segunda-feira, 2 de junho de 2014

SESSÃO 22: 24 DE JUNHO DE 2014


007, AGENTE SECRETO (1962)

Com “007, Agente Secreto” inicia-se a adaptação ao cinema de forma sistemática das obras de Ian Fleming que tinham como herói James Bond, espião com “ordem para matar”, ao “serviço de Sua Majestade” britânica e dos Serviços Secretos daquele país. Estas obras foram produzidas nos primeiros anos por Harry Saltzman e Albert Broccoli, detentores dos direitos cinematográficos de quase toda a obra já escrita por Ian Fleming e donos da produtora EON (Everything or Nothing). Em 1975, Saltzman abandonou a franquia. Desde 1995, os filmes são produzidos pela filha de Albert, Barbara Broccoli, e seu meio-irmão, Michael G. Wilson. Estes são considerados os filmes oficiais de James Bond.
Para recriar no cinema a personagem foi escolhido inicialmente Sean Connery (1962–1967;1971), George Lazenby (1969), Roger Moore (1973–1985), Timothy Dalton (1987–1989), Pierce Brosnan (1995–2002) e Daniel Craig (2006 até ao presente).
Vários cineastas têm acompanhado e dado forma à gesta: Terence Young, Guy Hamilton, Lewis Gilbert, Peter R. Hunt, John Glen, Martin Campbell, Roger Spottiswoode, Michael Apted, de Lee Tamahori,  Marc Forster, Sam Mendes, este último a preparar nova incursão para 2015.  


Com “Dr. No”, rodado em 1962, principia a série, que rapidamente se iria impor como uma das de maior sucesso de toda a história do cinema. O actor escocês Sean Connery, até então relativamente desconhecido, seria rapidamente catapultado para o estrelato, transformando-se num ícone dos anos 1960, ao lado dos Beatles. O filme, produzido com um orçamento de um milhão de dólares, fez records de bilheteira em todo o mundo, criou uma nova histeria internacional: a Bondmania. Entre os factores que contribuíram para o sucesso desta série,
além do carisma e do charme de seu personagem principal, têm sido sem dúvida os estridentes vilões, os gadgets de alta tecnologia, sofisticados e letais, as espampanantes  e sensuais bond-girls, e ainda os temas musicais, interpretados por famosas cantoras.
Na verdade, todos os filmes denotam uma grande imaginação, aliada a um humor inteligente, uma ironia inteligente e distanciadora, tudo isto à mistura com uma acção frenética e uma hábil dosagem de ritmo, romance, cenários naturais exóticos e fantásticos decors de estúdio. Vilões enigmáticos, saídos da banda desenhada e dos antigos serials, conotações com a realidade política do momento, referência à tecnologia em moda na altura são outros tantos elementos a considerar, ainda que o fulcro de todo o sucesso se centre na própria figura de Bond, homem cheio de expedientes, de experiência, hábil com todas as armas, condutor exímio de todos os meios de locomoção, com particular realce para os automóveis, olhar certeiro e instinto de conservação acima da média, frase rápida, que esgrime como os punhos, sorriso simpático, deixando pairar o mistério.


Em “007, Agence Secreto”, James Bond é enviado à Jamaica para descobrir o que está por detrás do desaparecimento de um agente inglês e da sua secretária, entretanto assassinados por ordem de um misterioso Dr. No, que vive retirado numa ilha. De colaboração com Felix Leiter, agente da CIA, e com um amigo jamaicano, James Bond irá penetrar na ilha, onde conhece a bela e sedutora Honey (Ursula Andressl, sendo ambos feitos prisioneiros. Mas 007 não se dá por vencido e, no último instante, salva-se e consegue preservar a Humanidade de uma ameaça brutal... Os finais explosivos da série inauguram-se aqui. Um bom início das aventuras de 007 no cinema.

007 - AGENTE SECRETO
Título original: Dr. No
Realização: Terence Young (Inglaterra, 1962); Argumento: Richard Maibaum, Johanna Harwood, Berkely Mather, (ainda Wolf Mankowitz, Terence Young, não creditados)segundo romance de Ian Fleming; Produção: Albert R. Broccoli, Harry Saltzman; Música: Monty Norman, John Barry; Fotografia (cor):  Ted Moore; Montagem: Peter R. Hunt; Casting: James Liggat; Design de produção: Ken Adam; Direcção artística: Syd Cain; Maquilhagem: John O'Gorman, Eileen Warwick; Direcção de Produção: L.C. Rudkin; Assistentes de realização: Clive Reed, David C. Anderson, John Meadows;  Departamento de arte: Freda Pearson; Som: John Dennis, Archie Ludski, Wally Milner, Norman Wanstall; Efeitos especiais: Frank George; Efeitos visuais: Cliff Culley, Roy Field;  Companhia de produção:Eon Productions; Intérpretes: Sean Connery (James Bond), Ursula Andress (Honey Ryder), Joseph Wiseman (Dr. No), Jack Lord (Felix Leiter), Bernard Lee (M.), Anthony Dawson (Professor Dent), Zena Marshall (Miss Taro), John  (Quarrel), Eunice Gayson (Sylvia), Lois Maxwell (Miss Moneypenny), Peter Burton (Major Boothroyd), Yvonne Shima, Michel Mok, Marguerite LeWars, William Foster-Davis, Dolores Keator, Reggie Carter, Louis Blaazer, Colonel Burton, M    artine Beswick, Chris Blackwell, Anthony Chinn, Maxwell Shaw, Nikki Van der Zyl, etc. Duração: 110 minutos; Distribuição em Portugal: MGM; Classificação etária: M/ 12 anos.

IAN FLEMING (1908-1964)
Ian Lancaster Fleming nasceu a 28 de Maio de 1908, na casa apalaçada da família, no número 27 de Green Street, no bairro nobre de Mayfair, em Londres, Inglaterra, e faleceu a 12 de Agosto de 1964, com 56 anos, em Canterbury, Kent,  Inglaterra. Filho de Evelyn St. Croix Fleming e Valentine Fleming. Ian Fleming era oriundo de uma família ligada ao banco mercante Robert Fleming & Co.. O pai era um membro do parlamento de Henley, desde 1910 até sua morte, em 1917, na Frente Ocidental, durante a I Guerra Mundial. Estudou no Eton College, na Real Academia Militar de Sandhurst e nas universidades de Munique e Genebra, e teve vários empregos antes de começar a escrever. Militar, escritor, jornalista, tornou-se mundialmente célebre com os seus romances de espionagem que têm James Bond por protagonista, sobretudo depois da sua adaptação ao cinema.
Foi membro da Inteligência Naval Britânica durante a II Guerra Mundial, envolvido em várias operações, o que lhe deu conhecimentos e inspiração para escrever s seus doze romances sobre 007 e ainda dois livros de contos. É autor igualmente da história infantil “Chitty-Chitty-Bang-Bang”. Em 2008, o jornal The Times colocou-o na décima-quarta posição em sua lista dos "50 Maiores Escritores de Língua Inglesa de Todos os Tempos".
Foi casado com Ann Geraldine Charteris. Fleming, que fumava e bebia em excesso, e sofria do coração, morreu de ataque cardíaco. Dois de seus livros de Bond foram publicados postumamente, e desde então outros cinco autores produziram romances com o personagem. A criação de Fleming já surgiu em 25 filmes, tendo sido interpretado por oito actores em cerca de 50 anos.
James Bond, um oficial do Serviço Secreto Inglês, comumente chamado de MI6, era também conhecido pelo nome de código 007, e era um comandante da Reserva Naval Real. Fleming escolheu o nome para o seu personagem partindo do ornitólogo norte-americano James Bond, um especialista em pássaros caribenhos e autor do guia “Birds of the West Indies”. Fleming, um observador de pássaros, tinha uma cópia dessa obra de Bond, e mais tarde disse à mulher do ornitólogo que, "o que o tinha surpreendido foi o facto desse nome anglo-saxão, nada romântico, curto e mesmo assim bem masculino, ser exactamente o que eu precisava: em segundos nasceu James Bond". Numa entrevista para o “The New Yorker”, em 1962, pormenorizou: "Quando escrevi o primeiro romance, em 1953, eu queria que Bond fosse um homem extremamente maçador e desinteressante a quem as coisas acontecem; eu queria que ele fosse um instrumento cego ... quando eu estava à procura de um nome para o meu protagonista, pensei, “James Bond” é o nome mais entediante que eu já ouvi'.
Romances de Ian Fleming: “Casino Royale” (1953), “Live and Let Die” (1954), “Moonraker” (1955), “Diamonds Are Forever” (1956), “From Russia, with Love” (1957), “The Diamond Smugglers” (1957), “Dr. No” (1958), “Goldfinger” (1959), “For Your Eyes Only” (1960), “Thunderball” (1961), “The Spy Who Loved” (1962), “On Her Majest's Secret Service” (1963), “Thrilling Cities” (1963), “You Only Live Twice” (1964), “The Man with the Golden Gun” (1965), “Octopussy” e “The Living Daylights” (1966) (estes dois últimos publicados postumamente). “Chitty-Chitty-Bang-Bang” foi publicado em 1964.
Contos de James Bond: "Quantum of Solace" (1959), "The Hildebrandy Rarity" (1960), "From a View to a Kill" (1960), "For Your Eyes Only", "Risico", "The Living Daylights" (1962), "007 in New York" (1963), "The Property of a Lady" (1963) e "Octopussy" (1966).
Depois da morte de Ian Fleming, vários outros escritores foram convidados a continuarem as aventuras de 007: Kingsley Amis, Christopher Wood, John Gardner, Raymond Benson, Sebastian Faulks, Jeffery Deaver, William Boyd ou Charlie Higson.
Kingsley Amis (sob o pseudónimo "Robert Markham"): “Colonel Sun” (1968)
Christopher Wood: “James Bond, The Spy Who Loved Me” (1977) e “James Bond and Mooraker” (1979).
John Gardner: “Licence Renewed” (1981), “For Special Services” (1982), “Icebreaker”           (1983),
“Role of Honour” (1984    ), “Nobody Lives for Ever” (1986), “No Deals, Mr. Bond” (1987), “Scorpius” (1988), “Win, Lose or Die” (1989), “Licence to Kill” (1989), “Brokenclaw” ( 1990), “The Man from Barbarossa” (1991), “Death Is Forever” (1992), “Never Send Flowers” (1993), “SeaFire” (1994), “GoldenEye” (1995) e “COLD” (1996).
Raymond Benson: "Blast from the Past" (1997), “Zero Minus Tem” (1997), “Tomorrow Never  (1998), "Midsummer Night's Doom" (1999), “High Time to Kill” (1999), "Live at Five" (1999), “The World Is Not Enough” (1999), “DoubleShot” (2000), “Never Dream of Dying” (2001), “The Man with the Red Tattoo” (2002) e “Die Another Day” (2002).
Sebastian Faulks: “Devil May Care” (2008).
Jeffery Deaver: “Carte Blanche” (2011).
William Boyd: “Solo” (2013).
Surgiu ainda um conjunto de obras da série “Young Bond”, escritas por Charlie Higson: “SilverFin” (2005), “Blood Fever” (2005), “Double or Die (2007), “Hurricane Gold” (2007), “By Royal Command” (2008), e "A Hard Man to Kill" (2009).

OO7 NO CINEMA
Os filmes de 007 foram produzidos inicialmente por Harry Saltzman e Albert Broccoli, detentores dos direitos cinematográficos de quase toda a obra já escrita por Ian Fleming e donos da produtora EON (Everything or Nothing). Em 1975, Saltzman abandonou a franquia. Desde 1995, os filmes são produzidos pela filha de Albert, Barbara Broccoli, e seu meio-irmão, Michael G. Wilson. Estes são considerados os filmes oficiais de James Bond.
Filmografia: 1962: Dr. No (007 - O Agente Secreto), de Terence Young , com Sean Connery; 1963: From Russia with Love (007 - Ordem para Matar), de Terence Young , com Sean Connery; 1964: Goldfinger (007 - Contra Goldfinger), de Guy Hamilton, com Sean Connery; 1965: Thunderball (007 - Operação Relâmpago), de Terence Young, com Sean Connery          ; 1967: You Only Live Twice (007 - Só se Vive Duas Vezes) de Lewis Gilbert, com Sean Connery; 1969: On Her Majesty's Secret Service (007 - Ao Serviço de Sua Majestade), de Peter R. Hunt, com George Lazenby; 1971: Diamonds Are Forever (007 - Os Diamantes são Eternos), de Guy Hamilton, com Sean Connery; 1973: Live and Let Die (007 - Vive e Deixa Morrer), de Guy Hamilton, com Roger Moore; 1974: The Man with the Golden Gun (007 - O Homem da Pistola Dourada), de Guy Hamilton, com Roger Moore; 1977: The Spy Who Loved Me (007 - Agente Irresistível), de Lewis Gilbert, com Roger Moore; 1979: Moonraker (007 - Aventura no Espaço), de Lewis Gilbert, com Roger Moore; 1981: For Your Eyes Only (007 - Missão Ultra-Secreta), de John Glen, com Roger Moore; 1983: Octopussy (007 - Operação Tentáculo), de John Glen, com Roger Moore; 1985: A View to a Kill (007 - Alvo em Movimento), de John Glen, com Roger Moore; 1987: The Living Daylights (007 - Risco Imediato), de John Glen, com Timothy Dalton; 1989: Licence to Kill (007 - Licença para Matar), de John Glen, com Timothy Dalton; 1995: GoldenEye (007 – GoldenEye),de Martin Campbell, com Pierce Brosnan; 1997: Tomorrow Never Dies (007 - O Amanhã Nunca Morre), de Roger Spottiswoode, com Pierce Brosnan; 1999: The World Is Not Enough (007 - O Mundo não Chega), de Michael Apted, com Pierce Brosnan; 2002: Die Another Day (007 - Morre Noutro Dia), de Lee Tamahori, com Pierce Brosnan; 2006: Casino Royale (007 - Casino Royale), de Martin Campbell, com Daniel Craig; 2008: Quantum of Solace (007 - Quantum of Solace), de Marc Forster, com Daniel Craig; 2012: Skyfall (007 – Skyfall), de Sam Mendes, com Daniel Craig; 2015: Bond 24, de Sam Mendes, com Daniel Craig (em preparação).
Filmes "não oficiais": 1954: Casino Royale (Casino Royale), de William H. Brown, Jr., com Barry Nelson (televisão); 1967: Casino Royale (007 - Casino Royale), de Ken Hughes, John Huston, Joseph McGrath, Robert Parrish, Val Guest e Richard Talmadge, com David Niven; 1983: Never Say Never Again (Nunca mais Digas Nunca), de Irvin Kershner,  com Sean Connery.

TERENCE YOUNG (1915–1994)
Stewart Terence Herbert Young nasceu a 20 de Junho de 1915, em Xangai, China, e viria a falecer a 7 de Setembro de 1994, com 79 anos, em Cannes, Alpes Marítimos, França. Foi educado numa escola pública britânica. Participou da 2ª Guerra Mundial, como comandante de tanque, intervindo na batalha de Arnhem, na Holanda, onde foi tratado por uma enfermeira de 16 anos, de nome Audrey Heenstra, mais tarde conhecida por Audrey Hepburn, e que ele ira dirigir, duas décadas depois, em “Os Olhos da Noite” (1967). Terence Young lançou-se na industria do cinema como argumentista. Rapidamente chegou à realização com o melodrama “Corridor of Mirrors” (1948), passando a dirigir produções internacionais, como “Os Primeiros a Morrer” (1953), “A Favorita do Rei (1955), ou “Sem Tempo para Morrer” (1958), produzidos pela Warwick Films, uma produtora independente criada por Irwin Allen e Albert R. Broccoli, que haveria de ser o produtor da série 007, pelo que Terence Young foi convidado a dirigir os primeiros filmes da saga. “007 - Agente Secreto” (1962), “007 - Ordem para Matar” (1963) e “007 - Operação Relâmpago” (1965) consolidam a sua reputação de bom técnico, especialista em filmes de acção. Nunca terá sido um grande realizador, mas assinou ainda algumas obras interessantes, como “A Vida Amorosa de Moll Flanders” (1965), “Os Olhos da Noite” (1967) ou “O Caso Valachi” (1972). Durante as filmagens de “007 - Ordem para Matar”, Terence Young e um fotógrafo quase morreram, quando o helicóptero caiu no mar durante as filmagens de uma cena. Resgatados por membros da equipe, continuaram as filmagens pouco tempo depois. Consta que terá rodado um longo documentário de seis horas, por solicitação do ditador Gadaffi da Libia, intitulado "The Long Journeys" ou "The Long Days". Outras fontes indicam que a encomenda terá sido uma telenovela biográfica. Parece que nunca terá sido projectado fora da Líbia. Casado com a romancista Dorothea Bennett e depois com Sabine Sun (1973 - 1994)

Filmografia
Como realizador
1946: Men of Arnhem, de Brian Desmond Hurst (B.D. Hurst) (T.Young refere que participou nestas fimagens); 1948: Corridor of Mirrors; One Night with You; 1949: Woman Hater; 1950: They Were Not Divided (Companheiros da Glória); 1951: Valley of Eagles (O Vale das Águias); \952: The Tall Headlines; 1953: The Red Beret (Os Primeiros a Morrer); 1955: That Lady (A Favorita do Rei); Storm Over the Nile (As Quatro Penas); 1956: Safari (Safari); Zarak (Zarak); 1957: Action of the Tiger (Uma aventura no Mediterrâneo); 1958: No Time to Die (Sem Tempo para Morrer); 1959: Serious Charge; 1960: 1-2-3-4 ou Les Collants Noirs; Too Hot to Handle; 1961: Orazi e Curiazi (Duelo de Gladiadores)¸1962: Dr. No (007 - Agente Secreto)¸1963: From Russia with Love (007 - Ordem para Matar)¸1965: The Amorous Adventures of Moll Flanders (A Vida Amorosa de Moll Flanders)¸1965: The Dirty Game (Guerra Secreta); Thunderball (007 - Operação Relâmpago); 1966: The Poppies Are Also Flowers (A Papoila Também é uma Flor); 1967: L'Avventuriero (O Marinheiro); Triple Cross (O Maior Espião da História); Wait Until Dark (Os Olhos da Noite); 1968: Mayerling (Mayerling); 1969: L'Arbre de Noël (Cada Dia Será Como Deus Quiser); 1970: De la Part des Copains (Desforra entre Amigos); 1971: Soleil rouge (Sol Vermelho); The Valachi Papers (O Caso Valachi); 1974: Le Guerriere dal Seno Nudo (As Amazonas); The Klansman (O Homem do Klan); 1975: Jackpot; 1977: Woo fook (A Fuga do Caça Soviético), co-realizado com Po-Chih Leong; 1979: Bloodline (Laços de Sangue); 1980: Al-ayyam al-tawila (não creditado, não confirmado); 1981: Inchon; 1983: The Jigsaw Man (O Grande Espião); 1988: Run for Your Life.

SEAN CONNERY (1930 - )
Thomas Sean Connery nsceu a 25 de Agosto de 1930, em Édimbourg, Escócia, Reino Unido. Filho de pai católico e mãe protestante, oriundo de meios pobres, Connery começou a trabalhar cedo, como leiteiro. Foi num musical, “South Pacific”, que teve a sua estreia no mundo do espectáculo, mas antes passou pela Marinha Real, foi motorista de caminhão e modelo no Colégio de Artes de Edimburgo. Participou num concurso para Mister Universo, após o que fez testes para teatro.  Durante alguns anos foi figurante e actor secundário no cinema, no teatro e na televisão, até que a sua sorte mudou, ao ser escolhido para encarnar a figura de James Bond, papel que o projectou como actor de renome internacional. Como 007 interpretou sete obras, “Dr No”, “From Russia with Love”, “Goldfinger”, “Thunderball”, “You Only Live Twice”, “Diamonds Are Forever” e “Never Say Never Again”. Depois a carreira ganhou um forte impulso, tendo trabalhado com grandes realizadores, como Alfred Hitchcock, John Huston, Richard Lester, Richard Attenborough, Steven Spielberg, Jean-Jacques Annaud, Martin Ritt, Philip Kaufman, Gus Van Saint, Brian De Palma, Ronald Neame, Peter Hyams, Guy Hamilton, Terry Gilliam, Richard Brooks, Fred Zinnemann, Irvin Kershner, Sidney Lumet, John McTiernan ou Fred Schepisi, entre outros.
Ganhou diversos prémiso ao longo da sua extesa carreira, entre os quais um Oscar para Melhor Actror Secundário, em 1988, para “The Untouchables” e um Globo de Ouro, na mesma categoria e pelo trabalho no mesmo filme. Em 1996, foi-lhe atribuído o prémio Cecil B. DeMille pelo conjunto da sua contribuição para a arte de representar. Ganhou o BAFTA para Melhor Actor em 1987, por “The Name of the Rose”.
Connery é um dos maiores apoiadores do Partido Nacional Escocês, que luta pela independência da Escócia, para o qual tem contribuído com imporantes somas. Casado com actriz australiana Diane Cilento (1962-1973) e com a artista franco-tunisiana Micheline Roquebrune (1975-até ao presente). Vive com a mulher em Nassau, nas Bahamas.

Filmografia
Como actor

1954: Lilacs in the Spring (Lilases na Primavera), de Herbert Wilcox (não creditado); Simon (curta-metragem); 1956: Sailor of Fortune (TV); Dixon of Dock Green (TV); 1956-1959: ITV Play of the Week (TV); 1957: The Jack Benny Program (TV); Hell Drivers (Na Rota do Inferno), de Cy Endfield; Action of the Tiger (Uma Aventura no Mediterrâneo), de Terence Young; Time Lock, de Gerald Thomas; ITV Television Playhouse (TV); Anna Christie (TV); BBC Sunday-Night Theatre (TV); Blood Money (TV); No Road Back, de Montgomery Tully; 1958: Another Time, Another Place (O Amor Que Roubei), de Lewis Allen; A Night to Remember (A Tragédia do Titanic), de Roy Ward Baker; Armchair Theatre (TV); Women in Love (TV); 1959: Disneyland (TV); Darby O'Gill and the Little People (O Senhor da Terra), de Robert Stevenson; Tarzan's Greatest Adventure (A Maior Aventura de Tarzan), de John Guillermin; 1960: Without the Grail (TV); An Age of Kings (TV); Riders to the Sea (TV); BBC Sunday-Night Play (TV); 1961: Macbeth (TV); Anna Karenina (TV); Adventure Story (TV); On the Fiddle, de Cyril Frankel; The Frightened City (A Cidade Ameaçada), de John Lemont; 1962: The Longest Day (O Dia Mais Longo), de Ken Annakin, Andrew Marton, Bernhard Wicki, Gerd Oswald e Darryl F. Zanuck; Dr. No (Agente Secreto, 007), de Terence Young; 1963: From Russia with Love (007, Ordem para Matar), de Terence Young; 1964: Marnie (Marnie), de Alfred Hitchcock; Woman of Straw (A Mulher de Palha), de Basil Dearden; Goldfinger ( 007 cotra Goldfinger), de Guy Hamilton; 1965: The Hill (A Colina Maldita),  de Sidney Lumet; Thunderball (007, Operação Relâmpago), de Terence Young; 1966: A Fine Madness (O Malandro Encantador), de Irvin Kershner; Un Monde Nouveau (Um Mundo Novo), de Vittorio De Sica (não creditado); 1967: You Only Live Twice (Só se Vive Duas Vezes), de Lewis Gilbert; 1968: Shalako (Shalako), de Edward Dmytryk; 1969: ITV Saturday Night Theatre (TV); Male of the Species (TV); 1970: The Molly Maguires (Os Homens Nascem Iguais), de Martin Ritt; 1971: Красная палатка, ou Krasnaya palatka, ou The Red Tent (A Grande Odisseia), de Mikhaïl Kalatozov; The Anderson Tapes (O Dossier Anderson), de Sidney Lumet; Diamonds Are Forever (007 - Os Diamantes São Eternos), de Guy Hamilton; 1972: España campo de golf, de Raúl Peña; 1973: The Offence (O Delito), de Sidney Lumet; Zardoz (Zardoz), de John Boorman; Ransom (Estado de Emergência), de Caspar Wrede; 1974: Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente), de Sidney Lumet; 1975: The Man Who Would Be King (O Homem Que Queria Ser Rei), de John Huston; The Wind and the Lion (O Leão e o Vento), de John Milius; 1976: Robin and Marian (A Flecha e a Rosa), de Richard Lester; 1976: The Next Man, de Richard C. Sarafian; 1977: A Bridge Too Far (Uma Ponte Longe Demais), de Richard Attenborough; 1979: The First Great Train Robbery (O Grande Ataque ao Comboio do Ouro), de Michael Crichton; Cuba (Cuba), de Richard Lester; Meteor (Meteoro), de Ronald Neame; 1981: Outland (Outland - Atmosfera Zero), de Peter Hyams; Time Bandits (Os Ladrões do Tempo), de Terry Gilliam; 1982: Wrong Is Right (O Homem das Lentes Mortais), de Richard Brooks; Sword of the Valiant: The Legend of Sir Gawain and the Green Knight (A Espada dos Valentes), de Stephen Weeks; 1983: Five Days One Summer (Cinco Dias um Verão), de Fred Zinnemann; Never Say Never Again (Nunca Mais Digas Nunca), de Irvin Kershner; 1986: Der Name der Rose (O Nome da Rosa) de Jean-Jacques Annaud; Highlander (Duelo Imortal), de Russell Mulcahy; 1987: The Untouchables (Os Intocáveis), de Brian De Palma; 1988: The Presidio (A Hora dos Heróis), de Peter Hyams; Memories of Me (A Caminho da Califórnia), de Henry Winkler; 1989: Family Business (Negócios de Família), de Sidney Lumet; Indiana Jones and the Last Crusade (Indiana Jones e a Grande Cruzada), de Steven Spielberg; 1990: The Hunt for Red October (Caça ao Outubro Vermelho), de John McTiernan; 1991: Robin Hood: Prince of Thieves (Robin Hood: Príncipe dos Ladrões), de Kevin Reynolds; The Russia House (A Casa da Rússia), de Fred Schepisi; Highlander II: The Quickening (Duelo Imortal - Parte II), de Russell Mulcahy; 1992: Medicine Man (Os Últimos Dias do Paraíso), de John McTiernan; 1993: The Princess and the Cobbler (O Cavaleiro das Arábias), de Richard Williams (só voz); Rising Sun (Sol Nascente), de Philip Kaufman; 1994: A Good Man in Africa (Sarilhos em África), de Bruce Beresford; 1995: Just Cause (Causa Justa), de Arne Glimcher; First Knight (O Primeiro Cavaleiro), de Jerry Zucker; 1996: The Rock (O Rochedo), de Michael Bay; Dragonheart (DragonHeart: Coração de Dragão), de Rob Cohen; 1997: Scene by Scene (TV); 1998: The Avengers (Os Vingadores), de Jeremiah S. Chechik; Playing by Heart (Entre Estranhos e Amantes), de Willard Carroll; 1999: Entrapment (A Armadilha), de Jon Amiel; 2001: Finding Forrester (Descobrir Forrester), de Gus Van Sant; 2003: The League of Extraordinary Gentlemen (Liga de Cavalheiros Extraordinários), de Stephen Norrington; Freedom: A History of Us (documentário,TV); 2006: Sir Billi the Vet, de Sascha Hartmann (animação, voz); 2010: Sir Billi, de Sascha Hartmann (animação, voz). 

SESSÃO 21: 18 DE JUNHO DE 2014


OS INOCENTES (1961)

Sou um apaixonado por filmes fantásticos que vive muito decepcionado com o que nos reservam hoje o fantástico, o terror, o horror. O gore impera, as facadas, o sangue a escorrer, as tripas de fora, e nada de sugestões, tudo à mostra para ninguém ter que imaginar o que quer que seja. Ora um bom filme fantástico, ou excelente filme de terror não precisa de muita coisa, apenas de responsáveis inteligentes e talentosos. Quem viu “A Casa Maldita”, de Robert Wise, ou “Os Inocentes”, de Jack Clayton, percebe certamente ao que me refiro. Um bom filme deste género vive, sobretudo, de atmosferas, de climas, do que se não vê mas se intui, do silêncio perturbador, do ruído que inquieta, da presença que está mas não está, e que provoca aquele mal-estar no estômago que fazia com que eu, quando era jovem, e vinha para casa à noite, depois de um filme desses, visse todas as sombras a agigantarem-se, todos os ruídos a transformarem-se em pesadelos, e o melhor era mesmo correr para junto dos pais. Falo de quando era jovem, porque não fica bem falar de quando se é adulto e se sente as mesmas angústias.
“Os Inocentes” é seguramente uma obra-prima do cinema fantástico, retirado de uma obra-prima da literatura das sombras, esse fabuloso “The Turn of the Screw”, de Henry James, que o dramaturgo William Archibald adaptou a teatro (1950, Broadway), e que o mesmo, com a colaboração de Truman Capote (nos diálogos adicionais) e John Mortimer, colocou em cinema para o inspirado Jack Clayton dirigir magistralmente, com um elenco de quatro ou cinco actores, entre os quais a magnifica Deborah Kerr, e duas criancinhas, Martin Stephens e Pamela Franklin, de fazer arrepiar os cabelos.

“The Innocents” data de 1961 e traz a assinatura do mesmo cineasta que dirigiu “Room at the Top” que muitos colocam ao lado das obras iniciais do “Free Cinema”. Haverá quem possa pensar “que obras tão distantes, na concepção e nas intenções!” Um é de um realismo social e de uma provocante sensualidade, e o outro uma incursão pelo fantástico com o seu quê de análise de um puritanismo feroz. Pois não há nada de mais coerente e um parece ser o prolongamento do outro, ainda que em níveis diferentes. Um olhado de fora para dentro, o outro de dentro para fora.
Estamos no século XIX, numa Inglaterra vitoriana, e o filme começou com Miss Giddens (Deborah Kerr) a ser recebida por um tio (Michael Redgrave) de duas crianças, que procura uma ama para tomar conta dos miúdos que se encontram numa casa apalaçada, na província rural do Condado de Bly, lá para o interior da Grã-Bretanha. O tio é de um egoísmo extremo, mas também de uma honestidade frontal, vive em Londres, tem a sua vida e não está para se preocupar com Miles e Flora, dois jovens órfãos, que herdou, que quer ver bem tratados, mas que não quer ver por perto. Tem mais que fazer. O tio é um nobre muito british, endinheirado e bem-apessoado, que Miss Giddens acha obviamente atraente. A anterior ama, Jessel de seu nome, morrera e a senhora Giddens vai ocupar o seu lugar.

Mal chega à propriedade, percebe que a vasta casa é dirigida por uma governanta, Miss Grose, que mantém ainda um ou dois criados, e aí vive apenas a pequena Flora, dado que o irmão desta, Miles, se encontra interno num colégio. Mas Flora avisa logo que o irmão está a regressar pois foi expulso do internato. Pouco depois, este aparece e começam a acontecer coisas estranhas naquela casa. Pelo menos assim o diz Miss Giddens, que se convence que a anterior Miss Jessel e um outro antigo criado da casa, Peter Quint, mantinham relações de muito duvidosa moral, para lá de ambos terem igualmente morrido em circunstâncias estranhas. Este casal de fantasmas começa a assolar os sonhos de Giddens e esta descobre que as crianças estão possuídas pelas almas danadas daqueles pecadores que estão a destruir a pureza dos dois anjinhos. Ou será que a traumatizada Miss Giddens projecta nas criancinhas as suas frustrações e medos?
Existe terror naquela casa, existe pecado a escorrer por aquelas paredes antigas, ou tudo não passa de uma visão interior da amargurada Miss Giddens, que não tendo alguém como o sedutor e snob tio para tratar de si, começa a imaginar pecado e vício um pouco por todo o lado? As aparições de Jessel e Peter Quint são reais ou apenas existem na imaginação doentia da perturbada ama? O que é mais intrigante no filme é essa incerteza latente que oscila entre uma história de fantasmas ou um conflito freudiano de uma sexualidade mal resolvida.

Rodado numa magnífica mansão gótica localizada em Parque Sheffield, East Sussex, fotografado de forma notável por Freddie Francis, que retira do preto e branco uma tonalidade de cinzentos impressionante e que ilumina as imagens de forma deslumbrante, enquadrando-as primorosamente e logrando uma profundidade de campo invulgar, “Os Inocentes” conta ainda com uma banda sonora de efeito surpreendente, que coloca a obra entre os melhores momentos da história do cinema de terror de todos os tempos. Digo-o eu e diz Martin Scorsese, que coloca o título entre os 10 melhores de sempre no género, segundo o seu critério.
"O Willow Waly", a canção infantil ouvida ao longo do filme, foi escrita por Georges Auric e Paul Dehn, e é cantada por Isla Cameron. Mais tarde serviria de inspiração a Kate Bush, para o tema "The Infant Kiss", canção do álbum “Never for Ever” (1980).

OS INOCENTES
Título original: The Innocents
Realização: Jack Clayton (Inglaterra, EUA, 1961); Argumento: John Mortimer, William Archibald, Truman Capote, segundo romance de Henry James ("The Turn of the Screw"); Produção: Jack Clayton, Albert Fennell; Música: Georges Auric; Fotografia (p/b): Freddie Francis; Montagem: Jim Clark; Direcção artística: Wilfred Shingleton; Guarda-roupa:  Sophie Devine; Maquilhagem: Gordon Bond, Harold Fletcher; Direcção de Produção: James H. Ware, Claude Watson; Assistentes de realização: Michael Birkett, Ken Softley, Claude Watson; Departamento de arte: Peter James; Som: Buster Ambler, John Cox, Peter Musgrave, Ken Ritchie; Companhias de produção: Achilles, Twentieth Century Fox Film Corporation; Intérpretes: Deborah Kerr (Miss Giddens), Peter Wyngarde (Peter Quint), Megs Jenkins (Mrs. Grose), Michael Redgrave (o tio), Martin Stephens (Miles), Pamela Franklin (Flora), Clytie Jessop (Miss Jessel), Isla Cameron (Anna), Eric Woodburn, etc. Duração: 100 minutos; Distribuição em Portugal: Costa do Castelo; Classificação etária: M/ 12 anos.

HENRY JAMES (1843–1916)
Henry James nasceu em Nova Iorque, a 15 de Abril de 1843, vindo a falecer em Londres, a 28 de Fevereiro de 1916. Filho do teólogo Henry James Senior, um homem culto, filósofo, que fazia questão que os filhos recebessem uma boa educação. Viajou com a família para a Europa, em 1855, quando Henry tinha 12 anos, e durante três anos percorreram Inglaterra, Suíça e França, visitando museus, bibliotecas e teatros. Regressaram aos EUA em 1858, para voltarem de novo a Genebra e Bona no ano seguinte. Em 1860, já estavam de volta a Newport, onde Henry e William James, o irmão mais velho que se tornaria psicólogo e filósofo, estudaram com o pintor William Morris Hunt. Henry estudou direito em Harvard, em 1862. Mais interessado na leitura de Balzac, Hawthorne e George Sand e nas relações com intelectuais como Charles Eliot Norton e William Dean Howels, abandonou o curso para se dedicar à literatura. No início de 1869, foi a Inglaterra, Suíça, Itália e França, países que lhe forneceriam uma grande quantidade de material para suas obras. Regressou a Cambridge em 1875. Viveu um ano em Paris, onde conheceu o círculo de Flaubert (Daudet, Maupassant, Zola) e, em 1876, fixou-se em Londres, onde escreveu a maior parte de sua extensa obra. A carreira literária de Henry James teve três etapas. A primeira foi na década de 1870, com "Roderick Hudson" (1876), "The American" (1877) e "Daisy Miller" (1879) e culminou com a publicação de "Retrato de Uma Senhora", em 1881, cujo tema é o confronto entre o novo mundo com os valores do velho continente. Na segunda etapa, James experimentou diversos temas e formas. De 1885 até 1890, escreveu três novelas de conteúdo político e social, "The Bostonians" (1886), "The Princess Casamassima" (1886) e "The Tragic Muse" (1889), histórias sobre reformadores e revolucionários que revelam a influência da corrente naturalista. Entre 1890 e 1895, "os anos dramáticos", James escreveu sete obras de teatro, das quais duas foram encenadas, com pouco êxito. James voltou à narrativa com "A Morte do Leão" (1894), "The Coxon Fund" (1894), "The Next Time" (1895), "What Maisie Knew" (1897) e " The Turn of the Screw " (1898). "The Beast in the Jungle" (1903), "The Great Good Place" (1900) e "The Jolly Corner" (1909) fazem parte da última etapa do trabalho de James, considerada por muitos como a mais importante, quando o autor explora o complexo funcionamento da consciência humana. A prosa torna-se mais densa, com uma sintaxe mais intrincada. Essas características definem as três grandes obras dessa etapa final, " The Wings of the Dove " (1902), " The Ambassadors " (1903) e " The Golden Bowl " (1904).
Além dos romances, contos, peças de teatro, deixou inúmeros ensaios sobre viagens, críticas literárias, cartas, e três obras autobiográficas. Os últimos anos da sua vida transcorreram em absoluto isolamento, na sua casa, que só deixou em 1904 para regressar momentaneamente aos Estados Unidos, depois de vinte anos de ausência. Em 1915, durante a I Guerra Mundial, Henry James adoptou a cidadania britânica. Morreu aos 72 anos, pouco depois de receber a Ordem do Mérito Britânica.

Obras de Henry James: Romances: “Watch and Ward” (1871), “Roderick Hudson” (1875), “The American” (1877), “The Europeans” (1878), “Confidence” (1879), “Washington Square” (1880), “The Portrait of a Lady” (1881), “The Bostonians” (1886), “The Princess Casamassima” (1886), “The Reverberator” (1888), “The Tragic Muse” (1890), “The Other House” (1896), “The Spoils of Poynton” (1897), “What Maisie Knew” (1897), “The Awkward Age” (1899), “The Sacred Fount” (1901), “The Wings of the Dove” (1902), “The Ambassadors” (1903), “The Golden Bowl” (1904), “The Whole Family” (1908), “The Outcry” (1911), “The Ivory Tower” (1917), “The Sense of the Past” (1917);
Novelas: “Daisy Miller” (1878), “The Aspern Papers” (1888), “The Turn of the Screw” (1898), “The Beast in the Jungle” (1903)
Peças de Teatro: “Theatricals” (1894), “Theatricals: Second Series” (1895), “Guy Domville” (1895);
Ensaio: “French Poets and Novelists” (1878), “Hawthorne” (1879), “A Little Tour in France” (1884), “Partial Portraits” (1888), “Essays in London and Elsewhere” (1893), “Picture and Text” (1893), “William Wetmore Story and His Friends” (1903), “English Hours” (1905), “The American Scene” (1907), “Italian Hours” (1909), “A Small Boy and Others” (1913), “Notes on Novelists” (1914), “Notes of a Son and Brother” (1914), “Notebooks The Middle Years” (1917).


Adaptações cinematográficas de obras de Henry James (selecção das mais importantes): 1933: “Berkeley Square”, de Frank Lloyd; 1947: “The Lost Moment”, de Martin Gabel;1949: “The Heiress”, de William Wyler; 1961: “The Innocents”, de Jack Clayton; 1965: “La Redevance du Fantôme”, de Robert Enrico; 1971: “The Nightcomers”, de Michaël Winner; 1974: “Daisy Miller”, de Peter Bogdanovich; “Le Tour d'Écrou”, de Raymond Rouleau; 1976: “Le Banc de la Désolation”, de Claude Chabrol; “De Grey”, de Claude Chabrol, “L'Auteur de Beltraffio”, de Tony Scott; “Les Raisons de Georgina”, de Volker Schlöndorff; 1978: “La Chambre Verte”, de François Truffaut; “The Europeans”, de James Ivory; 1981: “Les Ailes de la Colombe”, de Benoît Jacquot; 1982: “Aspern”, de Eduardo de Gregorio; 1984: “The Bostonians”,  de James Ivory; 1996: “The Portrait of a Lady”, de Jane Campion; “L'Élève”, de Olivier Schatzky; 1997: “Washington Square, de Agnieszka Holland; “Les Ailes de la Colombe”, de Iain Softley; 2000: “The Golden Bowl”, de James Ivory; 2012: “What Maisie Knew, de Scott McGehee e David Siegel.

SESSÃO 20: 17 DE JUNHO DE 2014


UMA GOTA DE MEL (1961)

“A Taste of Honey”, filme de 1961, assinado por Tony Richardson, adapta uma peça teatral das mais célebres entre as que saíram do movimento dos “Angry Young Men”. Apesar da designação do movimento, Shelagh Delaney é uma mulher que escreveu esta peça quando tinha apenas 18 anos, tendo a mesma sido estreada em 1958, com enorme sucesso.
A peça e o filme passam-se em Salford, Lancashire, terra natal da dramaturga, e chama a primeiro plano um grupo de personagens nada habitual de se ver no cinema inglês dos anos anteriores. Jo (Rita Tushingham) é uma jovem estudante, sem pai que se veja e a viver com uma mãe (Dora Bryan) que a deixa à solta e se vai entretendo com alguns homens que a convencem que não está a envelhecer. Entre eles, Peter Smith (Robert Stephens), que acaba mesmo por casar com Helen, o que deixa a filha desta ainda mais à deriva. Depois de uma história de uma noite, com um marinheiro de cor, Jo engravida, e só encontra conforto na companhia de Geoffrey Ingham (Murray Melvin), um jovem homossexual, delicado e sensível, que a acolhe e acarinha.
Esta sucinta resenha permite desde logo mostrar a originalidade e a novidade, algo provocadora, de “Uma Gota de Mel”. Famílias que hoje em dia se diriam disfuncionais, mães e pais separados, filhas deixadas ao Deus dará, relações sexuais pré-matrimoniais, gravidez solteira, abordagem do tema do aborto, homossexualidade, enfim… um verdadeiro relatório de temas tabus. De atmosferas sociais que se diriam pouco apetecíveis em cinema, de personagens proibidas e, sobretudo, uma abordagem sem artificialismo, desencantada, para não se dizer mesmo desesperada. Estas figuras evoluem por cenários totalmente desromantizados, a juventude não é observada como um tempo de esperança e de futuro, o amor quando existe é preconceituosamente olhado de revés, a candura e a inocência são maltratadas, o calculismo pragmático parece tomar conta das relações dos adultos… Este não é um universo apetecível e, todavia, Tony Richardson apresenta-no-lo com uma sinceridade e autenticidade tocantes. Filmes como estes rasgam uma cortina perante os olhos dos espectadores ingleses (e mundiais), revelando realidades escondidas, personagens esquecidas, rostos banais, mas de uma formosura inatacável. Rita Tushingham, por exemplo, é uma revelação espantosa, sem a beleza arquétipa das “actrizes de cinema”, ela é uma rapariga retirada da rua, sem retoque nem maquilhagem, mas densa, difícil de arquivar num estereótipo tradicional, multifacetada, viva. O mesmo se pode dizer de Murray Melvin, que compõe um dos mais apaixonantes retratos de homossexuais de toda a história do cinema, jogando com um rigor e uma austeridade de processos invulgares.
Esta evocação dos anos 60 em Lancashire, nas margens do rio Irwell, é mais uma aprendizagem da vida, a dolorosa entrada na maturidade, com tudo o que isso representa de dor e de desilusão, mas igualmente com a descoberta de algumas alegrias. “A Taste Of Honey” é, por outro lado, um típico exemplo do “kitchen sink drama” que chama a atenção para vidas marginalizadas, complexas, bastante afastadas dos dramas habituais da burguesia bem instalada na vida.

UMA GOTA DE MEL
Título original: A Taste of Honey
Realização: Tony Richardson (Inglaterra, 1961); Argumento: Tony Richardson, Shelagh Delaney, segundo peça teatral desta última; Produção: Tony Richardson; Música: John Addison; Fotografia (p/b): Walter Lassally; Montagem: Antony Gibbs; Direcção artística: Ralph W. Brinton; Guarda-roupa: Sophie Devine, Barbara Gillett; Maquilhagem: George Frost, Bill Griffiths; Direcção de Produção: Leigh Aman, Roy Millichip; Assistentes de realização: Peter Yates; Departamento de arte: Ted Marshall;  Som: Don Challis, Roy Hyde, Charles Poulton; Companhia de produção: Woodfall Film Productions; Intérpretes: Dora Bryan (Helen), Robert Stephens (Peter Smith), Rita Tushingham (Jo), Murray Melvin (Geoffrey Ingham), Paul Danquah (Jimmy), Michael Bilton, Eunice Black, David Boliver, Margo Cunningham, A. Goodman. John Harrison, Veronica Howard, Moira Kaye, Graham Roberts, Valerie Scarden, Rosalie Scase, Herbert Smith, Jack Yarker, Hazel Blears, Linda Lewis, Janet Rugg, etc. Duração: 100 minutos; Distribuição em Portugal (DVD): Edivisa; Classificação etária: M/ 12 anos.

RITA TUSHINGHAM (1942 - )
Rita Tushingham nasceu a 14 de Março de 1942, em Garston, Liverpool, Lancashire, Inglaterra. Estudou numa escola religiosa, La Sagesse, em Liverpool, cidade onde haveria de se estrear no teatro, na Liverpool Playhouse. Já como profissional apareceu em inúmeras peças de teatro durante a década de 60, na English Stage Company, no Royal Court Theatre: “The Changeling” (1961), “The Kitchen” (1961), “A Midsummer Night's Dream” (1962), “Twelfth Night” (1962), ou “The Knack” (1962). Descoberta por Tony Richardson, que a estreou no cinema, em “A Taste of Honey”, em 1961, uma adaptação da peça teatral de Shelagh Delaney, uma das mais características do “kitchen sink drama”. Esta obra ganharia diversos prémios nos British Film Awards, entre os quais o de Melhor Actriz Revelação. Tushingham tornou-se rapidamente um dos símbolos do “Free Cinema” e lançar-se-ia numa carreira que reuniu títulos marcantes: “Girl with Green Eyes” (1963), “The Leather Boys” (1964),”The Knack …and How to Get It” (1965), “Doctor Zhivago” (1965), “The Trap” (1966), “Smashing Time” (1967), “The Bed Sitting Room” (1969) ou “The 'Human' Factor” (1975), “Being Julia” (2004).
Casada com o fotógrafo Terry Bicknell (1962 - ?), de quem teve duas filhas, Dodonna Bicknell e Aisha Bicknell. Esta última esteve muito doente com cancro, em 2005, quando tinha 33 anos, mas salvou-se, o que levou mãe e filha a participarem, a partir daí, em campanhas de sensibilização sobre o cancro, tornando-se activistas. Divorciada, casaria com o director de fotografia iraquiano Ousama Rawi (? - 1996), indo viver para o Canadá durante uma longa temporada. Em finais dos anos 90, passou a dividir-se entre Londres e a Alemanha, onde vive com o escritor Hans-Heinrich Ziemann.

Filmografia
Como actriz
1961: A Taste of Honey (Uma Gota de Mel), de Tony Richardson; 1963: A Place to Go, de Basil Dearden; 1964: The Leather Boys, de Sidney J. Furie; Girl with Green Eyes, de Desmond Davis; The Human Jungle (TV); 1965: The Knack ...and How to Get It (Lições de Sedução), de Richard Lester; Doctor Zhivago (Doutor Jivago), de David Lean; 1966: The Trap (A Armadilha), de Sidney Hayers; 1967: Smashing Time  (Duas Raparigas em Londres), de  Desmond Davis; 1968: Diamonds for Breakfast (Diamantes ao Pequeno - Almoço), de Christopher Morahan;  1969: The Guru, de James Ivory; The Bed Sitting Room (O Quarto-sala), de Richard Lester; 1972: Straight on Till Morning (Até ao Amanhecer), de Peter Collinson; 1973: Situation, de  Peter Patzak; Where Do You Go from Here?; Armchair Theatre (TV); 1974: Rachel's Man, de Moshé Mizrahi; No Strings (TV); Comedy Playhouse (TV); Fischia il sesso, de Gian Luigi Polidoro; 1975: The 'Human' Factor, de Edward Dmytryk; 1976: Ragazzo di Borgata, de Giulio Paradisi; 1977: Gran Bollito, de Mauro Bolognini; Pane, Burro e Marmellata, de Giorgio Capitani; Green Eyes (TV); 1978: Mysteries (O Visitante Misterioso), de Paul de Lussanet; 1980: Lady Killers (TV); 1982: Spaghetti House, de Giulio Paradisi; Bekenntnisse des Hochstaplers Felix Krull (TV); 1984: Seeing Things (TV); 1985: ABC Weekend Specials (TV); 1986: A Judgment in Stone, de Ousama Rawi; Flying (A Campeã), de Paul Lynch; 1988: The Legendary Life of Ernest Hemingway, de José María Sánchez; Bread (TV); 1989: Hard Days, Hard Nights, de Horst Königstein; Resurrected, de Paul Greengrass; 1990: Sunday Pursuit (Perseguição de Domingo), de Mai Zetterling (curta-metragem); 1991: Dieter Gütt - ein Journalist (TV); 1992: A Csalás gyönyöre, de Lívia Gyarmathy; Papierowe malzenstwo, de Krzysztof Lang; Hamburger Gift (TV); 1994: Gospel According to Harry, de Lech Majewski; 1995: An Awfully Big Adventure, de Mike Newell; 1996: The Boy from Mercury, de Martin Duffy; 1997: Under the Skin, de Carine Adler; 1998: Nächte mit Joan (TV); 1999: Swing, de Nick Mead; 2000: Out of Depth, de Simon Marshall; Home Ground, de Jonathan Haren (curta-metragem); 2002: The Stretford Wives (TV); Helen West (TV); 2003: Life Beyond the Box (TV); 2004: Being Julia (As Paixões de Júlia), de István Szabó; 2005: Loneliness and the Modern Pentathlon, de Daria Martin (curta-metragem); New Tricks (TV); 2006: Angel Cake (TV); Agatha Christie's Marple (TV); 2007: Puffball (Filhos do Oculto), de Nicolas Roeg; Il Nascondiglio, de Pupi Avati; 2008: Come Here Today, de Simon Aboud (curta-metragem); Broken Lines, de Sallie Aprahamian; Telstar, de Nick Moran; Sight Test, de Joseph Knowles (curta-metragem); 2009: The Calling, de Jan Dunn; 2011: Seamonsters, de Julian Kerridge; Bedlam (TV); 2012: Outside Bet, de Sacha Bennett; 2013: The Wee Man, de Ray Burdis.

SHELAGH DELANEY 
(1938-2011)
Shelagh Delaney nasceu a 25 de Novembro de 1938, em Broughton, Salford, Lancashire, Inglaterra, tendo falecido a 20 de Novembro de 2011, em Suffolk, Inglaterra, com 72 anos, vítima de cancro. A família tinha ascendência irlandesa, o pai era controlador de bilhetes nos autocarros. Estudou na Broughton Secondary Modern School. Interessa-se por teatro desde muito nova. Um dia vê a peça de Terence Rattigan, “Variations on a Theme”, na Manchester's Opera House, e acha que é capaz de fazer melhor. Sobretudo no que diz respeito à descrição das personagens homossexuais e femininas. Escreve em duas semanas a sua primeira peça, “A Taste of Honey”, que é aceite por Joan Littlewood no seu Theatre Workshop. É desde logo ligada ao movimento “Kitchen sink realism” e igualmente aos “Angry Young Men”, designação que nunca aceita e que afirma detestar.
A primeira representação de “A Taste of Honey”, que decorre na sua terra natal, Salford, acontece a 27 de Maio de 1958, passando depois ao West End, onde se prolonga por 368 representações, a partir de Janeiro de 1959. Mais tarde, em 1960, estreia-se na Broadway, com encenação de Tony Richardson e interpretação de Joan Plowright e Angela Lansbury. É considerada a peça mais representada de uma escritora inglesa do pós-guerra.  Em 1961, escreve, conjuntamente com Tony Richardsono argumento cinematográfico de “Uma Gota de Mel”, com o qual ganhou os prémios de Melhor Argumento dos BAFTA e do Writers' Guild of Great Britain Award em 1962. Delaney escreveu ainda outros argumentos para cinema: “The White Bus”, “Charlie Bubbles” (ambos em 1967) e “Dance with a Stranger” (1985). Ciou igualmente peças para rádio: “Tell Me a Film” (2003), “Country Life” (2004) e ainda “Whoopi Goldberg's Country Life (2010). “Sweetly Sings the Donkey”, uma colecção de contos, é editada em 1963. Shelagh Delaney, e sobretudo a sua peça “A Taste of Honey”, teve uma grande influência na música do seu tempo, nomeadamente em The Smiths e Morrissey. Mas a canção do mesmo nome foi composta por Bobby Scott e Ric Marlow, havendo depois várias versões, entre as quais o cover instrumental de Herb Alpert and the Tijuana Brass, ou a versão, de 1964, cantada por Tony Bennett. Um ano antes, os Beatles lançaram o álbum “Please Please Me”, onde aparecia o tema, produzido por George Martin e cantado por Paul McCartney.
Principais peças de teatro: “A Taste of Honey”, “The Lion in Love” (1960), “The White Bus”, “Charlie Bubbles”, “Dance With a Stranger”.

A relação de Shelagh Delaney, com o cinema e a televisão foi muito intensa. Para lá da versão de “Uma Gota de Mel”, assinada por Tony Richardson (1961), há a assinalar, além de algumas outras adaptações para televisão, "Charlie Bubbles" (Um Homem e a Sua História), de Albert Finney (1967), com Albert Finney, Colin Blakely e Billie Whitelaw, “The White Bus”, de  Lindsay Anderson (1967), "Dance with a Stranger" (Dança Fatal), de Mike Newell (1985), com  Miranda Richardson, Rupert Everett e Ian Holm, ou “Three Days in August”, de Jan Jung (1992), uma co-produção russa-norte-americana. Em Portugal, Artur Ramos, em 1994, dirigiu uma versão televisiva de “Um Sabor a Mel”, com base numa encenação de João Lourenço, com Irene Cruz, Cristina Carvalhal, Rogério Samora, Miguel Hurst, André Maia, Paulo Curado e Melim Teixeira.

SESSÃO 19: 10 DE JUNHO DE 2014


A ALDEIA DOS MALDITOS (1960)

“Village of the Damned”, rodado em Inglaterra, em 1960, por Wolf Rilla, é um objecto raro no domínio da ficção científica, apesar de se inscrever numa tradição de obras que proliferaram depois da II Guerra Mundial e que acompanharam o desenvolvimento da Guerra Fria, entre o Ocidente, sobretudo os EUA, e a União Soviética e o bloco de Leste. Referimo-nos a filmes que anunciavam catastróficas invasões de extra-terrestres e outras ameaças semelhantes, o que para muitos era uma forma de metaforicamente se aludir, a Oeste, aos anunciados ataques da URSS com armas nucleares.
O projecto tem uma história curiosa, pois foi iniciado nos EUA, através dos estúdios da MGM, e poderia ter como protagonista Ronald Colman. Acontece que, depois de alguma polémica interna, os estúdios resolveram não produzir o filme no seu território, dado que havia interpretações inflamadas sobre o facto de surgir uma virgem que dá à luz uma criança. Por isso se achou mais correcto transferir a produção para a MGM-UK, oferecendo o principal papel a George Sanders, um actor nascido na Rússia, de pais ingleses, e que fez quase toda a sua carreira entre Inglaterra e os EUA, e sendo entregue a realização a Wolf Rilla, nascido na Alemanha e exilado em Londres, depois da subida ao poder de Hitler.

Ronald Kinnoch (que assinou com o pseudónimo de "George Barclay"), Stirling Silliphant e o próprio Wolf Rilla escreveram a adaptação do romance de John Wyndham, "The Midwich Cuckoos", que está na base de “A Aldeia dos Malditos”. Como começámos por afirmar, este é um objecto raro no domínio da ficção científica, dado que a obra consegue manter um muito apreciável suspense e uma fortíssima dose de angustiante terror, não usando quase nenhum tipo de efeitos especiais e jogando, sobretudo, com um inquietante clima muito bem conseguido quer pelo doseado argumento, desenvolvido com perícia, quer pela sóbria mas eficaz realização, quer pela interpretação, onde se destaca o trabalho de George Sanders, um magnífico actor, mas também pela contribuição de um perturbador grupo de crianças. O filme foi um sucesso enorme, tendo custado cerca de 82 mil dólares e conseguindo na estreia nos EUA mais de um milhão e meio de dólares. Justificou mesmo uma sequela, “Uma Aventura Fantástica” (Children of the Damned), assinada por Anton M. Leader, em 1964, e com um elenco encabeçado por Ian Hendry, Alan Badel e Barbara Ferris, mas o resultado ficou muito aquém do original.
Numa pequena cidade do Midwich inglês, durante uma tarde aprazível e perfeitamente normal, acontecem factos altamente alarmantes: todos os seres vivos, pessoas e animais, sucumbem a uma estranha letargia. Durante um certo lapso de tempo, a região ficou incontactável, os telefones não respondem, e quem se aproxima, de carro ou a pé, cede à mesma pesada dormência. O tempo parou, nada se movimenta. A polícia procura investigar, as altas autoridades da nação inquietam-se, são enviados reforços militares, ninguém encontra uma resposta para explicar o sucedido, mas, tal como veio, o fenómeno desaparece, os animais reanimam-se e as pessoas regressam ao trabalho e à sua vida normal, sem se lembrarem do que quer que seja. Mas, meses depois, começam a nascer crianças, de cabelos louros e de olhos iluminados e penetrantes. Crianças que só as mães sabem ser suas. Que crescem e passam a funcionar como grupo e a amaldiçoar a terra que as viu nascer e que controlam com poderes especiais. Qualquer um obedece às suas ordens e instalam o caos por onde passam. É o terror e mais não se pode dizer… Esta é a “Aldeia dos Malditos”.

O preto e branco da fotografia funciona plenamente neste arrepiante suspense onde se invertem os habituais papéis de vítimas e carrascos. Aqui são as crianças as portadoras do Mal, as crianças que são normalmente vistas como as mais frágeis e indefesas mártires nesse género de obras. É com as mulheres e com as crianças que o público mais facilmente se identifica e por quem mais rapidamente sofre. Mas aqui as mulheres são as mães que geram as crianças que se assumem como o verdadeiro pesadelo. Um argumento engenhoso, invulgar, no mínimo perturbante. Nada de monstros, nada de rituais sangrentos, nada de perseguições estridentes. Apenas a presença de louras crianças de olhos penetrantes e … mentes diabólicas.
Em 1995, o americano John Carpenter, mestre no género, volta ao tema, com um remake bastante bom, o que não costuma acontecer (os remakes habitualmente não atingem a qualidade dos originais). “Village of the Damned” ou “John Carpenter's Village of the Damned", que em Portugal recebeu o título “A Cidade dos Malditos”, ostentava um bom conjunto de actores, Christopher Reeve, Kirstie Alley, Linda Kozlowski, Michael Paré, Meredith Salenger e Mark Hamill, e passando para os EUA a história mantinha todo o suspense, somando-lhe se possível, maiores conotações políticas. Um bom tema, portante, que tudo indica ainda não se ter esgotado.

A ALDEIA DOS MALDITOS
Título original: Village of the Damned
Realização: Wolf Rilla (Inglaterra, 1960); Argumento: Stirling Silliphant, Wolf Rilla, George Barclay (Ronald Kinnoch), segundo romance de John Wyndham ("The Midwich Cuckoos"); Produção: Ronald Kinnoch; Música: Ron Goodwin; Fotografia (p/b):  Geoffrey Faithfull; Montagem: Gordon Hales; Casting: Irene Howard; Direcção artística: Ivan King; Maquilhagem: Eric Aylott, Joan Johnstone; Direcção de Produção:  Denis Johnson; Assistentes de realização: David Middlemas; Som: Cyril Swern, A.W. Watkins; Efeitos visuais Tom Howard; Companhias de produção:Metro-Goldwyn-Mayer British Studios; Intérpretes: George Sanders (Gordon Zellaby), Barbara Shelley (Anthea Zellaby), Martin Stephens (David Zellaby), Michael Gwynn (Alan Bernard), Laurence Naismith (Doutor Willers), Richard Warner (Harrington), Jenny Laird (Mrs. Harrington), Sarah Long (Evelyn Harrington), Thomas Heathcote (James Pawle), Charlotte Mitchell (Janet Pawle), Pamela Buck (Milly Hughes), Rosamund Greenwood (Miss Ogle), Susan Richards, Bernard Archard, Peter Vaughan (P.C. Gobby), John Phillips, Richard Vernon, John Stuart, Keith Pyott, Alexander Archdale, Sheila Robins, Tom Bowman, Anthony Harrison, Diane Aubrey, Gerald Paris, Bruno (o cão), e ainda as crianças June Cowell, Linda Bateson, John Kelly, Carlo Cura, Lesley Scoble, Mark Milleham, Roger Malik, Elizabeth Mundle, Teri Scoble, Peter Preidel, Peter Taylor, Howard Knight, Brian Smith, Janice Howley, Paul Norman, Robert Marks, John Bush, Billy Lawrence, etc. Duração: 77 minutos; Distribuição em Portugal: Warner (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos.

WOLF RILLA (1920-2005)
Nasceu em Berlim, Alemanha, a 16 de Março de 1920, e viria a falecer a 19 de Outubro de 2005, em Provence, França. Filho do actor alemão Walter Rilla que, por ser judeu, quando da subida ao poder de Hitler se transferiu com a família para Londres, Inglaterra. Depois de concluída a sua educação, começou a trabalhar na BBC World Review, em 1942, passando depois para os serviços noticiosos. Posteriormente, ingressa no Group 3, a produtora formada por Michael Balcon, John Baxter e John Grierson e realiza “The End of the Road” (1957). “Coração não Batas Mais” (1958) é um sucesso comercial, mas será em 1960, com “A Aldeia dos Malditos”, produzido pela MGM inglesa, que Wolf Rilla conhece o seu maior sucesso, que o coloca definitivamente na história do cinema.
Foi professor na International Film School de Londres, e escreveu um tratado de cinema que ainda hoje é bem recebido: "A-Z of Movie Making" (1970). Retirado do cinema, abriu com a mulher, Shirley, um hotel/restaurante, “Le Moulin de la Camandoule”, em Fayence, na Provence, França. Aí morreu, de morte natural, em 2005.

Filmografia:
Como realizador: 1953: Noose for a Lady; Glad TIdings; The Large Rope; Marilyn; 1954: The Black Rider; Stock Car; 1955: The Blue Peter; Fabian of the Yard (série TV) (1 episódio); 1956: Pacific Destiny (Destino ao Pacífico); The Scarlet Pimpernel (série TV) (2 episódios); 1957: The End of the Road; The Scamp; The Adventures of Aggie (série TV) (1 episódio); 1957-1958: Sailor of Fortune (série TV) (2 episódios); 1958: Bachelor of Hearts (Coração não batas mais); Armchair Theatre (série TV) (1 episódio); 1959: Jessy; Witness in the Dark; 1960: Die zornigen jungen Männer; Village of the Damned (A Aldeia dos Malditos); Piccadilly Third Stop; 1961: Watch it, Sailor!; 1962-1965: Zero One (série TV) (3 episódios); 1963: The World Ten Times Over; Cairo; 1965: Os Vingadores (série TV) (1 episódio); 1968: Pax?; 1973: Secrets of a Door-to-Door Salesman; 1975: Bedtime with Rosie.

GEORGE SANDERS (1906-1972)
George Henry Sanders nasceu a 3 de Julho de 1906, em St. Petersburg, Rússia, e viria a falecer no dia 25 de Abril de 1972 , em Castelldefels, Barcelona, Espanha. Causa: suicídio. Filho de mãe russa e de pai inglês, foi educado em Inglaterra (Bedales School, Brighton College) e, mais tarde, naturalizou-se inglês. Antes de se estrear como actor, passou por vários empregos, tendo ajudado o pai na indústria do tabaco. Em 1934, estreia-se no cinema. Rapidamente se tornou um actor reconhecido internacionalmente, passando a dividir a carreira entre Inglaterra e os EUA. Entre meados dos anos 40 e meados dos anos 60 do século XX, situam-se os seus principais triunfos, entre os quais “O Fantasma Apaixonado”, “Amber Eterna”, “O Leque de Lady Windermere”, “O Milagre do Quadro”, “Viagem em  Itália”, “O Tesouro do Barba Ruiva”, “A Casaca Vermelha”, “Cidade nas Trevas”, "Rebecca", "Sansão e Dalila", "Salomão e a Rainha de Sabá", "O Retrato de Dorian Gray", "Ivanhoe" e “A Aldeia dos Malditos”.  Pela sua participação em “Eva” ganhou o Oscar de Melhor Actor Secundário de 1950. Casado com Susan Larson (1940 - 1949), Zsa Zsa Gabor (1949 - 1954) Benita Hume (1959 - 1967) e Magda Gabor (1970 - 1971). Zsa Zsa Gabor e Magda Gabor, actrizes, eram irmãs.
Aos 65 anos, George Sanders suicida-se, num hotel de Castelldefels, perto de Barcelona (tinha mantido até pouco antes uma casa em Maiorca, de que muito gostava, e que vendera) e deixou uma carta de despedida:  "Querido mundo, vou-me embora porque estou aborrecido. Já vivi bastante. Deixo-vos com as vossas preocupações, neste delicioso esgoto. Boa sorte."
Assinou uma autobiografia, “Memoirs of a Professional Cad” (1960), e dois romances policiais, "Crime On My Hands", escrito pelo escritor-fantasma Craig Rice, a quem Sanders dedica a obra, e "Stranger at Home", escrito realmente por Leigh Brackett (a quem Sanders volta a dedicar a obra). Foi a sua fama como intérprete de duas figuras de obras de mistério e crime, "Saint" e "Falcon", que justificaram esses romances. Em 1958, Sanders gravou um álbum musical, “The George Sanders Touch: Songs for the Lovely Lady”. O seu nome aparece em duas estrelas no Hollywood Walk of Fame, uma para filmes de cinema, em 1636 Vine Street, e outra pela sua contribuição para a televisão, em 7007 Hollywood Boulevard.

Filmografia:

Como actor: 1934: Love, Life and Laughter, de Maurice Elvey; 1936: Things to come (A Vida Futura), de William Cameron Menzies (não creditado); The Man Who Could Work Miracles (O Homem que Podia Fazer Milagres), de Lothar Mendes; Dishonour Bright, de Tom Walls; Find the Lady, de Roland Grillette; Strange Cargo, de Lawrence Huntington; Lloyd's of London (Lloyds de Londres), de Henry King; 1937: Love Is News, de Tay Garnett; Slave Ship (O Navio Negreiro), de Tay Garnett; The Lady Escapes (Feitiço Contra Feiticeiro), de Eugene Forde; Lancer Spy (O Lanceiro Espião), de Gregory Ratoff; 1938: Four Men and a Prayer (O Juramento dos Quatro), de John Ford; International Settlement (O Inferno de Xangai), de Eugene Forde; 1939: Mr. Moto's Last Warning (Mr. Moto no Fundo do Mar), de Norman Foster; So This is London de Thornton Freeland; The Outsider, de Paul L. Stein; The Saint Strikes Back (O 'Saint' Revolta-se),  de John Farrow; The Saint in London (O 'Saint' em Londres), de John Paddy Carstairs; Nurse Edith Cavell (O Caso Edith Cavell), de Herbert Wilcox; Allegheny Uprising (O Primeiro Rebelde), de William A. Seiter; Confessions of a Nazi Spy (Confissão de Um Espião Nazi), de Anatole Litvak; 1940: Green Hell (O Inferno Verde), de James Whale; The Saint's Double Trouble, de Jack Hively; The Saint Takes Over, de Jack Hively; 1940: Bitter Sweet (Sempre Noivos), de W. S. Van Dyke; The Son of Monte Cristo (O Filho do Conde de Monte Cristo), de Rowland V. Lee; The House of Seven Gables (A Casa das Sete Torres), de Joe May; Rebecca (Rebecca), de Alfred Hitchcock; Foreign Correspondant (Correspondente de Guerra), de Alfred Hitchcock; 1941: The Saint in Palm Springs, de Jack Hively; The Gay Falcon, de Irving Reis; Man Hunt (Feras Humanas), de Fritz Lang; Rage in Heaven (Tempestade), de W.S. Van Dyke; Sundown (Eram Cinco Heróis), de Henry Hathaway; 1942: A Date With the Falcon (Falcão, o Terror dos Mares), de Irving Reis; The Falcon Takes Over (Falcão Detective), de Irving Reis; The Falcon's Brother (O Irmão Vingador), de Stanley Logan; Son of Fury (O Aventureiro dos Mares do Sul), de John Cromwell; The Black Swan (O Pirata Negro), de Henry King; Tales of Manhattan (Seis Destinos), de Julien Duvivier; Her Cardboard Lover, de George Cukor; The Moon and Sixpence (Mesmo Assim Elas Amavam-no), de Albert Lewin; Quiet Please, Murder, de John Larkin; 1943: They Came to Blow up America, de Edward Ludwig; 1943: Paris After Dark, de Léonide Moguy; Appointment in Berlin (Encontro em Berlim), de Alfred Green; This Land is Mine (Esta Terra é Minha), de Jean Renoir; 1944: The Lodger (Jack, o Estripador), de John Brahm; Action in Arabia (Zona Internacional), de Léonide Moguy; Summer Storm (Tempestade de Verão), de Douglas Sirk; 1945: Hangover Square (Concerto Fantástico), de John Brahm; The Strange Affair of Uncle Harry (Veneno que Liberta), de Robert Siodmak; The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray), de Albert Lewin; 1946: A Scandal in Paris (Escândalo em Paris), de Douglas Sirk; The Strange Woman (Uma Mulher Estranha), de Edgar G. Ulmer; 1947: The Private Affairs of Bel Ami (Bel Ami), de Albert Lewin; Lured (Oito Desaparecidas),  de Douglas Sirk; The Ghost and Mrs Muir (O Fantasma Apaixonado) de Joseph L. Mankiewicz; Forever Amber (Amber Eterna), de Otto Preminger; 1949: The Fan (O Leque de Lady Windermere), de Otto Preminger; Samson and Delilah (Sansão e Dalila), de Cecil B. De Mille; 1950: All about Eve (Eva), de Joseph L. Mankiewicz; Black Jack (Jack o Negro), de Julien Duvivier e José Antonio Nieves Conde; 1951: I Can Get it For You Wholesale (Ambição de Mulher), de Michael Gordon; 1952: The Light Touch (O Milagre do Quadro), de Richard Brooks; Ivanhoe (Ivanhoe, O Vingador do Rei), de Richard Thorpe; Assignment Paris (Intriga em Paris), de Robert Parrish; 1953: Call Me Madam (Sua Excelência a Embaixatriz), de Walter Lang; 1954: Viaggio in Italia (Viagem em  Itália), de Roberto Rossellini; Witness to Murder (A Testemunha do Crime), de Roy Rowland; King Richard and the Crusaders (O Talismã), de David Butler; 1955: Jupiter's Darling (A Favorita de Júpiter), de George Sidney; Moonfleet (O Tesouro do Barba Ruiva), de Fritz Lang; The Scarlet Coat (A Casaca Vermelha), de John Sturges; The King's Thief (O Ladrão do Rei), de Robert Z. Leonard;  The 20th Century-Fox Hour (série de TV); 1956: That certain feeling (O Tal Sentimento), de Melvin Frank e Norman Panama; Never Say Goodby (Nunca Digas Adeus) de Jerry Hopper; While the City Sleeps (Cidade nas Trevas), de Fritz Lang; Death of a Scoundrel (Amores de Um Canalha), de Charles Martin; Screen Directors Playhouse (série de TV); The Ford Television Theatre (série de TV); 1956-1961: General Electric Theater (série de TV); 1957: The Seventh Sin (O Sétimo Pecado), de Ronald Neame; The George Sanders Mystery Theater (série de TV); 1958: The Whole Truth (Um Crime na Riviera), de Dan Cohen e John Guillermin; Rock-a-Bye Baby (Jerry Ama-Seca), de Jerry Lewis (cena retirada na montagem final); From the Earth to the Moon (Da Terra à Lua), de Byron Haskin; Decision (série de TV);  Schlitz Playhouse of Stars (série de TV); 1959: Solomon and Sheba (Salomão e a Raínha de Saba), de King Vidor; That Kind of Woman (Uma Certa Mulher) de Sidney Lumet; A Touch of Larceny, de Guy Hamilton; 1960: Bluebeard's Ten Honeymoons (As Dez Mulheres de Barba Azul), de W. Lee Wilder; The Last Voyage, de Andrew L. Stone; Village of the Damned (A Aldeia dos Malditos), de Wolf Rilla; Alcoa Theatre (série de TV); 1961: Cone of Silence, de Charles Frend; Five Golden Hours (O Cangalheiro e as Viúvas), de Mario Zampi; The Rebel, de Robert Day; Le Rendez-vous (Rendez-vous ), de Jean Delannoy; 1962: Operation Snatch, de Robert Day; In search of the Castaways, de Robert Stevenson; Checkmate (série de TV); 1963: Cairo (Cairo), de Wolf Rilla; Il Mondo di Notte, numero 3,  de Gianni Proia; The Cracksman, de Peter Graham Scott; 1964: L'Intrigo (Intriga), de George Marshall e Vittorio Sala; A Shot in the Dark (Um Tiro às Escuras), de Blake Edwards; The Golden Head, de Richard Thorpe e James Hill; F.B.I. Operazione Baalbeck, de Marcello Giannini; 1965: The Amorous Adventures of Moll Flanders (A Vida Amorosa de Molly Flanders), de Terence Young; Voyage to the Bottom of the Sea (série de TV); The Rogues (série de TV); 1966: The Quiller Memorandum (O Processo Quiller), de Michael Anderson; Einer spielt falsch (Mala Diplomática para o Cairo), de Menahem Golan; Batman (série de TV); Daniel Boone (série de TV); The Man from U.N.C.L.E. (série de TV); 1967: Warning Shot (Tiro de Aviso), de Buzz Kulik; Good Times, de  William Friedkin; The Jungle Book (O Livro da Selva), animação, de Wolfgang Reitherman (só voz do tigre); 1968: Caccia ai violenti, de Nino Scolaro, Sandy Howard; Laura (telefilme); 1969: The Candy Man, de Herbert J. Leder; The Body Stealers, de Gerry Levy; The Best House in London, de Philip Saville; Die sieben Männer der Sumuru, de  Jesús Franco  (Jess Franco); 1970: The Kremlin Letter (A Carta do Kremlin), de John Huston; Appuntamento col Disonore, de  Adriano Bolzoni; ITV Saturday Night Theatre (série de TV); 1971: Missão Impossível (série de TV); 1972: Doomwatch, de Peter Sasdy; Endless Night (Noite Sem Fim), de Sidney Gilliat; 1973: Psychomania, de Don Sharp.

SESSÃO 18: 3 DE JUNHO DE 2014


SÁBADO À NOITE, 
DOMINGO DE MANHÃ (1960)
“Saturday Night and Sunday Morning”, de Karel Reisz, segundo um romance, em grande parte autobiográfico, de Alan Sillitoe, um dos “angry young men”, é outro dos títulos mais importantes do lançamento do “Free Cinema”, estabelecendo, juntamente com “Look Back in Anger”, o paradigma deste movimento cinematográfico ao nível da longa-metragem de ficção, quer pela escolha das personagens, quer pelo seu enquadramento social. De novo nos encontramos nos meios operários ingleses, com uma figura masculina de forte presença e de indisfarçável irreverência e revolta contra a ordem estabelecida na Inglaterra dos anos 50-60, mas expressando-se através de um comportamento conflituoso, amoral, inconsequente, muito distante dos heróis positivos da revolta marxista proposta por alguns filmes do realismo socialista ou mesmo de certas obras mais ortodoxas do neo-realismo italiano, para só citar duas tendências. Arthur Seaton, personagem interpretada por Albert Finney, sabe o que não quer, apesar de não saber muito bem o que pretende da vida. Há uma frase marcante nesta obra: “Whatever people say I am, that’s what I am not!” (Qualquer coisa que as pessoas digam que eu sou, é o que eu não sou!). Neste particular, os anti-heróis do “Free Cinema” aproximam-se muto dos seus “irmãos” norte americanos surgidos na década de 50, como James Dean (“Fúria de Viver”) ou Marlon Brando (“O Selvagem” ou “Um Eléctrico Chamado Desejo”).
O que se pressente nestas obras, bem como nalgumas outras que se seguiram, é um inconformismo, um desajustamento da juventude, nomeadamente operária, em relação ao condicionalismo da sociedade onde se inscreve, o que causa rebeldia, social e moral, inquietação, nalguns casos sintomas de comportamentos neuróticos, associais. As figuras centrais destas obras explodem numa raiva que aparentemente não tem um sentido, que procura sobretudo dinamitar o cinzentismo de um quotidiano rotineiro, sem horizontes, sem outras perspectivas que não sejam prolongar o dia-a-dia nos bairros suburbanos de casa de tijolo vermelho, frente à televisão, nos pubs inundados de cerveja, na demonstração de uma virilidade vazia em refregas de rua, nas fugas transgressoras de uma sexualidade bravia…
Numa cidade sem história da Inglaterra profunda, Arthur Seaton é-nos apresentado numa sequência antológica, no interior de uma fábrica de bicicletas (algo por que passou na juventude o escritor Alan Sillitoe). É um espaço enorme, imbuído num ruído constante, onde as personagens humanas se perdem, são números de uma engrenagem industrial. Trata-se de um plano de conjunto que, pela profundidade de campo, pela aspereza do som, pela mecanização dos gestos (que relembra “Tempos Modernos” de Chaplin), pelas duras condições de trabalho que deixa antever, se torna facilmente opressivo. Arthur revela-se desde logo uma peça de um conjunto, mas ao mesmo tempo, um rebelde. Ele vai contando:  “nine hundred and fifty four, nine hundred and fifty “bloody” five,...” E vai mais longe, na sua ideia de vida: “What I’m out for is a good time. All the rest is propaganda!” (“O que me importa é aproveitar a vida. Tudo o resto é propaganda!”).
Quando regressa a casa, nada de excitante o espera, para lá da mãe a trabalhar e o pai preso à televisão. Não é esta a vida a que ele aspira: “Há muito mais para desfrutar na vida do que aquilo que os meus pais tiveram” (“There’s a lot more in life than mum and dad have got”). A fuga é o pub e as mulheres. Umas casadas, mais velhas, outras solteiras, jovens e algo inocentes. Para Arthur não há diferença. Usa-as, como o usam a ele na fábrica. Não há moral a defender. “Tudo o resto é propaganda”. Numa sociedade sem moral, Arthur é apenas mais um, que se aproveita do ambiente. Ele “não sabe a diferença entre o certo e o errado”, como lhe diz uma mulher a quem ele aconselha um aborto. Aqui e ali, um momento de genuína libertação, quando passeia pela cidade, de bicicleta, com alguns amigos, ou quando vai pescar junto ao rio.
O filme tem uma sinceridade de olhar, uma pureza de registo que magoa por vezes. A belíssima fotografia, a preto e branco, de Freddie Francis, agarra-nos pela forma como capta exteriores de ruas e interiores de casas e pubs, com uma autenticidade indiscutível.
Com esta obra, Albert Finney passou quase de imediato ao estrelato, ganhado pouco depois um Oscar com o seu trabalho em “Tom Jones”. O “Free Cinema” tinha igualmente alcançado a internacionalização, os escritores a ele ligados dominavam e os realizadores tornavam-se vedetas, rapidamente aliciados por Hollywood. Por essa altura, a “Nouvelle Vague” impunha-se em França, com conceitos semelhantes em muitos aspectos, mas obviamente com uma preocupação social um pouco diferente. Era o triunfo da ideia de um certo “cinema novo” que iria irradiar para todo o mundo, da Europa Ocidental à de Leste, à América Latina, à Ásia, inclusive até aos confins da África que ia acordando igualmente para o cinema. Em Portugal, igualmente. Fernando Lopes, que estudou em Inglaterra, por essa altura, é um herdeiro do “Free Cinema”.


SÁBADO À NOITE, DOMINGO DE MANHÃ
Título original: Saturday Night and Sunday Morning
Realização: Karel Reisz (Inglaterra, 1960); Argumento: Alan Sillitoe, segundo romance seu; Produção: Tony Richardson, Harry Saltzman; Música: John Dankworth; Fotografia (p/b): Freddie Francis; Montagem: Seth Holt; Direcção artística: Ted Marshall; Maquilhagem: Harold Fletcher, Pearl Tipaldi; Guarda-roupa:  Sophie Devine, Barbara Gillett; Direcção de Produção: Jack Rix; Assistentes de realização: Tom Pevsner; Som: Chris Greenham, Peter Handford, Bob Jones; Companhia de produção: Woodfall Film Productions; Intérpretes: Albert Finney (Arthur Seaton), Shirley Anne Field (Doreen Gratton), Rachel Roberts (Brenda), Hylda Baker (Tia Ada), Norman Rossington (Bert), Bryan Pringle (Jack), Robert Cawdron (Robboe), Edna Morris (Mrs. Bull), Elsie Wagstaff (Mrs. Seaton), Frank Pettitt (Mr.  Seaton), Avis Bunnage, Colin Blakely, Irene Richmond, Louise Dunn, Anne Blake, Peter Madden, Cameron Hall, Alister Williamson, Robert Aldous, Joy Andrews, Frank Atkinson, Roger Avon, John Barrett, Diana Chesney, Stephen Dartnell, Peter Evans, Robert Marks, Barry Mason, Bartlett Mullins, Julia Nelson, Peter Sallis, Michael Sillitoe, Jack Smethurst, Roy Spencer, etc. Duração: 89 minutos; Distribuição em Portugal: inexistente; Cópia DVD: BFI; Inglês, sem legendas; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 8 de  Fevereiro de 1963.

FREE CINEMA
O “Free Cinema” foi um movimento de jovem cinema, um pouco à semelhança do que aconteceria um pouco mais tarde em França, com a “Nouvelle Vague”, que procurou revitalizar a produção cinematográfica inglesa, mas introduzindo uma forte componente social, colocando a sua atenção nos ambientes suburbanos e no operariado, temas que se encontravam quase por completo ausentes do cinema britânico da década de 50. O movimento nasceu numa sessão pública, realizada no National Film Theatre, em Londres, a 5 de Fevereiro de 1956, e teve como impulsionadores Lindsay Anderson, Karel Reisz, Tony Richardson e Lorenza Mazzetti. O programa dessa sessão era composto por três documentários de curta-metragem: “O Dreamland”, de Lindsay Anderson, sobre um parque de diversões em Margate, Kent; “Momma Don't Allow”, de Karel Reisz e Tony Richardson, sobre um clube de jazz, em Wood Green, no norte de Londres, e “Together”, de Lorenza Mazzetti, sobre dois surdos-mudos no East End londrino despedaçado pelas bombas.
Lindsay Anderson, Karel Reisz (e Gavin Lambert) tinham fundado uma revista que se viria a destacar como porta-voz do grupo, “Sequence”. Os dois primeiros, juntamente com Lorenza Mazzetti, escreveram um manifesto de uma única folha, que seria distribuído nessa sessão inicial do “Free Cinema”: "No Film Can Be Too Personal". O manifesto foi escrito no café The Soup Kitchen, em Charing Cross, onde Mazzetti trabalhava, e rezava assim:
“Esses filmes não foram feitos em conjunto, nem com a ideia de os mostrar juntos. Mas quando os viram reunidos, sentiram que tinham uma atitude em comum. Implícita nesta atitude está a crença na liberdade, na importância das pessoas e do significado do quotidiano. / Como cineastas, acreditamos nisso. / Nenhum filme pode ser demasiado pessoal. / A imagem fala. O som amplifica e comenta. / O tamanho é irrelevante. A perfeição não é um objectivo. / Uma atitude significa um estilo. Um estilo significa uma atitude”.
Foram seis as sessões de “Free Cinema” organizadas no National Film Theatre de Londres, entre 1956 e 1959. As duas primeiras sessões e a última, a sexta, foram dedicadas a obras inglesas (Look at Britain e The Last Free Cinema) e agruparam o embrião do que viria a ser o Free Cinema. No último programa, que pode ser visto entre 18 e 22 de Março de 1959, foram apresentadas obras de Karel Reisz, “We Are the Lambeth Boys”, de Robert Vas “Refuge England”, de Michael Grigsby “Enginemen” e de Elizabeth Russell “Food for a Blush”.
O segundo programa (Setembro de 1956) apresentava filmes de Georges Franju (Le Sang des bêtes), Norman McLaren (Neighbours) e Lionel Rogosin (On the Bowery). O quarto, dedicado ao novo cinema polaco ("Polish Voices", em Setembro de 1958), dava a conhecer ao público londrino obras de, entre outros, Roman Polanski e Walerian Borowczyk). Na quinta sessão, o tema era o cinema francês ("French Renewal", igualmente em Setembro de 1958, puderam ver-se obras que pre-anunciavam a Nouvelle Vague”, como “Le Beau Serge”, de Claude Chabrol e “Les Mistons”, de François Truffaut.
Os principais realizadores saídos do Free Cinema foram Lindsay Anderson, Michael Grigsby, Karel Reisz, Tony Richardson, John Schlesinger, e Robert Vas. Entre os actores revelaram-se nomes como Alan Bates, Dirk Bogarde, Julie Christie, Tom Courtenay, Albert Finney, Richard Harris, Laurence Harvey, ou Rita Tushingham.
Entre as principais obras deste movimento devem citar-se, entre outras, 1958: Look Back in Anger, de Richardson; 1959: Room at the Top, de Jack Clayton; 1960: Saturday Night and Sunday Morning, de Reisz; 1961: A Taste of Honey, de Anderson, 1962: A Kind of Loving, de Schlesinger; 1962: The Loneliness of the Long Distance Runner, de Richardson; 1963: This Sporting Life, de Anderson; 1963: Billy Liar, de Schlesinger; 1963: Tom Jones, de Richardson,  ou 1965: Darling, de Schlesinger.

KAREL REISZ (1929-2002)
Karel Reisz nasceu a 21 de Julho de 1926, em Ostrava, Checoslováquia, e faleceu a 25 de Novembro de 2002, em Londres, Inglaterra. Reisz foi uma das 669 crianças judias salvas do Holocausto e trazidas por Sir Nicholas Winton para a Inglaterra, quando a Alemanha nazi invadiu aquele país do centro da Europa pouco antes da eclosão da II Guerra Mundial. Entretanto, os seus pais acabariam por ser mortos em Auschwitz. Estudou em Cambridge, onde, em 1947, juntamente com Lindsay Anderson, fundou a revista "Sequence". Escreveu, em 1952, um livro intitulado "Técnica de Montagem" (The Technique Of Film Editing), que permanece um dos manuais mais prestigiados neste campo. Durante a II Guerra Mundial foi piloto da RF no esquadrão Checo. Jornalista da revista de cinema "Sight and Sound". Programador do British Film Institute. Foi, juntamente com Tony Richardson, Lindsay Anderson e Lorenza Mazzetti, um dos animadores do movimento "Free Cinema" que, nos finais dos anos cinquenta, traria uma nova estética e introduziria valores sociais nos filmes ingleses, surgindo muito associado aos “angry young men”, estes mais ligados à literatura e ao teatro. Ficou também célebre a sua recusa em realizar “O Regresso de Jedi” (1983). Nos últimos anos da sua vida, dedicou-se quase em exclusivo ao teatro. Casado com Julia Coppard, de quem teve três filhos, e posteriormente Betsy Blair (1963-2002), ex-mulher de Gene Kelly, com quem permaneceu casado até ao dia da sua morte. Foi membro do Júri Internacional do Festival de Cannes em 1970 e 1983.

Filmografia
Como realizador
1955: Momma Don't Allow (documentário, curta-metragem); 1958: We Are the Lambeth Boys (documentário, média-metragem); 1959: March to Aldermaston (documentário, curta-metragem); 1960: Saturday Night and Sunday Morning (Sábado à Noite, Domingo de Manhã); 1964: Night Must Fall (Ao Caír da Noite); 1966: Morgan: A Suitable Case for Treatment (Morgan - Um Caso para Tratamento); 1968: Isadora (Isadora); 1974: The Gambler (O Vício do Jogo); 1978: Who'll Stop the Rain / Dog Soldiers (Os Guerrilheiros do Inferno); 1981: The French Lieutenant's Woman (A Amante do Tenente Francês); 1985: Sweet Dreams (Depois da Meia-noite); 1990: Everybody Wins (Corrupção na Cidade); 1994: Performance (TV) - episódio The Deep Blue Sea; 2000: Act Without Words (TV).

ALBERT FINNEY (1936- )
Albert Finney nasceu a 9 de Maio de 1936, em Salford, Greater Manchester, Inglaterra. Filho de um guarda-livros, Albert Finney viu definir-se desde muito cedo a sua carreira como actor. Aos 19 anos, estreou-se no teatro em Birmingham, no papel de Brutus, em "Julio César", de William Shakespeare. Foi Tony Richardson que o trouxe para o cinema, depois de o ver interpretar uma personagem de "Coriolano", também de Shakespeare, num palco de Londres, convidando-o para entrar em "The Entertainer" (1960). No seu filme seguinte, Finney é já o protagonista de “Saturday Night, Sunday Morning”, de Karel Reisz, onde recebe os mais rasgados elogios. Em 1963, de novo sob as ordens de Tony Richardson, é “Tom Jones”, que merece a sua primeira nomeação para o Oscar de Melhor Actor. As outras serão em “Murder on the Orient Express” (1974), “The Dresser” (1983), “Under the Volcano” (1984) e “Erin Brockovich” (2000). Apesar das nomeações, nunca ganhou o Oscar. Coleccionou, porém, diversos outros importantes prémios, e recusou, segundo consta, algumas honrarias, como o CBE (Commander of the Order of the British Empire) em 1980 e o Knighthood in 2000, destinados a sublinhar a sua contribuição para a arte de representar. Estudou na Royal Academy of Dramatic Art (RADA), de que presentemente é membro, bem como da Royal Shakespeare Company (RSC), em Stratford-Upon-Avon, onde trabalhou por diversas vezes. Como realizador dirigiu dois títulos: "Charlie Bubbles” (1968) e "The Biko Inquest" (1984), este para a TV.
Casado com Jane Wenham (1957 - 1961), Anouk Aimée (1970 - 1978) e Pene Delmage (2006 até ao presente).

Filmografia:
Como actor
No cinema: 1960: The Entertainer (O Comediante), de Tony Richardson; Saturday Night and Sunday Morning (Sábado à Noite, Domingo de Manhã), de Karel Reisz; 1963: Tom Jones (Tom Jones, Romântico e Aventureiro), de Tony Richardson; The Victors (Os Vitoriosos), de Carl Foreman; 1964: Night Must Fall (Ao Cair da Noite), de Karel Reisz; 1967: Two for the Road (Caminho para Dois), de Stanley Donen; Charlie Bubbles (Um Homem e a Sua História), de Albert Finney; 1969: The Picasso Summer, de Serge Bourguignon e Robert Sallin; 1970: Scrooge (Muito obrigado, Sr, Scrooge), de Ronald Neame; 1971: Gumshoe (Passos Silenciosos), de Stephen Frears; 1973: Alpha Beta, de Anthony Page; 1974: Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente), de Sidney Lumet; 1975: The Adventure of Sherlock Holmes' Smarter Brother (As Aventuras do Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes), de Gene Wilder (cameo, não creditado); 1977: The Duellists (O Duelo), de Ridley Scott; 1981: Loophole (A Brecha), de John Quested; Wolfen (Cidade em Pânico), de Michael Wadleigh; Looker (As Belas São Assassinadas), de Michael Crichton; 1982: Shoot the Moon (Depois do Amor), de Alan Parker; Annie (Annie), de John Huston; 1983: The Dresser (O Companheiro), de Peter Yates; 1984: Under the Volcano (Debaixo do Vulcão), de John Huston; 1987: Orphan (O Pai Adoptivo), de Alan J. Pakula; 1990: Miller's Crossing, de Joel Coen; 1992: The Playboys (Os Playboys), de Gillies MacKinnon; Rich in Love (Lucille - O Fim da Infância), de Bruce Beresdford; 1993: Rich in Love, de Bruce Beresford; 1994: The Browning Version (A Versão Browning), de Mike Figgis; 1994: A Man of No Importance (Um Homem sem Importância), de Suri Krishnamma; 1995: The Run of the Country (Uma Razão Para Lutar), de Peter Yates; 1997: Washington Square (Washington Square), de Agnieszka Holland; 1999: Breakfast of Champions (Um Homem Influente), de Alan Rudolph; Simpatico (Puro Sangue), de Matthew Warchus; 2000: Erin Brockovich (Erin Brockovich), de Steven Soderbergh; Traffic (Traffic - Ninguém Sai Ileso), de Steven Soderbergh; 2001: Hemingway, the Hunter of Death, de Sergio Dow; Delivering Milo, de Nick Castle; 2003: Big Fish (O Grande Peixe), de Tim Burton; 2004: Ocean's Twelve (Os Doze do Oceano), de Steven Soderbergh (não creditado); 2005: Corpse Bride (A Noiva Cadáver), de Tim Burton e Mike Johnson; Aspects of Love, de Gale Edwards; 2006: A Good Year (Um Ano Especial), de Ridley Scott; Amazing Grace,de Michael Apted; 2007: The Bourne Ultimatum (Ultimato), de Paul Greengrass; Before the Devil Knows you're Dead (Antes que o Diabo Saiba que Morreste), de Sidney Lumet; 2012: The Bourne Legacy (O Legado de Bourne), de Tony Gilroy; Skyfall (Skyfall), de Sam Mendes.
Na televisão: 1956: She Stoops to Conquer, de Dennis Monger; 1957: The Claverdon Road Job, de Peter Dews; 1958: BBC Sunday-Night Theatre; 1959: A Midsummer Night's Dream, de Peter Hall; Emergency-Ward 10, de Paul Bernard e John Cooper; 1975: Forget-Me-Not-Lane, de Alan Bridges; 1982: Lights, Camera, Annie! (documentário); 1984: Pope John Paul II, de Herbert Wise; The Biko Inquest, de Graham Evans e Albert Finney; 1987: A Simple Man, de Moira Shearer; 1990: The Wall: Live in Berlin, de Ken O'Neil e Roger Waters; The Image, de Peter Werner; The Endless Game, de Bryan Forbes; The Green Man, de Elijah Moshinsky; 1996: Karaoke, de Renny Rye; Cold Lazarus, de Renny Rye; 1997: Nostromo, de Alastair Reid; 1998: A Rather English Marriage, de Paul Seed; 2002: The Gathering Storm, de Richard Loncraine; 2001: My Uncle Silas, de Philip Saville; 2003: My Uncle Silas II, de Tom Clegg; My Uncle Silas, de Philip Saville; 2008: Munich the Documentary, de Phil Matthews (documentário, narrador). 
Como realizador: 1967: Charlie Bubbles (Um Homem e a Sua História); 1984: The Biko Inquest (TV).