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segunda-feira, 2 de junho de 2014

SESSÃO 23: 25 DE JUNHO DE 2014

LAWRENCE DA ARÁBIA (1962)


1.A superprodução existiu quase desde sempre no cinema. Basta recordar os filmes históricos italianos ainda na época do mudo, como “Cabíria”, ou “Os Últimos Dias de Pompeia”, ou os épicos de Griffith, “O Nascimento de Uma Nação” e “Intolerância”, igualmente mudos. Sempre se pretendeu realizar o espectáculo “único” que despertasse o interesse de um cada vez mais vasto público.
Mas nos anos 50 e 60 do século passado, a explosão da superprodução teve ainda uma outra causa bem visível. A expansão da televisão, disseminando-se por todos os lares da América e do mundo, acarretou uma forte concorrência para as salas de cinema. Os produtores responderam com filmes que não se podiam ver da mesma forma no pequeno ecrã ou numa majestosa sala equipada com Cinemascope, Cinerama, TODD-AO, VistaVision ou 70 milímetros. Surgiram assim dezenas e dezenas de superproduções que marcaram esse período. Curiosamente a grande maioria foi entregue a mestres do cinema que quase sempre provocaram problemas com os produtores. Os primeiros a tentarem criar obras pessoais com meios astronómicos, os segundos a procuram salvaguardar o capital empatado e a rentabilizá-lo o melhor possível. Em quase todos os casos, as obras finais, apesar dos protestos dos realizadores que se sentiam lesados na sua integridade, foram de grande qualidade cinematográfica e de generosos proveitos. “Spartacus”, “A Queda do Império Romano”, “El Cid”, “Os 55 Dias de Pequim”, “A Ponte do Rio Kway”, “O Gigante”, “Cleópatra”, “Os Dez Mandamentos”, “Ben Hur, “A Conquista do Oeste”, e alguns mais, mostram bem as qualidades de cineastas como Stanley Kubrick, Anthony Mann, Nicholas Ray, Cecil B. De Mille, David Lean, John Ford, William Wyller, George Stevens, Joseph L. Mankiewicz, apesar de muitos deles se terem manifestado insatisfeitos com as montagens definitivas, muitas delas surgidas depois em “director’s cut”, quando editadas em DVD, ou mesmo em reposições em salas de cinema.


Entre todas estas superproduções que deixaram boas recordações e que pouco tem a ver com os blockbusters de agora, uma existe que se impõe sobre todas as outras: “Lawrence da Arábia”.
2. O inglês David Lean é um autor da minha particular estima, sendo que, ainda por cima, o julgo injustamente avaliado e, nalguns casos, mesmo esquecido. Mas David Lean é um verdadeiro autor, com temática própria e um estilo muito definido, ainda que se possam considerar na sua filmografia, que engloba 19 títulos como realizador, dois períodos bem vincados. Um, mais intimista e discreto, muito embora alguns dos seus títulos tenham por cenário a Inglaterra vitoriana ou os palcos da guerra, e que vai desde o início da década da 40, como “Sangue, Suor e Lágrimas” (1942), “Esta Nobre Raça” (1944), “Uma Mulher do Outro Mundo” e “Breve Encontro” (ambos de 1945), passando pelas duas magnificas adaptações de obras de Charles Dickens, “Grandes Esperanças” (1946) e “As Aventuras de Oliver Twist” (1948), até chegar a “Mais Forte que o Amor” (1949), “Culpada ou Inocente?” (1950), “A Barreira Sonora” (1952) ou “As Filhas do Sr. Hobson” (1954). É um período puramente britânico, que encerra algumas obras admiráveis de sensibilidade e pudor, de elegância e contensão emocional. Com “Loucura em Veneza” (1955) David Lean deixa os cenários ingleses, passa a Veneza, e trabalha com Katharine Hepburn e Rossano Brazzi, actores de outras nacionalidades. Este é o filme que marca a transição para o seu período internacional, o mais conhecido, que encerra cinco superproduções de uma qualidade invulgar: “A Ponte do Rio Kwai” (1957) “Lawrence da Arábia” (1962) “Doutor Jivago” (1965) “A Filha de Ryan” (1970) e “Passagem Para a Índia” (1984), seu derradeiro título.
David Lean, que nascera em Croydon, Surrey, em Inglaterra, a 25 de Março de 1908, iria falecer em Londres, a 16 de Abril de 1991. Tinha 83 anos de idade e andava a projectar a realização de "Nostromo", segundo romance de Joseph Conrad.

David Lean deixou impresso na história do cinema mundial um conjunto de obras admiráveis. Para mim, “Breve Encontro” e “Lawrence da Arábia” são duas obras-primas indiscutíveis. Mas algumas mais se aproximam.
3.Thomas Edward Lawrence, inglês por nascimento, era oficial do exército, poeta, erudito e excêntrico, exibicionista e muito mais, que se tornou árabe por opção. Escreveu “O Sete Pilares da Sabedoria”, correspondia-se com Virginia Woolf, Bernard Shaw, Thomas Hardy, E.M. Forster, Robert Graves, Noel Coward, entre outros, e era amigo de Winston Churchil, em casa de quem aparecia, para jantar, vestido de árabe, para grande gáudio dos filhos deste. Dizem.
O filme, que tem argumento escrito por Robert Bolt, historiador, escritor e dramaturgo, e Michael Wilson, um dos argumentistas norte-americanos colocados na lista negra do macarthismo, parece não respeitar integralmente os acontecimentos históricos que aborda, mas oferece seguramente uma abordagem muito interessante de um período histórico conturbado. Estamos em plena I Guerra Mundial e, no Próximo Oriente, entre o Cairo, a Arábia e a Turquia, o clima é duplamente tórrido. Os árabes estão divididos entre si, com tribos rivais que se guerreiam e são dominadas pelos turcos, que por sua vez são aliados dos alemães e inimigos dos ingleses no conflito mundial.  
O filme inicia-se com o acidente de motorizada que, em 1935, vitima Lawrence, em Inglaterra, passa pelo seu funeral com honras nacionais e, através do testemunho contraditório de algumas personalidades que se cruzaram com ele, desdobra-se num flash back para o seu período passado entre os árabes. Encontramo-lo no Cairo, aborrecido com a sua vida sem agitação, ele que gosta de se pôr continuamente à prova. Consegue ser enviado como observador até junto do Príncipe Feisal, consegue congregar os esforços de tribos desavindas, e lança-as ao ataque do porto de Aqaba, dominado pelos turcos.
Os problemas decorrentes das lutas anti colonialistas são depois o cerne da obra, com Lawrence com uma visão moderna, levando os árabes a pensarem numa independência, enquanto os ingleses intimamente têm outros projectos para aquele espaço estratégico. 


O que surpreende nesta obra, em primeiro lugar, é a aparente contradição entre a estrutura de superprodução e a sua concretização, tanto a nível do argumento, extremamente rico de implicações e nuances emocionais, sexuais, sociais, políticas, militares, como no plano estilístico. Não é muito vulgar uma superprodução internacional possibilitar uma tal maturidade de questões que, muito embora incorra numa ou noutra imprecisão histórica ou nalgumas liberdades ficcionais para dar algum dramatismo ao enredo, debate temas graves e de difícil apreensão pelas plateias habituadas ao facilitismo. Na verdade não é só no plano estritamente político que o filme aborda questões essenciais. Aflora de maneira púdica e discreta o tema da violência sexual e da homossexualidade, nada vulgar em inícios da década de 60.
Mas, para lá desses aspectos que se prendem com a ficção, “Lawrence da Árabia” impõe-se ainda pelo olhar do cineasta, pelo estilo de narrativa escolhido, pela forma como a paisagem adquire um papel preponderante em todo o desenrolar da narrativa. Claro que existem sequências movimentadas e momentos de alguma intensidade bélica, mas no essencial “Lawrence da Arábia” é um filme contemplativo, onde várias personagens se confrontam e defrontam, sendo que as principais serão Lawrence e as areias do deserto. A câmara de David Lean, tal como Lawrence, deixa-se fascinar pela imensidão desse deserto infinito, pela incandescência da areia, pelas nuvens de poeira fustigadas pelo vento, e tudo isso faz desta obra um poema que tem sobrevivido aos anos e às gerações. Não será por acaso que entre todas as listas dos melhores filmes de sempre este ocupa um destacado lugar, sendo mesmo o primeiro nas preferências das melhores superproduções de sempre.
Este é ainda o trampolim decisivo para a carreira de Peter O´Toole, com uma composição brilhante, de uma discreta cintilação, que o tornará num dos maiores actores ingleses de sempre. Igualmente a esplendorosa fotografia de Freddie Young e a inspirada partitura de Maurice Jarre, compositor habitual das bandas sonoras de David Lean, ajudam ao sucesso. Um filme belíssimo. 

                                               o verdadeiro Lawrence 
LAWRENCE DA ARÁBIA
Título original: Lawrence of Arabia
Realização: David Lean (Inglaterra, 1962); Argumento: Robert Bolt, Michael Wilson (inicialmente não creditado, o que só aconteceu a partir de 1978, na cópia restaurada), segundo escritos de T.E. Lawrence; Produção: Sam Spiegel, David Lean;  Música: Maurice Jarre; Fotografia (cor): Freddie Young; Montagem: Anne V. Coates; Casting: Maude Spector; Design de produção: John Box; Direcção artística: John Stoll, Anthony Masters; Decoração:  Dario Simoni; Guarda-roupa:  Phyllis Dalton; Maquilhagem: Charles E. Parker, A.G. Scott;  Direcção de Produção: John Palmer, R.L.M. Davidson, Tadeo Villalba; Assistentes de realização: Noël Howard, André Smagghe, Roy Stevens, Bryan Coates, André De Toth (segunda unidade), Benchekroun Larbi, Michael Stevenson, David Tringham; Departamento de arte: Peter Dukelow, Eddie Fowlie;  Som: John Cox, Paddy Cunningham, Winston Ryder; Efeitos especiais: Cliff Richardson, Wally Veevers; Agradecimentos especiais (restauro de cópia 1989): Jon Davison, David Lean, Martin Scorsese, Steven Spielberg; Companhias de produção: Horizon Pictures; Intérpretes: Peter O'Toole (T.E. Lawrence), Alec Guinness (Príncipe Feisal), Anthony Quinn (Auda Abu Tayi), Jack Hawkins (General Allenby), Omar Sharif (Sherif Ali), José Ferrer (Turkish Bey), Anthony Quayle (Coronel Brighton), Claude Rains (Mr. Dryden), Arthur Kennedy (Jackson Bentley), Donald Wolfit (General Murray), I.S. Johar (Gasim), Gamil Ratib (Majid), Michel Ray (Farraj), John Dimech, Zia Mohyeddin, Howard Marion-Crawford, Jack Gwillim, Hugh Miller, Robert Rietty, John Barry, Bruce Beeby, Fred Bennett, John Bennett, Steve Birtles, Robert Bolt (oficial de cachimbo), Peter Burton, J.R.M. Chapman, Tim Clutterbuck, Barbara Cole, John Crewdson, Basil Dignam, Peter Dukelow, Mohamed El Habachi, Kenneth Fortescue, Harry Fowler, Jack Hedley, Rafael Hernández, Bert Holliday, Noel Howlett, Cher Kaoiu, Patrick Kavanagh, David Lean (motociclista no Canal de Suez), Ian MacNaughton, Clive Morton, Daniel Moynihan, Henry Oscar, George Plimpton, Bryan Pringle, Kamal Rashid, John Robinson, Norman Rossington, John Ruddock, Fernando Sancho, Stuart Saunders, Cyril Shaps, Roy Stevens, Barry Warren, etc. Duração: 216 ou: 228 minutos (Director’s cut); Distribuição em Portugal: Columbia TriStar Home Video; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 28 de Novembro de 1963.

PETER O'TOOLE 
(1932-2014)
Peter Seamus O’Toole nasceu em Connemara, Irlanda, a 2 de Agosto de 1932, e viria a falecer em Londres, a 14 de Dezembro de 2013. Filho de Jane Constance, enfermeira escocesa, e Patrick Joseph O'Toole, irlandês. Foi criado numa escola católica, o que deixou marcas na sua personalidade. Disse: “Costumava ter medo das freiras. A negação da feminilidade, os vestidos pretos e o cabelo rapado, tudo isso era horrível, terrível.” Ao sair da escola trabalhou como jornalista e fotógrafo, tendo conseguido depois, em 1952, uma bolsa de estudos na Royal Academy of Dramatic Art (RADA), onde foi colega de Albert Finney, Alan Bates ou Brian Bedford. Estreou-se no teatro, antes de aparecer na televisão em 1954. No cinema surge em 1959, num pequeno papel. É com o desempenho de T. E. Lawrence no filme de David Lean “Lawrence da Arábia” de 1962, que ganha projecção mundial. Recebeu a primeira das oito nomeações para o Oscar de Melhor Actor, que só ganhou em 2003, pela globalidade do seu trabalho (um Oscar honorário). Foi realizador de cinema em “The Stunt Man” (1980) e, em 1982, foi novamente nomeado na comédia “My Favorite Year”. Com “Man of La Mancha”(1972), adaptação do musical da Broadway de 1965, obteve um estrondoso sucesso.  Ganhou um Emmy pela sua contribuição na mini-série de 1999 “Joan of Arc”. Voltou a ser nomeado para Oscar de Melhor Actor em 2006, em “Venus”.
Em 1959, casou-se com a actriz Siân Phillips, de quem teve duas filhas, Kate (1960) e Patricia (1963). Peter e Siân divorciaram-se em 1979, com revelações de crueldade mental, em grande parte alimentada por alcoolismo, do actor. Mais tarde, envolveu-se com a modelo Karen Brown, de que nasceu um filho, Lorcan (1983). Em 1976 foi operado ao pâncreas e ao estômago em virtude dos seus excessos. Peter O'Toole faleceu aos 81 anos, em Londres, num domingo, 15 de Dezembro de 2013.

Filmografia
Como actor: 1956: A Tale of Two Pigtails; The Scarlet Pimpernel (TV Series); 1958: The Castiglioni Brothers (TV); 1959: The Long and the Short and the Tall (TV); 1959-1961:  Rendezvous (TV) - London-New York, Once a Horseplayer, End of a Good Man; 1960: Kidnapped (Raptados), de Robert Stevenson; The Savage Innocents (Sombras Brancas), de Nicholas Ray; The Day They Robbed the Bank of England (O Roubo do Banco de Inglaterra), de John Guillermin; 1962: Lawrence of Arabia (Lawrence da Arábia), de David Lean; 1964: Becket (Becket), de Peter Glenville; 1965: Lord Jim (Lord Jim), de Richard Brooks; What's New, Pussycat ? (Que há de Novo, Gatinha?), de Clive Donner; The Sandpiper (Adeus Ilusões), de Vincente Minnelli (voz); 1966: How To Steal A Million ? (Como Roubar Um Milhão), de William Wyler; 1966: The Bible: In the Beginning... (A Biblia), de John Huston; 1967: Casino Royale (Casino Royale), de John Huston; The Night of the Generals (A Noite dos Generais), de Anatole Litvak; ITV Play of the Week (TV); 1968: Great Catherine (Catarina, Imperatriz da Rússia), de Gordon Flemyng; The Lion in Winter (O Leão no Inverno), de Anthony Harvey; 1969: Goodbye, Mr. Chips (Adeus, Mr. Chips), de Herbert Ross; 1970: Country Dance, de J. Lee Thompson; 1971: Murphy's War (Duelo à Beira do Rio), de Peter Yates; Brotherly Love ou The Same Skin (Jogo na Escuridão), de Peter Yates; 1972: The Ruling Class (A Classe Dominante), de Peter Medak; 1972: Man of La Mancha (O Homem da Mancha), de Arthur Hiller; Under Milk Wood, de Andrew Sinclair; 1975: Fox Trot (Fox Trot), de Arturo Ripstein; Rosebud (O Caso Rosebud), de Otto Preminger; Man Friday (O Meu Criado Sexta-Feira) de Jack Gold; 1976: Rogue Male (TV); 1978: Power Play (Golpe de Estado), de Martyn Burke; 1979: Zulu Dawn (Alvorada Zulu), de Douglas Hickox; Caligula (Calígula), de Tinto Brass; 1980: The Stunt Man (O Fugitivo), de Richard Rush; 1980: Strumpet City (TV); 1981: Masada, de Boris Sagal; 1982: My Favorite Year (Meu Ano Favorito), de Richard Benjamin; Svengali (TV); Man and Superman (TV); 1983: Sherlock Holmes and the Valley of Fear, Sherlock Holmes and a Study in Scarlet, Sherlock Holmes and the Sign of Four, Sherlock Holmes and the Baskerville Curse (todos TV); The Ray Bradbury Theater (TV); Pygmalion (TV); 1984: Supergirl (Supergirl), de Jeannot Szwarc; Kim (TV); 1985: Creator (Louca por Si, Professor), de Ivan Passer; 1986: Club Paradise (Clube Paraíso), de Harold Ramis; 1987: The Last Emperor (O Último Imperador), de Bernardo Bertolucci; 1988: High Spirits (Malucos e Libertinos), de Neil Jordan; 1989: The Dark Angel (TV); 1989: In una Notte di Chiaro di Luna (Morte Silenciosa), de Lina Wertmüller; 1990: Wings of Fame, de Otakar Votocek; The Rainbow Thief de Alejandro Jodorowsky; The Nutcracker (O Príncipe Quebra-Nozes), de Paul Schibli (voz); Crossing to Freedom (TV); 1991: Isabelle Eberhardt, de Ian Pringle; King Ralph (King Ralph - O Primeiro Rei Americano), de David S. Ward; 1992: The Seventh Coin (A Sétima Moeda), de Dror Soref; Civvies (TV); Rebecca's Daughters, de Karl Francis; 1994: Heaven & Hell: North & South, Book III (TV); 1995: Heavy Weather (TV); 1996: Les Voyages de Gulliver (As Viagens de Gulliver), de Charles Sturridge (TV); 1997: FairyTale: A True Story, de Charles Sturridge; 1998: Phantoms (Fantasmas), de Joe Chappelle; Coming Home, de Giles Foster (TV); 1999: Joana d'Arc - A Donzela da Lorena (TV), de Christian Duguay; Jeffrey Bernard Is Unwell (TV); 1999: The Manor, de Ken Berris; Molokai: The Story of Father Damien, de Paul Cox; 2002: Global Heresy, de Sidney J. Furie; The Final Curtain, de Patrick Harkins (TV); The Education of Max Bickford (TV); 2003: Hitler: the Rise of Evil, de Christian Duguay (TV); Bright Young Things (Sexo, Escândalos e Celebridade), de Stephen Fry; Imperium: Augustus (TV); 2004: Troy (Tróia), de Wolfgang Petersen; 2005: Lassie de Charles Sturridge; 2005: Casanova, de Russell T. Davies (TV); 2006: One Night with the King (Uma Noite com o Rei), de Michael O. Sajbel; 2007: Venus (Venus), de Roger Michell; Ratatouille (Ratatui), de Brad Bird (voz); Stardust (Stardust - O Mistério da Estrela Cadente), de Matthew Vaughn; 2008: Dean Spanley, de Toa Fraser; 2008: Thomas Kinkade's The Christmas Cottage,  de Michael Campus; 2008: The Tudors (TV); 2009: Iron Road (TV); 2010: Eager to Die, de Michael Mandell; 2011: For Greater Glory: The True Story of Cristiada, de Dean Wright; 2011: Eldorado (narrador); 2012: Cristeros, de Dean Wright; 2013: Katherine of Alexandria, de Michael Redwood; 2014: The Whole World at Our Feet, de  Salamat Mukhammed-Ali.

Como realizador: 1999: Jeffrey Bernard Is Unwell (TV). 

SESSÃO 22: 24 DE JUNHO DE 2014


007, AGENTE SECRETO (1962)

Com “007, Agente Secreto” inicia-se a adaptação ao cinema de forma sistemática das obras de Ian Fleming que tinham como herói James Bond, espião com “ordem para matar”, ao “serviço de Sua Majestade” britânica e dos Serviços Secretos daquele país. Estas obras foram produzidas nos primeiros anos por Harry Saltzman e Albert Broccoli, detentores dos direitos cinematográficos de quase toda a obra já escrita por Ian Fleming e donos da produtora EON (Everything or Nothing). Em 1975, Saltzman abandonou a franquia. Desde 1995, os filmes são produzidos pela filha de Albert, Barbara Broccoli, e seu meio-irmão, Michael G. Wilson. Estes são considerados os filmes oficiais de James Bond.
Para recriar no cinema a personagem foi escolhido inicialmente Sean Connery (1962–1967;1971), George Lazenby (1969), Roger Moore (1973–1985), Timothy Dalton (1987–1989), Pierce Brosnan (1995–2002) e Daniel Craig (2006 até ao presente).
Vários cineastas têm acompanhado e dado forma à gesta: Terence Young, Guy Hamilton, Lewis Gilbert, Peter R. Hunt, John Glen, Martin Campbell, Roger Spottiswoode, Michael Apted, de Lee Tamahori,  Marc Forster, Sam Mendes, este último a preparar nova incursão para 2015.  


Com “Dr. No”, rodado em 1962, principia a série, que rapidamente se iria impor como uma das de maior sucesso de toda a história do cinema. O actor escocês Sean Connery, até então relativamente desconhecido, seria rapidamente catapultado para o estrelato, transformando-se num ícone dos anos 1960, ao lado dos Beatles. O filme, produzido com um orçamento de um milhão de dólares, fez records de bilheteira em todo o mundo, criou uma nova histeria internacional: a Bondmania. Entre os factores que contribuíram para o sucesso desta série,
além do carisma e do charme de seu personagem principal, têm sido sem dúvida os estridentes vilões, os gadgets de alta tecnologia, sofisticados e letais, as espampanantes  e sensuais bond-girls, e ainda os temas musicais, interpretados por famosas cantoras.
Na verdade, todos os filmes denotam uma grande imaginação, aliada a um humor inteligente, uma ironia inteligente e distanciadora, tudo isto à mistura com uma acção frenética e uma hábil dosagem de ritmo, romance, cenários naturais exóticos e fantásticos decors de estúdio. Vilões enigmáticos, saídos da banda desenhada e dos antigos serials, conotações com a realidade política do momento, referência à tecnologia em moda na altura são outros tantos elementos a considerar, ainda que o fulcro de todo o sucesso se centre na própria figura de Bond, homem cheio de expedientes, de experiência, hábil com todas as armas, condutor exímio de todos os meios de locomoção, com particular realce para os automóveis, olhar certeiro e instinto de conservação acima da média, frase rápida, que esgrime como os punhos, sorriso simpático, deixando pairar o mistério.


Em “007, Agence Secreto”, James Bond é enviado à Jamaica para descobrir o que está por detrás do desaparecimento de um agente inglês e da sua secretária, entretanto assassinados por ordem de um misterioso Dr. No, que vive retirado numa ilha. De colaboração com Felix Leiter, agente da CIA, e com um amigo jamaicano, James Bond irá penetrar na ilha, onde conhece a bela e sedutora Honey (Ursula Andressl, sendo ambos feitos prisioneiros. Mas 007 não se dá por vencido e, no último instante, salva-se e consegue preservar a Humanidade de uma ameaça brutal... Os finais explosivos da série inauguram-se aqui. Um bom início das aventuras de 007 no cinema.

007 - AGENTE SECRETO
Título original: Dr. No
Realização: Terence Young (Inglaterra, 1962); Argumento: Richard Maibaum, Johanna Harwood, Berkely Mather, (ainda Wolf Mankowitz, Terence Young, não creditados)segundo romance de Ian Fleming; Produção: Albert R. Broccoli, Harry Saltzman; Música: Monty Norman, John Barry; Fotografia (cor):  Ted Moore; Montagem: Peter R. Hunt; Casting: James Liggat; Design de produção: Ken Adam; Direcção artística: Syd Cain; Maquilhagem: John O'Gorman, Eileen Warwick; Direcção de Produção: L.C. Rudkin; Assistentes de realização: Clive Reed, David C. Anderson, John Meadows;  Departamento de arte: Freda Pearson; Som: John Dennis, Archie Ludski, Wally Milner, Norman Wanstall; Efeitos especiais: Frank George; Efeitos visuais: Cliff Culley, Roy Field;  Companhia de produção:Eon Productions; Intérpretes: Sean Connery (James Bond), Ursula Andress (Honey Ryder), Joseph Wiseman (Dr. No), Jack Lord (Felix Leiter), Bernard Lee (M.), Anthony Dawson (Professor Dent), Zena Marshall (Miss Taro), John  (Quarrel), Eunice Gayson (Sylvia), Lois Maxwell (Miss Moneypenny), Peter Burton (Major Boothroyd), Yvonne Shima, Michel Mok, Marguerite LeWars, William Foster-Davis, Dolores Keator, Reggie Carter, Louis Blaazer, Colonel Burton, M    artine Beswick, Chris Blackwell, Anthony Chinn, Maxwell Shaw, Nikki Van der Zyl, etc. Duração: 110 minutos; Distribuição em Portugal: MGM; Classificação etária: M/ 12 anos.

IAN FLEMING (1908-1964)
Ian Lancaster Fleming nasceu a 28 de Maio de 1908, na casa apalaçada da família, no número 27 de Green Street, no bairro nobre de Mayfair, em Londres, Inglaterra, e faleceu a 12 de Agosto de 1964, com 56 anos, em Canterbury, Kent,  Inglaterra. Filho de Evelyn St. Croix Fleming e Valentine Fleming. Ian Fleming era oriundo de uma família ligada ao banco mercante Robert Fleming & Co.. O pai era um membro do parlamento de Henley, desde 1910 até sua morte, em 1917, na Frente Ocidental, durante a I Guerra Mundial. Estudou no Eton College, na Real Academia Militar de Sandhurst e nas universidades de Munique e Genebra, e teve vários empregos antes de começar a escrever. Militar, escritor, jornalista, tornou-se mundialmente célebre com os seus romances de espionagem que têm James Bond por protagonista, sobretudo depois da sua adaptação ao cinema.
Foi membro da Inteligência Naval Britânica durante a II Guerra Mundial, envolvido em várias operações, o que lhe deu conhecimentos e inspiração para escrever s seus doze romances sobre 007 e ainda dois livros de contos. É autor igualmente da história infantil “Chitty-Chitty-Bang-Bang”. Em 2008, o jornal The Times colocou-o na décima-quarta posição em sua lista dos "50 Maiores Escritores de Língua Inglesa de Todos os Tempos".
Foi casado com Ann Geraldine Charteris. Fleming, que fumava e bebia em excesso, e sofria do coração, morreu de ataque cardíaco. Dois de seus livros de Bond foram publicados postumamente, e desde então outros cinco autores produziram romances com o personagem. A criação de Fleming já surgiu em 25 filmes, tendo sido interpretado por oito actores em cerca de 50 anos.
James Bond, um oficial do Serviço Secreto Inglês, comumente chamado de MI6, era também conhecido pelo nome de código 007, e era um comandante da Reserva Naval Real. Fleming escolheu o nome para o seu personagem partindo do ornitólogo norte-americano James Bond, um especialista em pássaros caribenhos e autor do guia “Birds of the West Indies”. Fleming, um observador de pássaros, tinha uma cópia dessa obra de Bond, e mais tarde disse à mulher do ornitólogo que, "o que o tinha surpreendido foi o facto desse nome anglo-saxão, nada romântico, curto e mesmo assim bem masculino, ser exactamente o que eu precisava: em segundos nasceu James Bond". Numa entrevista para o “The New Yorker”, em 1962, pormenorizou: "Quando escrevi o primeiro romance, em 1953, eu queria que Bond fosse um homem extremamente maçador e desinteressante a quem as coisas acontecem; eu queria que ele fosse um instrumento cego ... quando eu estava à procura de um nome para o meu protagonista, pensei, “James Bond” é o nome mais entediante que eu já ouvi'.
Romances de Ian Fleming: “Casino Royale” (1953), “Live and Let Die” (1954), “Moonraker” (1955), “Diamonds Are Forever” (1956), “From Russia, with Love” (1957), “The Diamond Smugglers” (1957), “Dr. No” (1958), “Goldfinger” (1959), “For Your Eyes Only” (1960), “Thunderball” (1961), “The Spy Who Loved” (1962), “On Her Majest's Secret Service” (1963), “Thrilling Cities” (1963), “You Only Live Twice” (1964), “The Man with the Golden Gun” (1965), “Octopussy” e “The Living Daylights” (1966) (estes dois últimos publicados postumamente). “Chitty-Chitty-Bang-Bang” foi publicado em 1964.
Contos de James Bond: "Quantum of Solace" (1959), "The Hildebrandy Rarity" (1960), "From a View to a Kill" (1960), "For Your Eyes Only", "Risico", "The Living Daylights" (1962), "007 in New York" (1963), "The Property of a Lady" (1963) e "Octopussy" (1966).
Depois da morte de Ian Fleming, vários outros escritores foram convidados a continuarem as aventuras de 007: Kingsley Amis, Christopher Wood, John Gardner, Raymond Benson, Sebastian Faulks, Jeffery Deaver, William Boyd ou Charlie Higson.
Kingsley Amis (sob o pseudónimo "Robert Markham"): “Colonel Sun” (1968)
Christopher Wood: “James Bond, The Spy Who Loved Me” (1977) e “James Bond and Mooraker” (1979).
John Gardner: “Licence Renewed” (1981), “For Special Services” (1982), “Icebreaker”           (1983),
“Role of Honour” (1984    ), “Nobody Lives for Ever” (1986), “No Deals, Mr. Bond” (1987), “Scorpius” (1988), “Win, Lose or Die” (1989), “Licence to Kill” (1989), “Brokenclaw” ( 1990), “The Man from Barbarossa” (1991), “Death Is Forever” (1992), “Never Send Flowers” (1993), “SeaFire” (1994), “GoldenEye” (1995) e “COLD” (1996).
Raymond Benson: "Blast from the Past" (1997), “Zero Minus Tem” (1997), “Tomorrow Never  (1998), "Midsummer Night's Doom" (1999), “High Time to Kill” (1999), "Live at Five" (1999), “The World Is Not Enough” (1999), “DoubleShot” (2000), “Never Dream of Dying” (2001), “The Man with the Red Tattoo” (2002) e “Die Another Day” (2002).
Sebastian Faulks: “Devil May Care” (2008).
Jeffery Deaver: “Carte Blanche” (2011).
William Boyd: “Solo” (2013).
Surgiu ainda um conjunto de obras da série “Young Bond”, escritas por Charlie Higson: “SilverFin” (2005), “Blood Fever” (2005), “Double or Die (2007), “Hurricane Gold” (2007), “By Royal Command” (2008), e "A Hard Man to Kill" (2009).

OO7 NO CINEMA
Os filmes de 007 foram produzidos inicialmente por Harry Saltzman e Albert Broccoli, detentores dos direitos cinematográficos de quase toda a obra já escrita por Ian Fleming e donos da produtora EON (Everything or Nothing). Em 1975, Saltzman abandonou a franquia. Desde 1995, os filmes são produzidos pela filha de Albert, Barbara Broccoli, e seu meio-irmão, Michael G. Wilson. Estes são considerados os filmes oficiais de James Bond.
Filmografia: 1962: Dr. No (007 - O Agente Secreto), de Terence Young , com Sean Connery; 1963: From Russia with Love (007 - Ordem para Matar), de Terence Young , com Sean Connery; 1964: Goldfinger (007 - Contra Goldfinger), de Guy Hamilton, com Sean Connery; 1965: Thunderball (007 - Operação Relâmpago), de Terence Young, com Sean Connery          ; 1967: You Only Live Twice (007 - Só se Vive Duas Vezes) de Lewis Gilbert, com Sean Connery; 1969: On Her Majesty's Secret Service (007 - Ao Serviço de Sua Majestade), de Peter R. Hunt, com George Lazenby; 1971: Diamonds Are Forever (007 - Os Diamantes são Eternos), de Guy Hamilton, com Sean Connery; 1973: Live and Let Die (007 - Vive e Deixa Morrer), de Guy Hamilton, com Roger Moore; 1974: The Man with the Golden Gun (007 - O Homem da Pistola Dourada), de Guy Hamilton, com Roger Moore; 1977: The Spy Who Loved Me (007 - Agente Irresistível), de Lewis Gilbert, com Roger Moore; 1979: Moonraker (007 - Aventura no Espaço), de Lewis Gilbert, com Roger Moore; 1981: For Your Eyes Only (007 - Missão Ultra-Secreta), de John Glen, com Roger Moore; 1983: Octopussy (007 - Operação Tentáculo), de John Glen, com Roger Moore; 1985: A View to a Kill (007 - Alvo em Movimento), de John Glen, com Roger Moore; 1987: The Living Daylights (007 - Risco Imediato), de John Glen, com Timothy Dalton; 1989: Licence to Kill (007 - Licença para Matar), de John Glen, com Timothy Dalton; 1995: GoldenEye (007 – GoldenEye),de Martin Campbell, com Pierce Brosnan; 1997: Tomorrow Never Dies (007 - O Amanhã Nunca Morre), de Roger Spottiswoode, com Pierce Brosnan; 1999: The World Is Not Enough (007 - O Mundo não Chega), de Michael Apted, com Pierce Brosnan; 2002: Die Another Day (007 - Morre Noutro Dia), de Lee Tamahori, com Pierce Brosnan; 2006: Casino Royale (007 - Casino Royale), de Martin Campbell, com Daniel Craig; 2008: Quantum of Solace (007 - Quantum of Solace), de Marc Forster, com Daniel Craig; 2012: Skyfall (007 – Skyfall), de Sam Mendes, com Daniel Craig; 2015: Bond 24, de Sam Mendes, com Daniel Craig (em preparação).
Filmes "não oficiais": 1954: Casino Royale (Casino Royale), de William H. Brown, Jr., com Barry Nelson (televisão); 1967: Casino Royale (007 - Casino Royale), de Ken Hughes, John Huston, Joseph McGrath, Robert Parrish, Val Guest e Richard Talmadge, com David Niven; 1983: Never Say Never Again (Nunca mais Digas Nunca), de Irvin Kershner,  com Sean Connery.

TERENCE YOUNG (1915–1994)
Stewart Terence Herbert Young nasceu a 20 de Junho de 1915, em Xangai, China, e viria a falecer a 7 de Setembro de 1994, com 79 anos, em Cannes, Alpes Marítimos, França. Foi educado numa escola pública britânica. Participou da 2ª Guerra Mundial, como comandante de tanque, intervindo na batalha de Arnhem, na Holanda, onde foi tratado por uma enfermeira de 16 anos, de nome Audrey Heenstra, mais tarde conhecida por Audrey Hepburn, e que ele ira dirigir, duas décadas depois, em “Os Olhos da Noite” (1967). Terence Young lançou-se na industria do cinema como argumentista. Rapidamente chegou à realização com o melodrama “Corridor of Mirrors” (1948), passando a dirigir produções internacionais, como “Os Primeiros a Morrer” (1953), “A Favorita do Rei (1955), ou “Sem Tempo para Morrer” (1958), produzidos pela Warwick Films, uma produtora independente criada por Irwin Allen e Albert R. Broccoli, que haveria de ser o produtor da série 007, pelo que Terence Young foi convidado a dirigir os primeiros filmes da saga. “007 - Agente Secreto” (1962), “007 - Ordem para Matar” (1963) e “007 - Operação Relâmpago” (1965) consolidam a sua reputação de bom técnico, especialista em filmes de acção. Nunca terá sido um grande realizador, mas assinou ainda algumas obras interessantes, como “A Vida Amorosa de Moll Flanders” (1965), “Os Olhos da Noite” (1967) ou “O Caso Valachi” (1972). Durante as filmagens de “007 - Ordem para Matar”, Terence Young e um fotógrafo quase morreram, quando o helicóptero caiu no mar durante as filmagens de uma cena. Resgatados por membros da equipe, continuaram as filmagens pouco tempo depois. Consta que terá rodado um longo documentário de seis horas, por solicitação do ditador Gadaffi da Libia, intitulado "The Long Journeys" ou "The Long Days". Outras fontes indicam que a encomenda terá sido uma telenovela biográfica. Parece que nunca terá sido projectado fora da Líbia. Casado com a romancista Dorothea Bennett e depois com Sabine Sun (1973 - 1994)

Filmografia
Como realizador
1946: Men of Arnhem, de Brian Desmond Hurst (B.D. Hurst) (T.Young refere que participou nestas fimagens); 1948: Corridor of Mirrors; One Night with You; 1949: Woman Hater; 1950: They Were Not Divided (Companheiros da Glória); 1951: Valley of Eagles (O Vale das Águias); \952: The Tall Headlines; 1953: The Red Beret (Os Primeiros a Morrer); 1955: That Lady (A Favorita do Rei); Storm Over the Nile (As Quatro Penas); 1956: Safari (Safari); Zarak (Zarak); 1957: Action of the Tiger (Uma aventura no Mediterrâneo); 1958: No Time to Die (Sem Tempo para Morrer); 1959: Serious Charge; 1960: 1-2-3-4 ou Les Collants Noirs; Too Hot to Handle; 1961: Orazi e Curiazi (Duelo de Gladiadores)¸1962: Dr. No (007 - Agente Secreto)¸1963: From Russia with Love (007 - Ordem para Matar)¸1965: The Amorous Adventures of Moll Flanders (A Vida Amorosa de Moll Flanders)¸1965: The Dirty Game (Guerra Secreta); Thunderball (007 - Operação Relâmpago); 1966: The Poppies Are Also Flowers (A Papoila Também é uma Flor); 1967: L'Avventuriero (O Marinheiro); Triple Cross (O Maior Espião da História); Wait Until Dark (Os Olhos da Noite); 1968: Mayerling (Mayerling); 1969: L'Arbre de Noël (Cada Dia Será Como Deus Quiser); 1970: De la Part des Copains (Desforra entre Amigos); 1971: Soleil rouge (Sol Vermelho); The Valachi Papers (O Caso Valachi); 1974: Le Guerriere dal Seno Nudo (As Amazonas); The Klansman (O Homem do Klan); 1975: Jackpot; 1977: Woo fook (A Fuga do Caça Soviético), co-realizado com Po-Chih Leong; 1979: Bloodline (Laços de Sangue); 1980: Al-ayyam al-tawila (não creditado, não confirmado); 1981: Inchon; 1983: The Jigsaw Man (O Grande Espião); 1988: Run for Your Life.

SEAN CONNERY (1930 - )
Thomas Sean Connery nsceu a 25 de Agosto de 1930, em Édimbourg, Escócia, Reino Unido. Filho de pai católico e mãe protestante, oriundo de meios pobres, Connery começou a trabalhar cedo, como leiteiro. Foi num musical, “South Pacific”, que teve a sua estreia no mundo do espectáculo, mas antes passou pela Marinha Real, foi motorista de caminhão e modelo no Colégio de Artes de Edimburgo. Participou num concurso para Mister Universo, após o que fez testes para teatro.  Durante alguns anos foi figurante e actor secundário no cinema, no teatro e na televisão, até que a sua sorte mudou, ao ser escolhido para encarnar a figura de James Bond, papel que o projectou como actor de renome internacional. Como 007 interpretou sete obras, “Dr No”, “From Russia with Love”, “Goldfinger”, “Thunderball”, “You Only Live Twice”, “Diamonds Are Forever” e “Never Say Never Again”. Depois a carreira ganhou um forte impulso, tendo trabalhado com grandes realizadores, como Alfred Hitchcock, John Huston, Richard Lester, Richard Attenborough, Steven Spielberg, Jean-Jacques Annaud, Martin Ritt, Philip Kaufman, Gus Van Saint, Brian De Palma, Ronald Neame, Peter Hyams, Guy Hamilton, Terry Gilliam, Richard Brooks, Fred Zinnemann, Irvin Kershner, Sidney Lumet, John McTiernan ou Fred Schepisi, entre outros.
Ganhou diversos prémiso ao longo da sua extesa carreira, entre os quais um Oscar para Melhor Actror Secundário, em 1988, para “The Untouchables” e um Globo de Ouro, na mesma categoria e pelo trabalho no mesmo filme. Em 1996, foi-lhe atribuído o prémio Cecil B. DeMille pelo conjunto da sua contribuição para a arte de representar. Ganhou o BAFTA para Melhor Actor em 1987, por “The Name of the Rose”.
Connery é um dos maiores apoiadores do Partido Nacional Escocês, que luta pela independência da Escócia, para o qual tem contribuído com imporantes somas. Casado com actriz australiana Diane Cilento (1962-1973) e com a artista franco-tunisiana Micheline Roquebrune (1975-até ao presente). Vive com a mulher em Nassau, nas Bahamas.

Filmografia
Como actor

1954: Lilacs in the Spring (Lilases na Primavera), de Herbert Wilcox (não creditado); Simon (curta-metragem); 1956: Sailor of Fortune (TV); Dixon of Dock Green (TV); 1956-1959: ITV Play of the Week (TV); 1957: The Jack Benny Program (TV); Hell Drivers (Na Rota do Inferno), de Cy Endfield; Action of the Tiger (Uma Aventura no Mediterrâneo), de Terence Young; Time Lock, de Gerald Thomas; ITV Television Playhouse (TV); Anna Christie (TV); BBC Sunday-Night Theatre (TV); Blood Money (TV); No Road Back, de Montgomery Tully; 1958: Another Time, Another Place (O Amor Que Roubei), de Lewis Allen; A Night to Remember (A Tragédia do Titanic), de Roy Ward Baker; Armchair Theatre (TV); Women in Love (TV); 1959: Disneyland (TV); Darby O'Gill and the Little People (O Senhor da Terra), de Robert Stevenson; Tarzan's Greatest Adventure (A Maior Aventura de Tarzan), de John Guillermin; 1960: Without the Grail (TV); An Age of Kings (TV); Riders to the Sea (TV); BBC Sunday-Night Play (TV); 1961: Macbeth (TV); Anna Karenina (TV); Adventure Story (TV); On the Fiddle, de Cyril Frankel; The Frightened City (A Cidade Ameaçada), de John Lemont; 1962: The Longest Day (O Dia Mais Longo), de Ken Annakin, Andrew Marton, Bernhard Wicki, Gerd Oswald e Darryl F. Zanuck; Dr. No (Agente Secreto, 007), de Terence Young; 1963: From Russia with Love (007, Ordem para Matar), de Terence Young; 1964: Marnie (Marnie), de Alfred Hitchcock; Woman of Straw (A Mulher de Palha), de Basil Dearden; Goldfinger ( 007 cotra Goldfinger), de Guy Hamilton; 1965: The Hill (A Colina Maldita),  de Sidney Lumet; Thunderball (007, Operação Relâmpago), de Terence Young; 1966: A Fine Madness (O Malandro Encantador), de Irvin Kershner; Un Monde Nouveau (Um Mundo Novo), de Vittorio De Sica (não creditado); 1967: You Only Live Twice (Só se Vive Duas Vezes), de Lewis Gilbert; 1968: Shalako (Shalako), de Edward Dmytryk; 1969: ITV Saturday Night Theatre (TV); Male of the Species (TV); 1970: The Molly Maguires (Os Homens Nascem Iguais), de Martin Ritt; 1971: Красная палатка, ou Krasnaya palatka, ou The Red Tent (A Grande Odisseia), de Mikhaïl Kalatozov; The Anderson Tapes (O Dossier Anderson), de Sidney Lumet; Diamonds Are Forever (007 - Os Diamantes São Eternos), de Guy Hamilton; 1972: España campo de golf, de Raúl Peña; 1973: The Offence (O Delito), de Sidney Lumet; Zardoz (Zardoz), de John Boorman; Ransom (Estado de Emergência), de Caspar Wrede; 1974: Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente), de Sidney Lumet; 1975: The Man Who Would Be King (O Homem Que Queria Ser Rei), de John Huston; The Wind and the Lion (O Leão e o Vento), de John Milius; 1976: Robin and Marian (A Flecha e a Rosa), de Richard Lester; 1976: The Next Man, de Richard C. Sarafian; 1977: A Bridge Too Far (Uma Ponte Longe Demais), de Richard Attenborough; 1979: The First Great Train Robbery (O Grande Ataque ao Comboio do Ouro), de Michael Crichton; Cuba (Cuba), de Richard Lester; Meteor (Meteoro), de Ronald Neame; 1981: Outland (Outland - Atmosfera Zero), de Peter Hyams; Time Bandits (Os Ladrões do Tempo), de Terry Gilliam; 1982: Wrong Is Right (O Homem das Lentes Mortais), de Richard Brooks; Sword of the Valiant: The Legend of Sir Gawain and the Green Knight (A Espada dos Valentes), de Stephen Weeks; 1983: Five Days One Summer (Cinco Dias um Verão), de Fred Zinnemann; Never Say Never Again (Nunca Mais Digas Nunca), de Irvin Kershner; 1986: Der Name der Rose (O Nome da Rosa) de Jean-Jacques Annaud; Highlander (Duelo Imortal), de Russell Mulcahy; 1987: The Untouchables (Os Intocáveis), de Brian De Palma; 1988: The Presidio (A Hora dos Heróis), de Peter Hyams; Memories of Me (A Caminho da Califórnia), de Henry Winkler; 1989: Family Business (Negócios de Família), de Sidney Lumet; Indiana Jones and the Last Crusade (Indiana Jones e a Grande Cruzada), de Steven Spielberg; 1990: The Hunt for Red October (Caça ao Outubro Vermelho), de John McTiernan; 1991: Robin Hood: Prince of Thieves (Robin Hood: Príncipe dos Ladrões), de Kevin Reynolds; The Russia House (A Casa da Rússia), de Fred Schepisi; Highlander II: The Quickening (Duelo Imortal - Parte II), de Russell Mulcahy; 1992: Medicine Man (Os Últimos Dias do Paraíso), de John McTiernan; 1993: The Princess and the Cobbler (O Cavaleiro das Arábias), de Richard Williams (só voz); Rising Sun (Sol Nascente), de Philip Kaufman; 1994: A Good Man in Africa (Sarilhos em África), de Bruce Beresford; 1995: Just Cause (Causa Justa), de Arne Glimcher; First Knight (O Primeiro Cavaleiro), de Jerry Zucker; 1996: The Rock (O Rochedo), de Michael Bay; Dragonheart (DragonHeart: Coração de Dragão), de Rob Cohen; 1997: Scene by Scene (TV); 1998: The Avengers (Os Vingadores), de Jeremiah S. Chechik; Playing by Heart (Entre Estranhos e Amantes), de Willard Carroll; 1999: Entrapment (A Armadilha), de Jon Amiel; 2001: Finding Forrester (Descobrir Forrester), de Gus Van Sant; 2003: The League of Extraordinary Gentlemen (Liga de Cavalheiros Extraordinários), de Stephen Norrington; Freedom: A History of Us (documentário,TV); 2006: Sir Billi the Vet, de Sascha Hartmann (animação, voz); 2010: Sir Billi, de Sascha Hartmann (animação, voz).