 1969: The Magic Christian (Um Beatle no Paraíso), de Joseph McGrath; 1975: Monty Python and the Holy Grail (Monty Python e o Cálice Sagrado), de Terry Jones e Terry Gilliam; 1977: The Strange Case of the End of Civilization as We Know It, de Joseph McGrathes; 1979: Monty Python, The Life of Brian (Monty Python, A Vida de Brian), de Terry Jones; 1981: Time Bandits (Os Ladrões do Tempo), de Terry Gilliam; 1983: Monty Python: The Meaning of Life (Monty Python, O Sentido da Vida), de Terry Jones e Terry Gilliam; 1985: Silverado (Silverado), de Lawrence Kasdan; 1986: Clockwise (Pontualmente Atrasado), de Christopher Morahan; 1988: A Fish Called Wanda (Um Peixe Chamado Wanda), de Charles Crichton; 1989: Erik The Viking, de Terry Jones; 1994: Frankenstein (Frankenstein de Mary Shelley), de Kenneth Branagh; 1996: Fierce Creatures (Creaturas Ferozes), de Fred Schepisi e Robert Young; 1996: The Wind in the Willows; 1999: The World Is Not Enough (007 - O Mundo Não Chega), de Michael Apted; 2001: Rat Race (Está Tudo Louco!), de Jerry Zucker; 2001: Harry Potter and the Sorcerer's Stone (Harry Potter e a Pedra Filosofal), de Chris Columbus; 2002: Harry Potter and the Chamber of Secrets (Harry Potter e a Câmara dos Segredos), de Chris Columbus; 2002: Die Another Day (007 - Morre Noutro Dia), de Lee Tamahori; 2004: Shrek 2 (Shrek 2),  de Andrew Adamson, Kelly Asbury (voz); 2004: Around the World in 80 Days (A Volta ao Mundo em 80 Dias), de Frank Coraci; 2007: Shrek, the Third (Shrek, 3) de Chris Miller e Raman Hui (voz); 2008: The Day the Earth Stood Still (O Dia em que a Tera Parou), de Scott Derrickson; 2009: The Pink Panther 2 (A Pantera Cor-de-Rosa, 2), de Harald Zwart; 2010: Shrek Forever After (Shrek para Sempre), de Mike Mitchell (voz); 2010: Spud 2: The Madness Continues, de Donovan Marsh; 2013: Spud 2: The Madness Continues, de Donovan Marsh.

TERRY GILLIAM (1940 - )
Nasceu em Minneapolis, Minnesota, EUA, a 22 de Novembro de 1940. Foi o único Monty Python não inglês (naturalizou-se depois). Trabalha sob a orientação de Harvey Kurtzman na revista "Mad" como cartoonista, depois na "Help". Viaja até França e instala-se na revista "Pilote". Passa a Inglaterra, colabora como gráfico em “Do Not Adjust Your Set” e depois no “The Flying Circus”, associando-se aos Monty Python. 
Principais filmes com realizador: 1975: Monty Python and the holy Grail (Monty Python e o Cálice Sagrado), com Terry Jones; 1977: Jabberwocky (Aventuras em Terras do Rei Bruno, o Discutível); 1981: Time Bandits (Os Ladrões do Tempo); 1983: Monty Python: The Meanig of Life (O Sentido da Vida); 1985: Brazil (Brazil: O Outro Lado do Sonho); 1988: The Adventures of Baron Munchausen (A Fantástica Aventura do Barão); 1991: The Fisher King (O Rei Pescador); 1995: Twelve Monkeys (12 Macacos); 1998: Fear and Loathing in Las Vegas (Delírio em Las Vegas); 2005: The Brothers Grimm (Os Irmãos Grimm); 2006: Tideland (Tideland - O Mundo ao Contrário); 2009: The Imaginarium of Doctor Parnassus (Parnassus - O Homem Que Queria Enganar o Diabo); 2013: The Zero Theorem (O Teorema Zero); 2014: The Man Who Killed Don Quixote (em pós-produção).
Filmografia (parcial) como actor: 1975: Monty Python and the Holy Grail (Monty Python e o Cálice Sagrado), de Terry Gilliam e Terry Jones; 1977: Jabberwocky (Aventuras em Terras do Rei Bruno, o Discutível); 1981: Time Bandits (Os Ladrões do Tempo); 1983: Monty Python: The Meanig of Life (O Sentido da Vida), de Terry Jones; 1985: Brazil (Brasil: O Outro Lado do Sonho); 1988: The Adventures of Baron Munchausen (A Fantástica Aventura do Barão); 1985: Cinématon no 601, de Gérard Courant; 1985: Spies Like Us (Espiões Como Nós), de John Landis; 1988: The Adventures of Baron Munchausen (A Fantástica Aventura do Barão); 2002: Lost in la Mancha, de Keith Fulton e Louis Pepe, documentário; 2006: Enfermés Dehors, de Albert Dupontel; 2012: A Liar's Autobiography: The Untrue Story of Monty Python's Graham Chapman; 2013: Neuf Mois Ferme (Gravidez de... Alto Risco), de Albert Dupontel; 2015: Jupiter Ascending (A Ascenção de Jupiter), de Lana e Andy Wachowski

ERIC IDLE (1943)
Nasceu a 29 de Março de 1943, em South Shields, Tyne and Wear, Inglaterra. Desde o seu aparecimento, os Monty Python formaram duplas de escrita, Cleese e Chapman, Jones e Palin, e dois isolados, Gilliam, que se ocupava mais da animação e da realização, e Idle, que ficou satisfeito por trabalhar a solo, sobretudo em gags de estrutura linguística. Colega mais novo de Cleese e Chapman na universidade de Cambridge, após o fim dos Python arrancou para uma carreira a solo, em séries como “Rutland Weekend Television” ou “The Rutles”, com aparições curtas em diversos filmes (“South Park”, 102 Dalmatians), ou séries como “The Simpson”. Em 2005 conta com um grande sucesso, “Spamalot”, paródia sobre o Santo Graal, e prepara agora numa adaptação a musical de “A Vida de Brian”. Como actor aparece obviamente em todos os filmes dos Monthy Pithon.

TERRY JONES (1942 - )
Nasceu a 1 de Fevereiro de 1942, em Colwyn Bay, no norte do país de Gales. Um dos mais entusiásticos e influentes elementos do grupo, sobretudo para manter a sua coesão. Argumentista, actor e realizador, Terry Jones apresentou na BBC uma série de documentários históricos, “Terry Jones' Medieval Lives” (2005), a que se seguiu “Barbarians” (2006). Escreveu no “The Guardian” uma crónica semanal demolidora para a política de Tony Blair. Ultimamente virou-se para o teatro musical e, no início de 2008, em colaboração com Luís Tinoco, estreou em Portugal, “Evil Machines”, uma espécie de ópera baseada no seu livro com o mesmo nome.
Filmografia como realizador: 1975: Monty Python and the Holy Grail, com Terry Gilliam; 1979: Monty Python's Life of Brian; 1983: Monty Python's The Meaning of Life; 1987: Personal Services; 1989: Erik the Viking; 1996: The Wind in the Willows.



MICHAEL PALIN (1943 - )

Nasceu a 5 de Maio de 1943, em Sheffield, South Yorkshire, Inglaterra. Estudou em Oxford onde encontra Jones, com quem passa a fazer parelha na escrita. Depois da sua colaboração com os Monty Python, Palin tornou-se conhecido através de inúmeros documentários de viagens realizados para a BBC, nomeadamente a série “Pole to Pole” e “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, seguindo a rota de Phileas Fogg no romance de Júlio Verne.