sábado, 26 de abril de 2014

SESSÃO 14 (dupla): 6 DE MAIO DE 2014


A Máscara de Frankenstein (1957)

“The Curse of Frankenstein”, de 1957, marca uma data especial na história do cinema, por diversos aspectos. Na verdade, havia sido a Universal Studios, durante a década de 30, que havia dado o primeiro grande impulso ao cinema fantástico, com base na adaptação de alguns clássicos da literatura, como Frankenstein, Drácula, o Homem Lobo, A Múmia, entre outros. “Frankenstein”, de 1931, assinado por James Whale, havia sido o primeiro da série, lançando Boris Karloff na personagem do monstro (ou da “criatura”, como ficaria conhecida). Este filme seria seguido por alguns outros, como “A Noiva de Frankenstein” (1935) ou “O Filho de Frankenstein” (1939), falando só da personagem criada por Mary Shelley, mas, posteriormente, o género fantástico entrara numa progressiva decadência durante as décadas de 40 e 50, perdendo o interesse das plateias mundiais.
Em meados dos anos 50, em Inglaterra, uma produtora não muito conhecida, a Hammer Films, resolveu investir de novo neste tipo de filmes, mas renovando-os completamente e recriando-os sob uma nova óptica. Comprou os direitos à Universal e lançou-se no projecto de adaptar “The Curse of Frankenstein”, com argumento final de Jimmy Sangster e entregando a realização a Terence Fisher. Esta nova versão não queria ter nada a ver com as obras da década de 30, e por isso introduziram variantes consideráveis. A maior das quais, no caso de “The Curse of Frankenstein”, foi desviar a atenção da “criatura” e centrá-la na personagem do Barão Victor Frankenstein, contrariando um pouco a tendência popular de chamar Frankenstein à criatura e não ao cientista que a criara. Isso permitia a Peter Cushing, o actor escolhido para interpretar o papel do Barão, um trabalho invulgar, de rigor e contenção, que o tornaria a partir daí um actor de culto, bem assim como Chistopher Lee, a quem foi entregue o ingrato papel de monstro criado no laboratório de lunático (ou visionário?) que se quis substituir ao papel da natureza. Mas as alterações não se ficaram por aí. As adaptações ao espírito do tempo foram múltiplas, e algumas também tiveram a ver com a evolução tecnológica. Os filmes de finais dos anos 50 utilizavam um Technicolor luxuriante, onde o vermelho do sangue criava um ambiente de horror muito mais realista. Mas, fundamentalmente, foi o retrato das personagens que evoluiu de forma a adequá-las a uma nova época, o que foi sobretudo notado na posterior versão de “Drácula”, com um sedutor vampiro, bastante afastado do estilo algo sobrecarregado de Bela Lugosi.


Rodado entre 19 de Novembro de 1956 e 3 de Janeiro de 1957, e estreado ainda neste ano, “The Curse of Frankenstein” tornar-se-ia rapidamente no maior êxito de bilheteira do cinema inglês até aí, e posteriormente ainda durante baste tempo. Este sucesso iria catapultar o cinema fantástico de novo para ribalta das produções internacionais e as obras protagonizadas pelos mitos tradicionais do fantástico, e por muitos outros entretanto surgidos da imaginação de argumentistas, multiplicaram-se nas décadas seguintes. Falando só de Frankenstein, as sequelas da Hammer foram várias: “The Revenge of Frankenstein” (1958), “The Evil of Frankenstein” (1964), “Frankenstein Created Woman” (1967), “Horror of Frankenstein” (1970) ou “Frankenstein and the Monster from Hell” (1973).
O argumento de “The Curse of Frankenstein” aproxima-se e afasta-se de Mary Shelley consoante as cenas. Passado em 1880, vamos encontrar o Barão de Frankenstein na prisão, aguardando a sua execução na manhã seguinte e confessando a um padre a história da sua vida. Todo o filme se organiza assim num longo flashback, que vai encontrar Victor Frankenstein adolescente, quando aceita como tutor e professor Paul Krempe, iniciando-se assim uma amizade e cumplicidade científica que vai prolongar-se por décadas. Frankenstein dispõe de um laboratório no seu vetusto palácio, onde investiga a forma de ressuscitar mortos, o que consegue com um cão, aventurando-se depois ao seu grande sonho. Criar um ser vivo. Recupera o corpo de um sentenciado à forca, as mãos de um pianista entretanto falecido, o cérebro de um cientista que foi obrigado a falecer para o efeito. Mas, nesta altura, já Paul Krempe se rebelara contra as experiências e, de uma luta entre ambos, resulta um cérebro danificado e, necessariamente, uma “criatura” descontrolada, com instinto assassinos. A história progride, até o filme regressar ao cárcere e dar por encerrado o flashback.
A realização de Terence Fisher é sóbria e segura, criando um excelente clima gótico, quer pelos bem concebidos cenários e guarda-roupa, de bom gosto e cuidada reconstituição, quer pelo próprio ritmo imposto, criando uma progressiva ansiedade. O palácio e os seus interiores, a paisagem circundante, os túmulos e os cadáveres, o aparecimento de órgãos isolados (as mãos, os olhos, o cérebro…), tudo isso vai criando uma atmosfera de violência, a que a insensibilidade do Barão, cego na sua ânsia de criar um ser novo, de se equiparar ao Criador, torna mais cruel todos os passos. Pode dizer-se que, hoje em dia, a violência visível neste “The Curse of Frankenstein” é extremamente “ingénua” se comparada com o “gore” presente nos modernos filmes de terror. É conveniente, todavia, colocar a obra no ano em que se estreou e compreender o impacto que então desencadeou. Para muitos, como é por exemplo o meu caso, este tipo de fantástico, mais psicológico do que excessivamente exteriorizado pelo sangue derramado, funciona muito melhor. É mais sóbrio, mais contido, mais propício a leituras psicanalíticas e sociológicas do que a exposição descarnada de alguns talhos cinematográficos que exploram os mais primários instintos dos espectadores.

A máscara de Frankenstein
Título Original: The Curse of Frankenstein
Realização: Terence Fisher (Inglaterra, 1957); Argumento: Jimmy Sangster, segundo romance de Mary Shelley; Produção: Michael Carreras, Anthony Hinds, Anthony Nelson Keys, Max Rosenberg; Música: James Bernard; Fotografia (cor): Jack Asher; Montagem: James Needs; Casting: Dorothy Holloway;  Design de produção: Bernard Robinson; Direcção artística: Ted Marshall; Guarda-roupa: Molly Arbuthnot; Maquilhagem: Philip Leakey, Henry Montsash; Direcção de Produção: Don Weeks, James Carreras; Assistentes de realização: Derek Whitehurst, Hugh Harlow, Jimmy Komisarjevsky; Departamento de arte: Arthur Banks, Don Mingaye, Tom Money, Fred Ricketts; Som: Jock May; Efeitos visuais: Les Bowie; Companhias de produção: Hammer Film Productions, Warner Bros. Pictures inc.; Intérpretes: Peter Cushing (Victor Frankenstein), Hazel Court (Elizabeth), Robert Urquhart (Paul Krempe), Christopher Lee (criatura), Melvyn Hayes (jovem Victor), Valerie Gaunt (Justine), Paul Hardtmuth (Professor Bernstein), Noel Hood, Fred Johnson, Claude Kingston, Alex Gallier, Michael Mulcaster, Andrew Leigh, Ann Blake, Sally Walsh, Middleton Woods,  Raymond Ray, Josef Behrmann, Henry Caine, Trevor Davis, Marjorie Hume, Ernest Jay, Eugene Leahy, Bartlett Mullins, Raymond Rollett, etc. Duração: 82 minutos; Distribuição em Portugal: inexistente; Cópia disponível (DVD): Warner Home Vídeo (Brasil); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 11 de Novembro de 1957.

Christopher Lee (1922 -)
Christopher Frank Carandini Lee nasceu em Belgravia, Londres, Inglaterra, a 27 de Maio de 1922 (no mesmo dia em que Vincent Price nasceu e um dia antes de Peter Cushing, que se tornaria um dos seus grandes amigos). Estudou no Wellington College e no King's College de Eton. Fala com fluência oito línguas. De 1940 a 1945, combate pela R.A.F. Ingressa na Rank Organisation em 1947. Actua em numerosos filmes como secundário, até que, em 1957, interpreta com êxito assinalável, uma nova versão do monstro de Frankenstein, “Curse of Frankenstein”, de Terence Fisher, já na Hammer Films, onde, ao lado de Peter Cushing, se torna um actor de culto. A sua extraordinária caracterização como Conde Drácula, favorecida pela silhueta esguia e os traços angulosos do rosto, valeram-lhe a fama, o interesse do público e o destaque da crítica. Conta assim, como tudo aconteceu: “Ainda não sei muito bem como me tornei especialista deste tipo de cinema fantástico. Uma tarde, quando estava no escritório do meu agente em Londres, ele disse-me que iam rodar um “Frankenstein” em Inglaterra e que era a Hammer que tinha comprado os direitos. Eu não sabia de nada. Já tinha visto alguns filmes de terror, que me tinham aterrorizado, como toda a gente, quando tinha quinze anos. Parece-me que com o Boris Karloff. O meu agente perguntou-me se me interessava. Claro que sim, respondi. Primeiro porque é preciso viver, trabalhar. Então propôs-me o papel de monstro de Frankenstein. Porque não? Descobri rapidamente que era um personagem apaixonante, quase um papel de mímica. Sabia um pouco dessas coisas e tinha a altura do personagem. Então, não foi para mim senão um novo papel, uma nova criação e eu não via “The Curse of Frankenstein” de outra maneira”. (Christopher Lee - M. M. Fantastique, nº14).
A partir de certa altura, começa a ser requisitado por alguns grandes cineastas, tanto ingleses como americanos, para lá do seu mestre Terence Fisher: Richard Lester, Steven Spielberg, George Lucas, Tim Burton, Peter Jackson, etc.  
Em 2009, foi condecorado com a Ordem do Império Britânico, pelo seu contributo à arte dramática. Em 2011 foi condecorado pelo governo francês com a Comenda das Artes e das Letras. Numa recente votação da televisão inglesa, Sir Christopher Lee foi considerado o 31º maior actor de sempre, à frente de nomes como John Wayne, Michael Caine ou Humphrey Bogart. Com 1,96 de altura, foi considerado o actor-protagonista mais alto da história do cinema. Ele e a mulher eram amigos inseparáveis de Boris Karloff e da mulher deste, porque viviam em Londres em casa vizinhas.
Vindo de uma família aristocrática, tendo tido um padrasto banqueiro, Chris teve uma cuidada educação. Homem de grande cultura e bom gosto, é dado à leitura e à música, tendo colaborado com grupos musicais e editado um disco de canções, "Christopher Lee: Revelation". Admirador de J.R.R. Tolkien, conhecia toda a sua obra, antes de ser chamado a interpretar a trilogia “O Senhor dos Anéis” ou “The Hobit”. Nessa altura, foi mesmo por vezes consultado como conselheiro.
Uma vez, durante as filmagens de “O Horror de Drácula” (1958), Chris tinha que levar ao colo uma actriz para a colocar no túmulo. A actriz era pesada demais e acabou caindo no túmulo, juntamente com o actor. “Eu não interpreto mais monstros”, disse um dia, e acrescentou: “Drácula é diferente, é uma personagem muito excitante”. Mas, tempos depois corrigiu: “Há muitos vampiros hoje em dia no mundo – basta pensar na indústria dos filmes”.

Filmografia (não exaustiva; na totalidade cerca de 280 títulos, entre cinema, televisão e jogos de vídeo)
Como ator (Drácula Personagem na): 1958: Horror of Dracula (Horror of Dracula O), Terence Fisher; 1965: Dracula: Prince of Darkness (Drácula, o Príncipe das Trevas), Terence Fisher; 1968: Drácula subiu de sua sepultura (O Sinal Dracula), Freddie Francis; 1969: Taste the Blood of Dracula (Drácula provem ou Sangue), Peter Sasdy; 1970: o Conde Drácula (Drácula, o Príncipe das Trevas O), Jesus Franco; 1970: Cuadecuc, Vampir, Pere Portabella; 1970: One More Time (O Morto foi ou Outro) Jerry Lewis; 1970: Cicatrizes de Drácula (Scars of Dracula As) Roy Ward Baker; 1972: Dracula AD 1972 (Drácula 72), Alan Gibson; 1974: Os ritos satânicos de Drácula, Alan Gibson; 1976: Drácula père et fils (Drácula Pai e Filho) de 'Édouard Molinaro
Produções da Hammer Film onde apareceu: 1957: The Curse of Frankenstein (A Máscara de Frankenstein), de Terence Fisher; 1958: Horror of Dracula (O Horror de Drácula), de Terence Fisher; 1959: The Hound of the Baskervilles (O Cão dos Baskervilles), de Terence Fisher; The Mummy (A Múmia), de Terence Fisher; The Man Who Could Cheat Death (O Homem Que Enganou a Morte), de Terence Fisher; 1960: The Two Faces of Dr. Jekyll (As Duas Faces do Dr. Jekyll), de Terence Fisher; 1961: Taste of Fear ou Scream of Fear (O Sabor do Medo), de Seth Holt; 1962: The Pirates of Blood River (Os Piratas do Rio Sangrento), de John Gilling; 1964: The Devil-Ship Pirates (O Barco Dos Piratas), de Don Sharp; The Gorgon (A Morte Passou Por Perto), de Terence Fisher; 1965: She (A Deusa da Cidade Perdida), de Robert Day; Dracula: Prince of Darkness (Drácula, Príncipe das Trevas),  de Terence Fisher; 1966: Rasputin: The Mad Monk (Rasputine, o Monge Louco), de Don Sharp; 1968: Dracula Has Risen From His Grave (O Sinal de Drácula), Freddie Francis; 1970: Taste the Blood of Dracula (Provem o Sangue de Drácula), de Peter Sasdy; Scars of Dracula (As Cicatrizes de Drácula), Roy Ward Baker; 1972: Dracula A.D. 1972 (Dracula 72), de Alan Gibson; 1974: The Satanic Rites of Dracula, de Alan Gibson; 1976: To the Devil a Daughter (O Emissário do Diabo),  de Peter Sykes;
Filmes interpretados com Peter Cushing: 1948: Hamlet, de Laurence Olivier; 1952: Moulin Rouge, de John Huston, 1957: The Curse of Frankenstein, de Terence Fisher; 1958: Horror of Dracula, de Terence Fisher; 1959: O Cão dos Baskervilles, de Terence Fisher; A Múmia, de Terence Fisher; 1961: O agente do diabo, de John Paddy Carstairs; 1964: O Gorgon, de Terence Fisher; 1965: Casa do Dr. Terror of Horrors) de Freddie Francis; Ela) de Robert Day; A Caveira (A Caveira), de Freddie Francis; 1967: Night of the Big Calor, de Terence Fisher; 1969: Grito Again and Again, de Gordon Hessler; 1970: A casa que derramou sangue (A Casa Que Escorria Sangue), de Peter Duffell; 1971: I, Monster, de Stephen Weeks; 1972: Nothing But the Night, de Peter Sasdy; Dracula AD 1972, de Alan Gibson; 1973: A Carne Viva, de Freddie Francis; Horror Express, de Eugenio Martin; 1979: Aventura árabe (O Tapete Voador) de Kevin Connor; 1983: Le Manoir de la Peur, de Pete Walker; 
Outras  interpretações importantes: 1946-1947: estreia em Kaleidoscope (série de TV); 1950: Captain Horatio Hornblower R.N (O Mundo nos seus Braços), de Raoul Walsh; 1952: The Crimson Pirate (O Pirata Vermelho), de Robert Siodmak; 1955: That Lady (A Favorita do Rei), de  Terence Young; Storm Over The Nile (As Quatro Penas), de  Zoltan Korda e Terence Young;  1956: Moby Dick (Moby Dick), de John Huston; The Battle of The River Plate (A Batalha do Rio da Prata), de Michael Powell; Beyond Mombasa (Ao Sul de Mombasa), de Georges Marshall;  I'll Met By Moonllght (Perigo Nas Sombras), de M. Powell e E. Pressburger;  1957-Bitter Victory (Vitória Amarga), de Nicholas Ray;  Tale Of Two Cites (A Sombra da Guilhotina), de Ralph Thomas; Ercole Al Centro Della Terra (Hercules Contra os Vampiros), de  Mário Bava; Dr. Terror's House of Horrors (O Comboio Fantasma), de Freddie Francis; The Face Of Fu-Manchu (O Misterioso Dr. Fu-Manchu), de Don Sharp; The Theatre Of Death (O Teatro da Morte), de Sam Gallu; The Brides Of Fu-Manchu (As Noivas de Fu-Manchú), de Don Sharp; The Curse Of Crimson Altar (A Maldição do Altar Vermelho), de  Vernon Sewell; 1970-The Oblong Box (O Caixão), de Gordon Hessler; Scream And Scream Again, de  Gordon Hessler; 1973: Os Três Mosqueteiros (The Three  Musketeers), de de Richard Lester;  The Wicker Man (O Sacrifício), de Robin Hardy; The Creeping Flesh (Em Carne Viva), de Freddie Francis; Dark Places (A Maldição da Mansão Sombria), de Don Sharp: 1974: The Man with the Golden Gun (007 - O Homem da Pistola Dourada), de Guy Hamilton; The Four Musketeers (Os Quatro Mosqueteiros – A Vingança de Milady), de Richard Lester; 1976: To the Devil a Daughter (O Emissário do Diabo), de Peter Sykes; 1977: Airport '77 (Aeroporto 77), de Jerry Jameson;  1978: Caravans (Caravanas), de James Fargo; 1979: 1941 (1941 - Ano Louco em Hollywood), de Steven Spielberg;  The Passage (A Passagem), de J. Lee Thompson; 1983: House of the Long Shadows (A Noite das Facas Longas), de Pete Walker; 1989: The Return of the Musketeers (O Regresso dos Três Mosqueteiros), de Richard Lester; 1990: Gremlins 2: The New Batch (Gremlins 2: A Nova Geração), de Joe Dante;  1992: The Young Indiana Jones Chronicles (Indiana Jones - Crónicas da Juventude), de Steven Spielberg;  (Série de TV);  1999: A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow), de Tim Burton; 2001: O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring), de  Peter Jackson; 2002: The Lord of the Rings: The Two Towers (O Senhor dos Anéis - As Duas Torres), de Peter Jackson; Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones (Star Wars: Episode II - Attack of the Clones), de George Lucas; 2003: The Lord of the Rings: The Return of the King (O Senhor dos Anéis - O Regresso do Rei) , de Peter Jackson; 2005: Corpse Bride (A Noiva Cadáver), de Tim Burton e Mike Johnson; Charlie e a Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory), de Tim Burton; 2005: Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith), de George Lucas; 2007: The Golden Compass (A Bússola Dourada), de Chris Weitz; 2008: Star Wars - A Guerra dos Clones (Star Wars: The Clone Wars), de George Lucas; 2010: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland), de Tim Burton; 2010: Dark Shadows (Sombras da Escuridão), de Tim Burton; 2011: A Invenção de Hugo (Hugo), de Martin Scorsese; 2012: O Hobbit: Uma Viagem Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey), de  Peter Jackson; 2013: Comboio Nocturno para Lisboa (Night Train to Lisbon)), de  Bille August; 1914: The Hobbit: There and Back Again, de Peter Jackson (em rodagem).

Peter Cushing (1913-1994)
Peter Wilton Cushing nasceu a 26 de Maio de 1913, em Surrey, Inglaterra, e faleceu a 11 de agosto de 1994, em Canterbury, Inglaterra, aos 81 anos. Casado com Violet Helene Beck (1943–1971). Uma tia actriz iniciou-o na arte de representação, desde muito cedo. Interessava-se também pelo desenho. Estudou na Guildhall School of Music and Drama, de Londres. Muda-se para Hollywood, em 1939, onde se estreia no cinema, em “O Homem da Máscara de Ferro” (The Man in the Iron Mask), nesse mesmo ano. Em Nova Iorque passou pela Broadway e depois por palcos do Canadá. Regressa a Inglaterra, durante a II Guerra Mundial, contribuindo com a sua colaboração na Associação de Serviços Militares de Entretenimento.
Depois da guerra, surge no filme de Laurence Olivier, “Hamlet”. Durante a década de 50, foi um rosto popular na televisão, mas tornou-se célebre a trabalhar para a Hammer Film Productions, em novas versões de mitos do cinema fantástico, como Frankenstein ou Drácula, quase sempre sob as ordens de Terence Fisher. As suas composições de Sherlock Holmes, Barão Frankeinstein ou Van Helsing ficaram lendárias. Trabalhou inúmeras vezes com o seu amigo Christopher Lee. Durante várias décadas, alimentou o fantástico inglês. George Lucas chamou-o para actura em “Star Wars Episode IV: A New Hope” (1977). Em 1989, foi nomeado Oficial do Império Britânico em reconhecimento das suas contribuições para a profissão de actor, no Reino Unido e internacionalmente. Lutou contra o cancro da próstata durante doze anos. Diagnosticado em 1982, recusou a cirurgia, retirou-se para Whitstable, no Kent, para uma casa à beira-mar, e escreveu duas autobiografias e dedicou-se a uma das suas paixões, as aves. Pintou aguarelas e ilustrou o livro infantil de Lewis Carroll. Era patrono da Sociedade Vegetariana. Morreu a 11 de Agosto de 1994, neste caso de “doença prolongada”.

Filmografia
Como ator

1939: O Homem da Máscara de Ferro (O Homem da Máscara de Ferro), de James Whale; 1940: Laddie, de Jack Hively; Vigília na Noite, de (Noites de Angústia), de George Stevens; 1940: Um Chump em Oxford (Campeões de Oxford), de Alfred J. Goulding; O Mestre Invisível (Curta-metragem); Mulheres em Guerra (Mulheres na Guerra), de John H. Auer; Os Howards de Virginia (Paixão da Liberdade), de Frank Lloyd; Sonhos: Primeiro Dreamer (Curta-metragem); 1941: Não se atrevem Love (APOS uma Derrota); de James Whale, Victor Fleming, Charles Vidor; 1948: Hamlet (Hmlet), de Laurence Oliver; 1951: BBC Sunday Night Theatre: Eden End (TV); 1951: Quando nos casamos (TV); 1952: Se isto é erro (TV); BBC Sunday Night Theatre: Bird in Hand (TV); Orgulho e Preconceito (série de TV); 1952: Moulin Rouge (Moulin Rouge), de John Huston; The Swan Prata (TV); Asmodée (TV); 1953: Viveiro Nook (TV); Um Sucesso Social (TV); You Are There (Série de TV); Epitaph for a Spy (série de TV): O Nobre espanhol (TV); 1953-1957: BBC Sunday Night Theatre (VÁRIOS TV episodios); 1954: The Face of Love (TV); Nineteen Eighty-Four (TV); O Black Knight (O Cavaleiro do Rei Artur), de Tay Garnett; 1955: The Creature (TV); 1955: A Versão Browning (TV); The End of the Affair (O ​​Fim da Aventura), de Edward Dmytryk; Magia Fogo (Fogo Mágico), de William Dieterle; Richard de Bordeaux (TV); 1956: Alexandre, o Grande (Alexandre, o Grande), de Robert Rossen; 1957: Início de Sete (TV); Tempo Without Pity (Tempo Impiedoso), de Joseph Losey; The Curse of Frankenstein (A Máscara de Frankenstein), de Terence Fisher; O Abominável Homem das Neves (O Abominável Homem das Neves), de Val Guest; 1958: o tio Harry (TV); The Winslow Boy (TV); Horror of Dracula (O Horror de Drácula), de Terence Fisher; Parque violento, de Basil Dearden; A Vingança de Frankenstein (A Vingança de Frankenstein), de Terence Fisher; 1959: O Cão dos Baskervilles (O Cão dos Baskervilles), de Terence Fisher; John Paul Jones, de John Farrow; The Mummy (A Múmia), de Terence Fisher; 1960: a carne e os Demônios, de John Gilling; Cone do Silêncio, de Charles Frend; As noivas de Dracula (como Noivas de Drácula), de Terence Fisher; O suspeito, de John Boulting, Roy Boulting; Sword of Sherwood Forest (Uma Aventura de Robin dos Bosques), de Terence Fisher; 1961: Dinheiro on Demand, de Quentin Lawrence; O Hellfire Club (O Clube do Diabo), de Robert S. Baker, Monty Berman; Fúria em Smugglers 'Bay (O Mar das Tormentas), de John Gilling; O Nacked Edge, de Michael Anderson; 1962: Capitão Clegg (Taberna Maldita), de Peter Graham Scott; Paz com Terror (TV); Drama 61-67 (Série de TV); Agente do diabo, de John Paddy Carstairs (Cenas retiradas); 1963: O Homem que finalmente morreu, de Quentin Lawrence; Comedy Playhouse (Série de TV); A propagação da Águia (Série de TV); Paz com Terror (TV), ITV Television Playhouse (Série de TV); 1964: História Parade (Série de TV); The Evil of Frankenstein, de Freddie Francis; The Caves of Steel (TV); O Gorgon (A Morte Passou Por Perto), de Terence Fisher; 1965: Casa do Dr. Terror of Horrors (O Comboio Fantasma), de Freddie Francis; Ela (A Deusa da Cidade Perdida), de Robert Day; A Caveira (A Caveira), de Freddie Francis; Dr. Who e os Daleks, de Gordon Flemyng; Trinta e Minute Theatre (Série de TV); 1966: Ilha do Terror, de Terence Fisher; Daleks 'Invasion Earth: 2150 AD, de Gordon Flemyng; 1967: Night of the Big Calor, de Terence Fisher; Torture Garden, de Freddie Francis; Alguns podem viver, de Vernon Sewell; Frankenstein Criou a Mulher (Frankenstein CRIOU uma Mulher), de Terence Fisher; Os Vingadores (Série de TV); 1968: The Blood Besta Terror, de Vernon Sewell; Corrupção, de Robert Hartford-Davis; Sherlock Holmes (Série de TV); 1969: Frankenstein Must Be Destroyed (O Barão de Frankenstein); de Terence Fisher; 1970: Grito e gritar de novo, de Gordon Hessler; One More Time (O Morto era o Outro), de Jerry Lewis; The Vampire Lovers, de Roy Ward Baker; Incenso para o Damned, de Michael Burrowes (Robert Hartford-Davis); 1971: A casa que derramou sangue (A Casa Que Escorria Sangue), de Peter Duffell; Twins of Evil (Como Servas de Drácula), de John Hough; Eu, Monstro, de Stephen Weeks; 1972: Nothing But the Night, de Peter Sasdy; Contos da cripta, de Freddie Francis; Além Edge (TV) da Água: Dracula AD 1972 (Drácula 72), de Alan Gibson; Fear in the Night (A Teia), de Jimmy Sangster; Dr. Phibes Rises Novamente, de Robert Fuest; Asilo (Lua Vermelha), de Roy Ward Baker; Além Edge (TV) da água; 1973: From Beyond the Grave (Do Outro Lado da Sepultura), de Kevin Connor; A Carne Viva (Em Carne Viva), de Freddie Francis; E agora o começa a gritar, de Roy Ward Baker!; Os ritos satânicos de Drácula, de Alan Gibson; Horror Express, de Eugenio Martín; La Grande Bretèche, na Série de TV de Orson Welles; Grandes Mistérios (série de TV); 1974: Shatter, de Michael Carreras, Monte Hellman (este, creditado NAO); Madhouse (A Mansão da Loucura), de Jim Clark; The Beast Must Die, de Paul Annett; Frankenstein eo Monstro do Inferno (Frankenstein EO Monstro do Inferno), de Terence Fisher; La Grande Trouille UO Tendre Drácula, de Pierre Grunstein; A Lenda dos 7 Ouro Vampiros, de Roy Ward Baker, Cheh Chang; O Zoo Gang (série de TV); 1975: A Lenda do Lobisomem (A Lenda do Lobisomem), de Freddie Francis; O Ghoul (O Monstro do Pântano), de Freddie Francis; 1976: Trial by Combat (Julgamento POR Combate), de Kevin Connor; No núcleo da Terra, de Kevin Connor; Homens do diabo UO Terra do Minotauro, de Kostas Karagiannis; A Grande Houdini (TV); Looks Familiar (Série de TV); Espaço: 1999 (Série de TV); The New Avengers (Série de TV); 1977: Star Wars: Episódio IV Guerra nas Estrelas (Star Wars: Episodio IV - Uma Nova Esperança), de George Lucas; Ondas de Choque, de Ken Wiederhorn; O Uncanny, de Denis Héroux; Morre Standarte, de Ottokar Runze; 1978: Filho de Hitler, de Rod Amateau; 1979: A Touch of the Sun, de Peter Curran; Aventura árabe (O Tapete Voador), de Kevin Connor; 1980: Black Jack UO Asalto al casino, de Max H. Boulois; Um Conto de Duas Cidades (TV); Hammer House of Horror (Série de TV); 1981: Misterio en la Isla de los Monstruos (O Mistério da Ilha dos Monstros), de Juan Piquer Simón; 1983: A Casa das Sombras longas (A Noite das Facas Longas), de Pete Walker; As Máscaras da Morte (TV); Helen Keller: O Milagre Continua (TV); Top Secret! (Ultra Secreto), de Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker; Sword of the Valiant: A Lenda de Sir Gawain eo Cavaleiro Verde (A Espada dos Valentes), Semanas de Stephen; 1986: Biggles (Viagem no Tempo), de John Hough; 2011: Star Wars: The Clone Wars (série de TV), Onde surgir hum duplo Seu, los Imagem digital.

quinta-feira, 27 de março de 2014

SESSÃO 13: 29 DE ABRIL DE 2014


O QUINTETO ERA DE CORDAS (1955)

São algumas as excelentes comédias produzidas pelos Ealing Studio em Inglaterra, em finais da década de 40 e inícios da de 50 do século passado. Algumas excelentíssimas, mas a comédia genial desse período é decididamente “O Quinteto era de Cordas”, uma indiscutível obra-prima que combina na perfeição o típico humor inglês com o humor negro, neste caso também muito tipicamente britânico.
Algumas décadas depois, os magníficos irmãos Cohen tentaram recuperar o clássico, numa nova versão encabeçada por Tom Hanks, mas esse terá sido um dos poucos falhanços desta dupla de irmãos. Na verdade, o remake não tem metade da graça do original.
Tudo parece perfeito, neste filme dirigido com subtileza por um inspiradíssimo Alexander Mackendrick, com base num belíssimo argumento escrito por William Rose (que ganharia o Oscar de Melhor Argumento do Ano), e com uma interpretação absolutamente fabulosa de Alec Guinness que aqui comanda um gang de que fazem parte Peter Sellers, Cecil Parker, Danny Green e Herbert Lom, que se instalam em casa de Mrs. Louisa Wilberforce, uma velhinha saborosamente interpretada por Katie Johnson. A fotografia é mágica (Otto Heller), a partitura musical é soberba (Tristram Cary), muito bem acolitada pela sonoplastia que, só por si, é um achado de humor.
“The Ladykillers” tem um arranque sem mácula, acompanhando as deambulações de uma velha senhora de sombrinha na mão, que passeia pelas ruas londrinas do seu bairro, e visita a esquadra de polícia da área, onde fala com o chefe e lhe coloca os seus problemas. Percebe-se que é acontecimento recorrente, pela forma como os agentes a olham e lhe respondem. Até o esquecimento do guarda-chuva é habitual. Mas, neste universo banal, repetitivo e aparentemente despreocupado, uma sombra paira, insinuando o perigo, a ameaça. A música sublinha devidamente o facto, levando a pensar numa influência de “Matou”, de Fritz Lang, mas agora numa versão satírica. Acompanhamos a velhinha no seu regresso a casa e seguimos igualmente a sombra que a persegue. Quando ela fecha a porta, a sombra toca à campainha. Vem responder a um anúncio que oferece o aluguer de quartos. O Professor Marcus acha o lugar encantador, é mesmo isso que ele precisa, ele que é professor de música e quer ensaiar com os seus amigos, um quinteto de cordas, amador, sem a perturbação de vizinhos. A velhinha adora música, clássica de preferência, acolhe o hóspede com a maior gentileza e, no dia seguinte, vê chegar o quinteto, com os seus instrumentos, subir escada acima onde se começa a ouvir uma delicada melodia (que roda num gira-discos), enquanto o gang prepara um assalto a uma carrinha que transporta muito dinheiro.


Não vale a pena continuar com a enumeração, que retiraria suspense à obra. Os intérpretes são notáveis, a estrutura narrativa é brilhantemente conduzida, o sublinhar sonoro, musical e de ruídos, é deliciosamente tenebroso, o ambiente criado em redor da velhinha e do seu acolhedor lar, muito british, é inesquecível, o guarda-roupa merece referência especial, pelo seu requinte e invenção (o traje de Alec Guiness com o seu descomunal cachecol ficará para a História), e, repetimos, “O Quinteto era de Cordas” é uma obra-prima.
Nestes casos, mais vale comentar pouco e saborear cada minuto da projecção.  


O QUINTETO ERA DE CORDAS
Título original: The Ladykillers
Realização: Alexander Mackendrick (Inglaterra, 1955); Argumento: William Rose, Jimmy O'Connor; Produção:  Seth Holt, Michael Balcon; Música:  Tristram Cary; Fotografia (cor):  Otto Heller;  Montagem:  Jack Harris          ; Direcção artística:  Jim Morahan; Guarda-roupa:  Anthony Mendleson; Maquilhagem:  Alex Garfath, Daphne Martin; Direcção de Produção:  Hal Mason, David Peers;  Assistentes de realização:  Tom Pevsner, Michael Birkett, John Meadows;  Departamento de arte: W. Simpson Robinson; Som:  Stephen Dalby; Efeitos especiais:  Sydney Pearson, Companhias de produção: The Rank Organisation, An Ealing Studios Michael Balcon; Intérpretes: Alec Guinness (Professor Marcus), Cecil Parker (Claude ou Major Courtney), Herbert Lom (Louis ou Mr. Harvey), Peter Sellers (Harry ou Mr. Robinson), Danny Green (One-Round ou Mr. Lawson), Jack Warner (o superintendente), Katie Johnson (a velha senhora), Philip Stainton      (o sargento), Frankie Howerd, Madge Brindley, Hélène Burls, Kenneth Connor, Michael Corcoran, Harold Goodwin, Fred Griffiths, Lucy Griffiths, Phoebe Hodgson, Vincent Holman, Anthony John, Stratford Johns, Evelyn Kerry, Sam Kydd, Edie Martin, Jack Melford, Robert Moore, Arthur Mullard, Ewan Roberts, George Roderick, John Rudling, Leonard Sharp, Peter Williams, Neil Wilson, etc. Duração: 91 minutos; Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 22 de Novembro de 1956.

ALEC GUINNESS (1914–2000)
Alec Guinness de Cuffe nasceu a 2 de Abril de 1914 , em Marylebone, Londres, Inglaterra,  e faleceu a 5 de Agosto de 2000 , em Midhurst, Sussex, Inglaterra,  vítima de cancro.
Começou a sua carreira a trabalhar em publicidade. Estudou arte dramática no Fay Compton Studio of Dramatic Art e estreou-se como actor em 1936, no teatro Old Vic, em Londres. Em 1941, alistou-se na Marinha. Sempre preferiu o teatro ao cinema ou à televisão, mas foi no cinema que atingiu a sua glória internacional. Em 1946, roda, sob a direcção de David Lean, As Grandes Esperanças e, pouco depois, Oliver Twist. David Lean e Ronald Neame foram dois realizadores com quem trabalhou diversas vezes. Foi, e continua a ser, considerado um dos melhores actores ingleses de sempre, tendo estado sempre entre os três primeiros lugares, e várias vezes no primeiro.
Casado com Merula Salaman (1938-2000). Recebeu o título de Sir em reconhecimento pela sua contribuição para a arte do cinema e teatro. Em 1957, ganhou o Oscar de Melhor Actor, pelo seu trabalho em “A Ponte do Rio Kwai”. Foi nomeado por mais três vezes, como actor, e uma como argumentista, "The Horse's Mouth", uma adaptação do romance de Joyce Cary. Um dos actores mais premiados de sempre, com troféus nos BAFTAs, nos Globos de Ouro, no Festival de Berlim e no Festival de Veneza, entre diversos outros. Tem uma estrela no “Passeio da Fama”, em Hollywood Boulevard, no nº 1551 Vine Street.
Escreveu três volumes de memórias: 1985: “Blessings in Disguise”, 1997: “My Name Escapes Me: The Diary of a Retiring Actor” e 1999: “A Positively Final Appearance: A Journal 1996-98”.

Filmografia:
Como actor
1934: Evensong (Canção de Sempre), de Victor Saville (não creditado); 1946: Great Expectations (Grandes Esperanças), de David Lean; 1948: Oliver Twist (As  Aventuras de Oliver Twist), de David Lean; 1949: Kind Hearts and Coronets (Oito Vidas por um Título), de Robert Hamer; A Run for Your Money, de Charles Frend; 1950: Last Holiday, de Henry Cass; The Mudlark (A Rainha e o Vagabundo), de Jean Negulesco; 1951: The Lavender Hill Mob (Roubei Um Milhão), de Charles Crichton; The Man in the White Suit (O Homem do Fato Claro), de Alexander Mackendrick; 1952: The Card (Um Homem de Talento), de Arnold Bennett; 1953: The Square Mile (curta-metragem) (narrador); Malta Story (A Ilha Heróica), de Brian Desmond Hurst; The Captain's Paradise (O Paraíso do Capitão), de Anthony Kimmins; 1954: The Stratford Adventure), de Morten Parker; Father Brown (O Padre Brown Detective), de Robert Hamer; 1955: Baker's Dozen (TV); 1955: To Paris with Love (Amor à Inglesa... em Paris), de Robert Hamer; Rowlandson's England, de John Hawksworth (narrador); The Prisoner (O Prisioneiro), de Peter Glenville; The Ladykillers (O Quinteto Era de Cordas), de Alexander Mackendrick; 1956: The Swan (O Cisne), de Charles Vidor; 1957: The Bridge on the River Kwai (A Ponte do Rio Kwai), de David Lean; Barnacle Bill, de Charles Frend; 1958: The Horse's Mouth, de Ronald Neame; 1959: The Scapegoat, de Robert Hamer; Startime (TV) episódio The Wicked Scheme of Jebal Deeks; 1960: Tunes of Glory (Uma Vez, Um Herói), de Ronald Neame; Our Man in Havana, de Carol Reed; 1961: A Majority of One, de Mervyn LeRoy; 1962: Lawrence of Arabia (Lawrence da Arábia), de David Lean; H.M.S. Defiant (Revolta no Defiant), de Lewis Gilbert; 1964: The Fall of the Roman Empire (A Queda do Império Romano), de Anthony Mann; 1965: Situation Hopeless... but not Serious (Situação Desesperada... mas não Grave), de Gottfried Reinhardt; 1965: Pasternak (curta-metragem); Doctor Zhivago (Doutor Jivago), de David Lean; 1966: The Quiller Memorandum (O Processo Quiller), de Michael Anderson; Hotel Paradiso (Hotel Paraíso), de Peter Glenville; 1967: The Comedians (Os Comediantes), de Peter Glenville; The Comedians in Africa(curta-metragem); 1969: Cromwell (Cromwell), de Ken Hughes; ITV Saturday Night Theatre (TV) episódio Twelfth Night; 1970: Scrooge (Muito obrigado, Sr, Scrooge),  de Ronald Neame; 1973: Fratello Sole, Sorella Luna ou Brother Sun, Sister Moon (S. Francisco de Assis), de Franco Zeffirelli; Hitler: the Last Ten Days (Hitler: Os Últimos Dez Dias), de Ennio De Concini; 1974: The Gift of Friendship (TV); 1976: Murder by Death (Um Cadáver de Sobremesa), de Robert Moore; Caesar and Cleopatra, de James Cellan Jones (TV); 1977: To See Such Fun, de Jon Scoffield (documentário); Star Wars Episode IV: A New Hope (Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança), de George Lucas; 1979: Tinker, Tailor, Soldier, Spy (TV Mini-série) sete episódios; 1980: Raise the Titanic (A Guerra dos Abismos), de Jerry Jameson; Star Wars Episode V: The Empire Strikes Back (Star Wars: O Império Contra-Ataca), de Irvin Kershner; The Morecambe & Wise Show (TV) episódio Christmas Show; 1981: Little Lord Fontleroy (O Pequeno Lord), de Jack Gold (TV); 1982: Smiley's People (TV Mini-série) seis episódios; 1983: Star Wars Episode VI: Return of the Jedi (Star Wars: O Regresso de Jedi), de Richard Marquand; Lovesick, de Marshall Brickman; 1984: A Passage to India (Passagem Para a Índia), de David Lean; Edwin (TV); 1985: Great Performances (TV Série) episódio Monsignor Quixote; 1987: A Handful of Dust (Uma Mão Cheia de Pó), de Charles Sturridge; 1988: Little Dorrit, de Christine Edzar; 1991: Kafka (Kafka), de Steven Soderbergh; 1992: Performance (TV Série) episódio Tales from Hollywood; 1993: Screen One (TV Série) episódio A Foreign Field, de Charles Sturridge; 1994: Mute Witness (Não Falarás!), de Anthony Waller; 1996: Eskimo Day (TV).

EALING STUDIOS
“Ealing Studios” é uma produtora de filmes para cinema e de entretenimento diverso para televisão. Tem uma longa história, sendo presentemente, o mais antigo estúdio de cinema a operar no mundo. Nasceu em 1902, no local chamado Ealing Green, em Londres Oeste. Will Barker fundou aí uma produtora chamada “White Lodge”. Em 1931, o produtor teatral Basil Dean, já no sonoro, funda nesse espaço a Associated Talking Pictures, que se mantém em funcionamento até 1938, quando entra em declínio. Michael Balcon, vindo da MGM, passa então a controlar os destinos da produtora, insufla-lhe uma nova vida, com outros colaboradores e actores, refrescando o ambiente, tornando-a numa casa produtora lendária, sobretudo através das suas comédias, as “Ealing comedies”, que se instituíram rapidamente clássicos, a partir do fim da II Guerra Mundial: “Kind Hearts and Coronets” (1949), “Passport to Pimlico” (1949), “The Lavender Hill Mob” (1951), e “The Ladykillers” (1955). Os filmes da companhia passam então a ser distribuídos sob a sigla da “Rank Organisation”.
Durante este tempo, mas sobretudo nos anos 30 e 40, os Ealing Studios não só criam os seus actores de comédia típicos, como Gracie Fields, George Formby, Stanley Holloway ou Will Hay, mais tarde Alec Guiness, como se notalibilizam ainda por outro tipo de filmes, como os documentários realistas durante a II Guerra Mundial, com títulos que se recordam “Went the Day Well?” (1942), “The Foreman Went to France” (1942), “Undercover” (1943), “San Demetrio London” (1943), entre outros. Ainda em 1945, produz um thriller em episódios que deixou marca: “Dead of Night”.
Depois, durante quarenta anos, a BBC, entre 1955 e 1995, alugou o espaço e rodou ainda grande parte do seu material televisivo, telefilmes, séries, programas diversos. Chegou a possuir nesse espaço mais de 50 salas de montagem. A partir de 2000, a Ealing Studios passou sobretudo a casa distribuidora, mas algumas obras foram ainda rodadas nesses estúdios, como “The Importance of Being Earnest” (2002) ou “Shaun Of The Dead” (2004). Uma escola de cinema também se serve destes estúdios, a The Met Film School London.  A morada é: 31, Grange Road, Ealing, Londres.

Os principais filmes dos Ealing Studios: “Hue and Cry” (1947), “Whisky Galore!” (1949), “Passport to Pimlico” (1949), “Kind Hearts and Coronets” (1949), “The Lavender Hill Mob” (1951), “The Man in the White Suit” (1951), “The Titfield Thunderbolt” (1953), “The Cruel Sea” (1953), “The Ladykillers” (1955), “Barnacle Bill” (1956). 

SESSÃO 12 ( dupla): 22 DE ABRIL DE 2014


ROUBEI UM MILHÃO (1951)

Nas primeiras imagens de “Roubei um Milhão” encontramos dois ingleses sentados à mesa de um luxuoso restaurante tropical (saberemos depois que se tratada cidade do Rio de Janeiro), enquanto um deles vai distribuindo notas e conta ao outro como se tornou milionário. Realmente só um milionário muito desprendido, lança notas à toa aos empregados, a organizações de senhoras da alta roda que lutam contra as revoluções, a obras sociais, ou mesmo a jovens meninas muito bonitas e cheias de futuro (ou não fosse essa Chiquita que surge nos momentos iniciais de “Roubei um Milhão” um dos primeiros papeis no cinema de Audrey Hepburn). Holland (Alec Guiness) é o narrador, de sorriso tímido e esbanjador de notas. Conta como antigamente era um honesto e solicito supervisor de banco, encarregue de acompanhar as barras de ouro que saiam da fundição e iam ser arrecadadas nos cofres do banco. É visto por todos como um funcionário escrupuloso, metódico, rigoroso, maníaco nos pormenores, motivo mesmo de alguma chacota dos colegas. Alec Guinness é simplesmente brilhante na forma como encarna essa personagem cinzenta, acanhada, algo acabrunhada mesmo, que passa pela vida sem dar por ela. Dir-se-ia que assim era. Mas Holland tem sonhos secretos e um deles é ser milionário e tornar seus aqueles lingotes de ouro que diariamente transporta numa carrinha que, um dia, quem sabe?, pode ser assaltada por um gang de que ele seja o mentor. O “The Lavender Hill Mob”, o gang de Lavender Hill, nome de uma colina de Londres onde se reúnem os elementos escolhidos por Holland para levar a cabo tão extraordinária façanha.
É assim, no Brasil, em jeito de conto de fadas, que começa esta comédia, dirigida por um sólido realizador inglês deste período, Charles Crichton, que realiza para os Earling Studios outro clássico do humor inglês. Partindo desta narrativa, inicia-se um longo flashback que irá contar todas as peripécias deste roubo de um banco levado a cabo por um estranho grupo de zé ninguéns que assaltam a carrinha, desciam as barras de ouro, as fundem, delas fazem pequenas estatuetas de torres Eiffel que, depois, enviam para Paris como souvenirs, com a indicação de que aquelas duas caixas não se destinam a ser colocadas à venda. Mas uma excursão de jovens estudantes inglesas empolgadas com as recordações, acabam por comprar seis dessas imagens, e criar a histeria junto do grupo de assaltantes.


Como em quase todas as comédias dos Earling Studios, os heróis são uns pobres de Cristo que, aparentemente, não têm onde cair mortos, mas que armazenaram dentro de si um capital de vingança ou de sede de justiça que os leva a ultrapassar uma série de perigos. A verdade é que a falta de experiência e de jeito parece tornar impossível o empreendimento, mas a sorte está do seu lado. Enfim, quase até ao fim, porque em todas estas comédias mais ou menos negras a justiça acaba por vencer, mas de uma forma algo capciosa. O politicamente correcto é restabelecido, mas o espectador fica com algumas dúvidas sobre a sua eficácia. Se a sorte favorece os meliantes, é igualmente a sorte que restabelece a justiça, o que deixa tudo em águas turvas. Isso mesmo nos dizem obras como “Whisky Galore!” (1949), “Passport to Pimlico” (1949), “Kind Hearts and Coronets” (1949), “The Lavender Hill Mob” (1951), “The Man in the White Suit” (1951), ou “The Ladykillers”, onde, de uma forma ou de outra, este esquema se repete.
De resto, o ambiente social que estes títulos nos oferecem da Inglaterra de após-guerra é muito interessante e mesmo perturbador. Há um alternar de retratos de extractos sociais diversos muito curioso. Entre os aristocratas de “Kind Hearts and Coronets”, os banqueiros de “The Lavender Hill Mob” ou os donos de fábricas de “The Man in the White Suit” e os seus opositores, herdeiros excluídos ou fieis servidores revoltados, deixa-se entrever uma discreta e surda luta de interesses que só na aparência se resolve. Este humor amável, deliciosamente elegante e “distinto” acaba por esconder muita raiva e desencanto. Uma das marcas dos Earling Studios, onde o homem comum sonha com um futuro radioso que chega a tocar, mas que rapidamente se esboroa. Os filmes não são resolutamente obras revolucionarias de sangue na guelra, mas sim melancólicas meditações sobre o destino cinzento de personagens que todavia conseguem tocar o céu e viver momentos de profunda felicidade. Quase sempre através de meios não muito lícitos, segundo as regras vigentes, é verdade. Mas os protagonistas destas aventuras marginais parecem aceitar sem grande mágoa o destino que os espera no final das suas aventuras/desventuras. O que os leva a intervir é o desejo de uns momentos de felicidade, a possibilidade de concretizar um sonho, de ir mais alem do que o dia a dia sem horizontes do seu quotidiano. Os patrões de Holland definem-no assim: “A sua única virtude é a honestidade”. Suprema ironia, portanto.


O argumento de “Roubei um Milhão”, da autoria de T.E.B. Clarke, acabaria por ganhar o Oscar de Melhor Argumento do ano, e o Alec Guiness esteve ainda nomeado para Melhor Actor. Muitas outras recompensas lhe foram devidas. Foi considerado o Melhor Filme inglês pelos BAFTAS, Charles Crichton foi nomeado Melhor Realizador pela Guida dos Realizadores dos EUA, Alec Guiness ganhou o prémio de Melhor Actor Estrangeiro do Sindicato dos Jornalistas Italianos e, no Festival de Veneza, T.E.B. Clarke foi considerado o Melhor Argumentista. Deve dizer-se porem que Stanley Holloway, na figura de Pendlebury, companheiro de Holland na congeminação deste golpe, é igualmente notável.

ROUBEI UM MILHÃO
Título original: The Lavender Hill Mob
Realização: Charles Crichton (Inglaterra, 1951); Argumento: T.E.B. Clarke; Produção: Michael Balcon, Michael Truman; Música: Georges Auric; Fotografia (p/b): Douglas Slocombe; Montagem: Seth Holt; Casting: Margaret Harper Nelson; Direcção artística: William Kellner; Guarda-roupa: Anthony Mendleson; Maquilhagem: Ernest Taylor, Harry Wilton, Barbara Barnard; Direcção de Produção: Slim Hand, Hal Mason; Assistentes de realização: Norman Priggen, John Meadows, Jim O'Connolly; Departamento de arte: Andrew Low, George Speller, Bob Tull; Som:  Stephen Dalby; Efeitos especiais: Sydney Pearson; Efeitos visuais: Geoffrey Dickinson, Bryan Langley; Companhias de produção: J. Arthur Rank Organisation, Ealing Studios; Intérpretes: Alec Guinness (Holland), Stanley Holloway (Pendlebury), Sidney James (Lackery), Alfie Bass (Shorty), Marjorie Fielding (Mrs. Chalk), Edie Martin (Miss Evesham), John Salew (Parkin), Ronald Adam (Turner), Arthur Hambling (Wallis), Gibb McLaughlin (Godwin), John Gregson, Clive Morton, Sydney Tafler, Marie Burke, Audrey Hepburn (Chiquita), William Fox, Michael Trubshawe, Ann Hefferman, Jacques B. Brunius, Eugene Deckers, Paul Demel, Andreas Malandrinos, Cyril Chamberlain, Tony Quinn, Moultrie Kelsall, Christopher Hewett, Meredith Edwards, Patrick Barr, David Davies, Robert Shaw, John Warwick, etc.  Duração: 81 minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 6 de Janeiro de 1952.

CHARLES CRICHTON 
(1910 –1999)
Nasceu a 6 de Agosto de 1910, em Wallasey, Cheshire, Inglaterra, e viria a falecer a 14 de Setembro de 1999, em  South Kensington, Inglaterra. Foi montador, realizador, argumentista, produtor, de cinema e televisão, durante mais de 40 anos, durante os quais construiu uma sólida carreira na industria cinematográfica britânica. trabalhou para produtores como Alexander Korda (em obras como “Sanders of the River”, “Things To Come”, “Elephant Boy”, ou “The Thief of Bagdad”). Iniciou-se como realizador com uma curta-metragem, em 1941, “The Young Veterans”. Passou para os Ealing Studios em 1944 onde se estreia na longa-metragem: “For Those in Peril”. Assinou dezenas de obras, no cinema (onde alguns clássicos como “Roubei um Milhão”, e na televisão. A pedido de John Cleese, Crichton aceitou regressar ao cinema em 1888, para dirigir a comédia “Um Peixe Chamado Wanda”, que se tornaria num dos maiores êxitos do cinema inglês dessa época. Foi o seu último filme. Morreu com 89 anos, em Londres, em 1999.

Filmografia:
Como realizador

1941: The Young Veterans (curta-metragem); 1944: For Those in Peril; 1945: Painted Boats; 1945: Dead of Night (A Dança da Morte) (episódio "Golfing Story"); 1947: Hue and Cry (Grito de Indignação); 1948: Against the Wind; Another Shore; 1949: Train of Events (Quatro Sem Passaporte) (episódio "The Composer"); 1950: Dance Hall; 1951: The Lavender Hill Mob (Roubei Um Milhão); 1952: Hunted (A Alma de um Criminoso); 1953: The Titfield Thunderbolt; 1954: The Love Lottery (A Lotaria do Amor); 1954: The Divided Heart (Dêem-me o meu Filho); 1957: The Man in the Sky; ITV Play of the Week (Série de TV) (1 episódio); 1958: Law and Disorder; 1959: Floods of Fear; The Battle of the Sexes; 1960: The Boy Who Stole a Million; 1962-1963: Man of the World (Série de TV) (3 episódios) 1963: The Human Jungle (Série de TV) (1 episódio); 1964: The Third Secret; 1962 O Prisioneiro de Alcatraz (não creditado); 1964: Danger Man (Série de TV) (2 episódios)); 1965-1969: The Avengers (Os Vingadores) (Série de TV) (5 episódios); 1965: He Who Rides a Tiger; 1967: L'Homme à la valise (Man in a Suitcase) (série TV); 1967-1968: Man in a Suitcase (Série de TV) (6 episódios); 1968: Strange Report (Série de TV) (5 episódios); 1969: Light Entertainment Killers (TV); 1970: Here Come the Double Deckers! (Série de TV) (1 episódio); 1971; Shirley's World (Série de TV) (1 episódio); 1973-1974:  The Protectors (Série de TV) (5 episódios); 1972-1974: The Adventures of Black Beauty (Série de TV) (15 episódios); 1975: NBC Special Treat (Série de TV) (1 episódio); 1976: Rentaghost (Série de TV) (1 episódio); The Day After Tomorrow (TV); 1975-1976: Space: 1999 (Espaço: 1999) (Série de TV) (14 episódios); 1976: Into Infinity (TV); 1976: Cosmic Princess (TV); 1976: Alien Attack (Ataque Alienígena) (TV); 1977 The Unorganized Manager, Part One: Damnation (documentário vídeo curta-metragem); The Unorganized Manager, Part Two: Salvation (documentário vídeo curta-metragem); The Unorganized Manager, Part Four: Revelations (documentário vídeo curta-metragem); The Unorganized Manager, Part Three: Lamentations (documentário vídeo curta-metragem); 1977: The Professionals) (série de TV); 1979: Dick Turpin (série de TV) (10 episódios); 1981: Smuggler (série de TV) (3 episódios); 1982: Princesa Cosmica (TV); 1983: Perishing Solicitors (TV); 1984: More Bloody Meetings (documentário vídeo); 1988: A Fish Called Wanda (Um Peixe Chamado Wanda).

SESSÃO 12 ( dupla): 22 DE ABRIL DE 2014


O HOMEM DO FATO CLARO (1951)

Alexander Mackendrick vinha de uma época dedicada ao documentarismo e ao filme de propaganda bélica de que se ocupou durante quase toda a II Guerra Mundial. Mas, acabada a guerra, em 1946,  integra a equipa de cineastas dos Ealing Studios, onde  durante nove anos realiza alguns dos grandes clássicos da comédia inglesa deste período, como “Whisky Galore!” (1949), “The Man in the White Suit” (1951) ou  “The Ladykillers” (1955). São obras de um humor muito especial, que prolonga a herança de “Oito Vidas por um Título”, conjugando uma ironia discreta, mas ácida, um humor negro por vezes, mas sempre com uma elegância de estilo e uma posse indubitavelmente britânica. Raras vezes uma cinematografia consegue reunir em tão curto espaço de tempo, um tal conjunto de obras que reflectem de forma tão sábia e nítida o modo de ser de um povo, sobretudo na sua vertente humorística.
O filme parte de uma peça teatral da autoria de Roger MacDougall que conheceu algum sucesso um palcos londrinos. Roger MacDougall era primo e amigo de  Alexander Mackendrick e este resolveu adaptar a obra a cinema, com a colaboração do dramaturgo e de John Dighton. Não era a primeira vez que MacDougall e Mackendrick trabalhavam juntos em argumentos para cinema, que outros dirigiam. Desta feita seria Alexander Mackendrick a realizar este projecto nas condições previstas pelos estúdios onde trabalhavam e na época em que o mesmo foi concretizado, pouco depois de terminada a guerra e com o país ainda em reconstrução. Produção barata, filmada a preto e branco, munida de excelentes actores, é verdade, que todavia não deveriam receber muito de cachet, apesar de muitos deles serem primeiras figuras do teatro e do cinema ingleses.


“The Man in The White Suit” organiza-se tendo como base um argumento muito inteligente, original, astuto na análise das situações, com uma sábia utilização dos elementos puramente cinematográficos para fazer avançar a história e simultaneamente criar uma densidade de intenções críticas assinalável.
Sidney Stratton (Alec Guinness), empregado numa fábrica de têxteis dirigida por Alan Birnley (Cecil Parker), é um entusiasta por descobertas cientificas e químicas em particular. Aproveitando o relativo descontrolo da fábrica, conseguira ganhar um cantinho para as suas experiências, instalando alambiques, serpentinas e outros copos e vasos com líquidos em ebulição, enquanto vai arrumando os armazéns. Um dia, porém, Alan Birnley, a sua filha Daphne Birnley (Joan Greenwood) e Michael Corland (Michael Gough), o pretendente à sua mão e, sobretudo, à sua riqueza, visitam a fábrica, descobrem ocasionalmente o discreto reduto do inventor, que não dá provas da sua genialidade, e é despedido. De desgraça em desgraça, mas com uma fé inabalável numa descoberta revolucionária, Sidney acabará mesmo por inventar o tecido nunca visto nem sequer imaginado: algo que não se rompe, que não se estraga, que não se suja. Um tecido para a eternidade, no fundo. Uma invenção que pode retirar a Humanidade da necessidade de comprar novos fatos. Algo de verdadeiramente espectacular, não fora um pequeno pormenor: as fábricas fechariam, os patrões deixariam de ganhar, os operários perderiam os empregos, e instalar-se-ia o caos na economia. Logo, é necessário perseguir e destruir o inventor de semelhante ameaça para capitalistas e operários, que unidos se lançam na perseguição desse “homem do fato claro”. Patronato e sindicatos de acordo, quando a ameaça é conjunta. Capital e trabalho de mãos dadas.


Com uma serenidade narrativa muito britânica, e um humor deliciosamente subtil, mas truculento, Mackendrick conduz a sua obra com uma displicente ironia, criticando métodos e processos de uma sociedade capitalista assente sobre o lucro e na vertigem do consumo, para assegurar que a máquina continue a laborar.
Não são muitos os meios de que o realizador dispõe mas há dois ou três essenciais para o bom desempenho da obra. De um lado a interpretação, superiormente dominada por um Alec Guiness magnifico, numa composição entre o ingénuo perplexo e o persistente cabotino. Depois a banda sonora que domina toda a película, com o efeito causado pelas maquinetas do inventor em plena laboração (esse inolvidável "guggle glub guggle") e que marca o ritmo da obra, injectando-lhe um uma nevrótica cadência.  Haverá ainda que referir a excelente fotografa, de um preto e branco onde, nas sequências finais, sobressai o fato imaculado de Sidney, que parece adquirir uma estranha fosforescência.
“O Homem do Fato Claro” é na verdade uma das grandes comédias do humor inglês da década de 40 do século XX e um dos títulos que deu fama à sua fábrica de origem: os Earling Studios.

O HOMEM DO FATO CLARO
Título original: The Man in the White Suit
Realização: Alexander Mackendrick (Inglaterra, 1951); Argumento: John Dighton, Alexander Mackendrick, Roger MacDougall, segundo peça teatral deste último; Produção:  Michael Balcon, Sidney Cole; Música:  Benjamin Frankel; Fotografia (p/b): Douglas Slocombe; Montagem: Bernard Gribble; Casting: Margaret Harper Nelson; Direcção artística:  Jim Morahan; Guarda-roupa:  Anthony Mendleson; Maquilhagem:  Barbara Barnard, Harry Frampton, Ernest Taylor; Direcção de Produção: Hal Mason, L.C. Rudkin; Assistentes de realização: David Peers, John Assig, Terry Bishop, Jim O'Connolly; Departamento de arte: Norman Dorme, Andrew Low; Som:  Stephen Dalby, Mary Habberfield; Efeitos especiais: Sydney Pearson, Efeitos visuais: Geoffrey Dickinson; Companhias de produção: J. Arthur Rank Organisation, An Ealing Studios Production; Intérpretes: Alec Guinness (Sidney Stratton), Joan Greenwood (Daphne Birnley), Cecil Parker (Alan Birnley), Michael Gough (Michael Corland), Ernest Thesiger (Sir John Kierlaw), Howard Marion-Crawford (Cranford), Henry Mollison (Hoskins), Vida Hope (Bertha), Patric Doona (Frank), Duncan Lamont, Harold Goodwin, Colin Gordon, Joan Harben, Arthur Howard, Roddy Hughes, Stuart Latham, Miles Malleson, Edie Martin, Mandy Miller, Charlotte Mitchell, Olaf Olsen, Desmond Roberts, Ewan Roberts, John Rudling, Charles Saynor, Russell Waters, Brian Worth, George Benson, Frank Atkinson, Charles Cullum, F.B.J. Sharp, Scott Harold, Jack Howarth, Jack McNaughton, Judith Furse, Billy Russell, David Boyd, Alan Haines, Arthur Mullard, Carol Wolveridge, etc. Duração: 85 minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 22 de Maio de 1952.

ALEXANDER MACKENDRICK 
(1912 – 1993)
Nasceu a 8 de Setembro de 1912, em Boston, Massachusetts, EUA, e viria a falecer a 22 de Dezembro de 1993, com 81 anos. Filho Francis Robert Mackendrick, engenheiro civil que trabalhava na construção naval, e de Martha Mackendrick, originários de Glasgow, na Escócia, e que haviam emigrado para os EUA em 1911. Quando tinha apenas seis anos, o pai morreu, vítima de “gripe espanhola”, a mãe foi obrigada a trabalhar como costureira, e enviou o filho de volta à Escócia, para casa do avô paterno. Alexander Mackendrick, que teve uma infância difícil, nunca mais ouviu falar da mãe. Estudou na escola de Hillhead de 1919 a 1926, e depois arte na Glasgow School of Art. No inicio dos anos 30, Mackendrick parte para Londres, onde começou a trabalhar numa agencia de publicidade,  J. Walter Thompson. Entre 1936 e 1938 escreve alguns argumentos para filmes publicitários. Em 1937, escreve o argumento de “Midnight Menace”, como o seu primo e melhor amigo Roger MacDougall.
Durante a II Guerra Mundial, Mackendrick esteve ao serviço do Ministério da Informação para realizar filmes de propaganda pró-britânica. Em 1942, instalado na Argélia, onde desempenhava importantes funções da Psychological Warfare Division, roda filmes de actualidades, documentários e dá luz verde para Rossellini filmar “Roma, Cidade Aberta”. Acabada a guerra, ele e o primo aparecem na Merlin Productions, rodando documentários, mas, em 1946,  junta-se aos Ealing Studios, onde  durante nove anos realiza grande parte da sua obra inglesa, com filmes como “Whisky Galore!” (1949), “The Man in the White Suit” (1951) ou  “The Ladykillers” (1955), todos eles clássicos da comédia inglesa.
Ainda em 1955, Mackendrick troca a Inglaterra pelos EUA. O resto da sua vida será passada entre Londres e Los Angeles, desenvolvendo uma longa actividade como argumentista, para lá de realizador. “Sweet Smell of Success” (1957) é a sua obra de estreia nos EUA, uma produção Hecht-Hill-Lancaster que colheu críticas muito favoráveis e os favores do público. Regressa depois a Inglaterra para rodar para os mesmos produtores “The Devil’s Disciple”, mas desencontros vários levaram a que o realizador fosse substituído por Guy Hamilton que assina finalmente a obra. Desencorajado, passa algum tempo a trabalhar para publicidade e regressa ao cinema com “Sammy Going South” (1963), o belíssimo “A High Wind in Jamaica” (1965) ou “Don't Make Waves” (1967).
De volta aos EUA em 1969, torna-se professor no California Institute of the Arts, até 1993, quando uma pneumonia fatal o atingiu. Os restos mortais repousam no Memorial Park Cemetery de Westwood Village.

Filmografia
Como realizador:

1949: Whisky Galore!; 1951: The Man in the White Suit (O Homem do Fato Claro); 1952: Mandy (Mandy, a Surda Muda); 1954: The Maggie (Loucuras de Milionário); 1955: The Ladykillers (O Quinteto era de Cordas); 1957: Sweet Smell of Success (Mentira Maldita); 1959: The Devil's Disciple (O Aprendiz do Diabo), assinado por Guy Hamilton, Mackendrick não creditado; 1961: The Guns of Navarone (Os Canhões de Navarone), assinado por Jack Lee Thompson, Mackendrick não creditado; 1963: Sammy Going South (Só Contra o Mundo); 1964: The Defenders (série de TV) (1 episódio “The Hidden Fury”); 1965: A High Wind in Jamaica (Tempestade na Jamaica); 1967: Oh Dad, Poor Dad, Mama's Hung You in the Closet and I'm Feeling So Sad, assinado por  Richard Quine, Mackendrick não creditado; 1967: Don't Make Waves (Não Faças Ondas).

SESSÃO 11: 15 DE ABRIL DE 2014

OS SAPATOS VERMELHOS (1948)

Quando Michael Powell e Emeric Pressburge criaram  em 1942 a sua produtora The Archers, iniciava-se uma colaboração a todos os níveis notável. Os filmes apareciam com a designação de terem sido “escritos, produzidos e realizados por Michael Powell e Emeric Pressburger” e esta comunhão de actividades  não escondia o facto de Pressburger ser predominantemente o argumentista e produtor e Power o realizador. Desta conjugação de talentos nasceram obras absolutamente invulgares, como “A Vida do Coronel Blimp” (1943), “Caso de Vida ou Morte” (1945), “Quando os Sinos Dobram” (1947), “Os Sapatos Vermelhos” (1948) ou “Os Contos de Hoffmann” (1951). O que melhor pode definir o trabalho destes dois génios do cinema inglês é um discreto afastamento do realismo e uma aproximação de uma estética surrealista, uma utilização invulgar do Technicolor, que atinge o seu apogeu em “Os Sapatos Vermelhos”, e a originalidade de escrita e de concepção plástica dos seus filmes, onde é sempre sensível um lirismo forte.
“The Red Shoes” parte de um conto, uma história de fadas, do dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), publicado em 1845. É a partir deste autor que se encena o bailado “Os Sapatos Vermelhos” que nos fala de uma jovem órfã a quem a mãe adoptiva oferece um par de sapatos vermelhos que passam a exercer um fascínio evidente sobre a menina que se recusa a tirá-los e dança até à exaustão, dado que os sapatos parecem ter vida própria e uma exigência total. Um anjo anuncia então à rapariga que ela irá dançar até sucumbir, o que se manifesta como um castigo divino, dado que o vermelho dos sapatos é tido como ostentação, sensualidade, pacto com o mal, e ainda por cima a jovem se encontra em período de crisma, impedindo, portanto, essa “comunhão com Deus”. Levada pela sua frivolidade, irá dançar até à morte. Este o esquema do bailado que está no cerne do filme de Michael Powell e Emeric Pressburge.


Mas o filme possui uma história paralela que corre em simultâneo com o bailado. Boris Lermontov é o proprietário e produtor de uma importante companhia de bailado. Solitário, exigente, implacável, sedutor nesse distanciamento que impõe, Lermontov põe a arte e o bailado acima de tudo. Para ele não há vida privada, mas dádiva completa à arte. No caso da dança, esta imposição parece inegociável. Um dia descobre dois novos talentos, Victoria Page, uma bailarina desconhecida, onde ele surpreende um talento imenso, e Julian Craster, um jovem compositor. Ambos são contratados, quase ao mesmo tempo que é dispensada a estrela da companhia Irina Boronskaïa, com o pretexto deque é impossível manter-se bailarina ao mais alto nível e estar casada. Lermontov pede a Craster que crie uma partitura para o bailado novo, “Os Sapatos Vermelhos”, que será dançado por Victoria Page. A estreia é triunfal, tudo parece correr pelo melhor, tanto mais que o amor invade a companhia e Craster e Victoria se apaixonam e resolvem anunciar o seu casamento. Mas o amor aqui não é bem vindo, e Lermontov, fiel ao seu principio, despede director de orquestra e prima bailarina. Quando mais tarde os tenta reunir de novo, impõe o dilema à bailarina: ou o amor ou a dança e o final do bailado irá precipitar-se em repetição no final do filme.
Esta estrutura dramática permite criar um interessante triângulo tendo Victoria como vértice essencial. De um lado o produtor Lermontov, do outro o compositor Craster, um colocando a arte acima dos sentimentos pessoais, o outro tentando conciliar o amor e a arte. Esta luta interna que atravessa o corpo e os sentimentos de Victoria acabará por a levar à auto destruição. Mas o filme é muito mais ambíguo do que poderá parecer a uma simples leitura mais superficial. Será que Lermontov age como age movido apenas pelo interesse pela pureza da arte, ou será que por detrás dessa razão não estarão sobretudo ciúmes? Todo o comportamento de Lermontov desde o momento que descobre Victoria Page numa festa particular parece indicar um deslumbramento emocional. Ou será apenas a descoberta do talento? Ou a reunião de ambos? Vamos mais longe: será que Lermontov tem consciência dessa sua secreta paixão? Ou será que Lermontov vive obcecado apenas pela beleza dessa arte pura que é o bailado e que exige entrega total, uma entrega de tal forma total que ele próprio é o exemplo desse ideal, ele próprio “desiste” de Victoria para que a arte se cumpra, e por isso mesmo não admite que outro não compreenda essa renúncia em nome de um prazer (felicidade) individual?


Há muito de Pigmaleão na figura de Lermontov, assim como se poderá falar de Fausto. Mais ainda, Lermontov é nome de poeta russo. Uma das suas obras mais conhecidas, “O Demónio”, fala de um espírito maligno que se apodera da alma de uma jovem e a leva a abandonar o seu noivo. Haverá relação consciente?
O filme adquire uma progressão dramática muito interessante, iniciando-se como uma história que se aproxima do musical, com a descrição das personagens e dos locais e situações. Especial atenção é dada ao trabalho especifico dos bailarinos, das repetições, do esforço diário para a perfeição do gesto e da harmonia dos movimentos, para o domínio do corpo. Depois a estrutura vai lentamente moldando-se ao ballet que se ensaia, progressivamente se vai descortinando a colagem da personagem de Victoria Page e da protagonista do bailiado, com os sapatos vermelhos a funcionarem como elemento de transição e identificação. Durante a longa sequência do bailado a fusão é total e a partir daí tudo se altera. Victoria assumiu um destino, o seu destino. Ela será para sempre a protagonista de “Os Sapatos Vermelhos” e de tal forma o será que, mesmo na sua ausência, será a sua interpretação a dar forma à derradeira representação.
Duas interpretações fulgurantes colocam a obra no seu pedestal definitivo. Anton Walbrook (em Boris Lermontov ) e Moira Shearer (em Victoria Page) compõem personagens que para sempre se lhes colaram à pele. Ao lado destes, há ainda a referir Ludmilla Tchérina, Marius Goring, Léonide Massine, Robert Helpmann, Albert Bassermann, entre outros. Mas nada ficaria perfeito nesta obra-prima indiscutível, não fora o exuberante e espatodo tratamento cromático da fotografia de Jack Cardiff, a magnifica partitura musical de Brian Easdale, a excelente montagem de Reginald Mills, e toda a concepção plástica e cénica não só do bailado, como de todo o filme.



OS SAPATOS VERMELHOS
Título original: The Red Shoes
Realização: Michael Powell, Emeric Pressburger (Inglaterra, 1948); Argumento: Emeric Pressburger, Keith Winter, Michael Powell, segundo conto de fadas de Hans Christian Andersen; Produção: Michael Powell, Emeric Pressburger; Música: Brian Easdale; Fotografia (cor): Jack Cardiff; Montagem:  Reginald Mills; Design de produção:  Hein Heckroth; Direcção artística:  Arthur Lawson; Guarda-roupa:  Hein Heckroth; Maquilhagem:  George Blackler, Eric Carter, Ernest Gasser; Assistentes de realização: Sydney Streeter, J.M. Gibson, Laurie Knight, Kenneth K. Rick; Departamento de arte: Alfred Roberts, Bernard Goodwin, G. Heavens, Don Picton, V. Shaw, V.B. Wilkins, Alan Withy; Som: Charles Poulton; Efeitos visuais: George Gunn, E. Hague; Companhias de produção: The Archers, Independent Producers; Intérpretes: Anton Walbrook (Boris Lermontov ), Marius Goring (Julian Craster), Moira Shearer (Victoria Page), Ludmilla Tchérina (Boronskaja (as Ludmilla Tcherina), Léonide Massine (Grischa Ljubov), Robert Helpmann (Ivan Boleslawsky), Albert Bassermann (Sergei Ratov), Esmond Knight (Livingstone 'Livy' Montagne), Jean Short, Gordon Littmann, Julia Lang, Bill Shine, Austin Trevor, Eric Berry, Irene Browne, Jerry Verno, Derek Elphinstone, Marie Rambert, Joy Rawlins, Marcel Poncin, Michel Bazalgette, Yvonne Andre, Hay Petrie, Alan Carter, Joan Harris, Joan Sheldon, Paula Dunning, Brian Ashbridge, Denis Carey, Lynne Dorval, Helen Ffrance, Robert Dorning, Eddie Gaillard, Paul Hammond, Tommy Linden, Trisha Linova, Anna Marinova, Guy Massey, John Regan, Peggy Sager, Ruth Sendler, Hilda Gaunt, etc. Duração: 133 minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 6 anos; Data de estreia em Portugal: 23 de Fevereiro de 1950.

ANTON WALBROOK (1896-1967)
Adolf Anton Wohlbrück, mais tarde conhecido como Anton Walbrook, nasceu a 19 de Novembro de 1896 em Viena, Áustria, e viria a falecer a 9 de Agosto de 1967, em Garatshausen, Bavière (RFA). Aluno de Max Reinhardt em Berlim, inicia a sua carreira no teatro e no cinema, começando a ser notado num filme de E.A. Dupont  “Salto Mortale” (1931). Em 1935, as versões alemã, francesa e norte-americana de Miguel Strogoff, assinadas por Richard Eichberg, dão-lhe renome internacional. Judeu e homossexual, foge da Alemanha, perante a ameaça nazi e passa a viver em Inglaterra, sob o nome de Anton Walbrook. Extremamente elegante e algo aristocrata no porte, distante e ligeiramente irónico, interpreta vários papeis em produções históricas e ganha reputação internacional em obras de Michael Powell e Emeric Pressburger, como “49e Parallèle” (1941), “Colonel Blimp” (1943) ou “The Red Shoes” (1948). Trabalha com Thorold Dickinson, Max Ophuls  e Otto Preminger, sendo “I Accuse!”, de José Ferrer, o seu último trabalho no cinema. Passa também pela televisão, antes de falecer, em 1967, vítima de ataque cardíaco. Os restos mortais foram incinerados e as cinzas enterradas na igreja de St John-at-Hampstead, em Londres, como vontade expressa no testamento. Presentemente é um actor muito admirado e considerado por alguns (Martin Scorsese, por exemplo) como um dos melhores intérpretes de sempre. 

Filmografia
Como actor
Na Áustria e na Alemanha: 1915: Marionetten, de Richard Löwenbein; 1923: Martin Luther, de Karl Wüstenhagen; 1924: Mater Dolorosa, de Josef Delmont; 1925: Das Geheimnis von Schloß Elmshöh, de Max Obal; 1931: Salto Mortale, de Ewald André Dupont; 1932: Der Stolz der 3. Kompanie, de Fred Sauer; 1932: Die fünf verfluchten Gentlemen, de Julien Duvivier; Drei von der Stempelstelle, de Eugen Thiele; Melodie der Liebe, de Georg Jacoby; Baby, de Carl Lamac; 1933: Georges et Georgette (Jorge e Georgina), de Roger Le Bon e Reinhold Schünzel; Walzerkrieg, de Ludwig Berger; Keine Angst vor Liebe (Patrões e Empregadas), de Hans Steinhoff; Viktor und Viktoria, de Reinhold Schünzel; 1934: Die vertauschte Braut (As Duas Annys), de Carl Lamac; Maskerade (Mascarada), de Willi Forst; Eine Frau, die weiß, was sie will, de Viktor Janson; Die englische Heirat (Um Casamento Inglês), de Reinhold Schünzel; 1935: Régine (Regina), de Erich Waschneck; Zigeunerbaron, de Karl Hartl; Le Baron tzigane (O Barão Cigano), de Henri Chomette; Ich war Jack Mortimer, de Carl Froelich; Der Student von Prag (O Estudante de Praga), de Arthur Robison; 1936: Michel Strogoff (Miguel Strogoff), de Jacques de Baroncelli e Richard Eichberg (versão francesa); Der Kurier des Zaren (Miguel Strogoff), de Richard Eichberg (versão alemã); Allotria, de Willi Forst; Port-Arthur (Porto Arthur), de Nicolas Farkas;
Após abandonar a Alemanha: 1937: The Soldier and the Lady, de George Nichols Jr.; Victoria the Great (Rainha Vitória), de Herbert Wilcox; The Rat, de Jack Raymond; 1938: Sixty Glorious Years (60 Anos de Glória), de Herbert Wilcox; 1940: Gaslight, de Thorold Dickinson; 1941: Dangerous Moonlight (Aquela Noite em Varsóvia), de Brian Desmond Hurst; 49th Parallel (Os Invasores), de Michael Powell; 1943: The Life and Death of Colonel Blimp (A Vida do Coronel Blimp), de Michael Powell e Emeric Pressburger; 1944: Information Please (curta-metragem)
1945: The Man from Morocco, de Mutz Greenbaum; 1948: The Red Shoes (Os Sapatos Vermelhos), de Michael Powell ed Emeric Pressburger; 1949: The Queen of Spades (A Dama de Espadas), de Thorold Dickinson; 1950: La Ronde (A Ronda), de Max Ophüls; König für eine Nacht, de Paul May; 1951: Wiener Walzer, de Emil E. Reinert; 1952: Le Plaisir (O Prazer), de Max Ophüls (narrador da versão alemã); 1954: L'Affaire Maurizius (O Caso Maurizius), de Julien Duvivier; 1955: Oh... Rosalinda!! (Contos Vienenses), de Michael Powell e Emeric Pressburger; Lola Montès (Lola Montes), de Max Ophüls; 1957: Saint Joan (Santa Joana), de Otto Preminger; 1958: I Accuse!, de José Ferrer; 1960: Venus im Licht (TV); 1962: Laura (TV); 1963: Der Arzt am Scheideweg (TV); 1966: Robert und Elisabeth (TV).

MOIRA SHEARER 
(1926-2006)
Moira Shearer King nasceu a 17 de Janeiro de 1926 , em Dunfermline, Fife, Escócia, e viria a falecer, a 31 de Janeiro de 2006 , em Oxford, Oxfordshire, Inglaterra. Filha de Harold Charles King, actor (ou engenheiro civil, segundo outras fontes), mudou-se com a família para Ndola, na Rodésia do Norte (Zambia), em 1931, onde iniciou as suas aulas de ballet. Estudou na Dunfermline High School. De novo no Reino Unido, a partir de 1936, continuou a estudar dança, agora com Flora Fairbairn, em Londres, e depois com o russo Nicholas Legat. Junta-se então à Sadler's Wells Ballet School. Com o início da II Guerra Mundial, volta a Escócia. Em 1948, porém, já em Londres, atrai o interesse internacional com o seu fulgurante trabalho no filme “The Red Shoes”, da dupla Michael Powell e Emeric Pressburger. Entre 1942 e 1952 torna-se numa das primeiras bailarinas clássicas de renome mundial, com um vasto reportório e tournées internacionais, sendo a bailarina número um do Royal Ballet at Sadler's Wells. Casou, em 1950, com Ludovic Kennedy, jornalista e radialista, com quem viveu até sua morte e passou a escrever uma coluna no “Daily Telegraph”, a comentar livros no "Daily Journal", e a apresentar palestras por todo o mundo. Conta-se que Arthur Freed a queria para contracenar com Fred Astaire em “Casamento Real” (1951), mas Astaire mostrou-se relutante em acompanhar uma bailarina clássica.  Gene Kelly, por seu turno, queria-a como partenaire em “A Lenda dos Beijos Perdidos” (1954), mas neste caso foi ela que não se mostrou disponível.  Para todos os efeitos, para o bem e pra o mal, nunca mais se libertaria da personagem de Vicky de “Os Sapatos Vermelhos”.

Filmografia:
Como actriz e bailarina

1948: The Red Shoes (Os Sapatos Vermelhos), de Michael Powell e Emeric Pressburger; 1951: The Tales of Hoffmann (Os Contos de Hoffmann), de Michael Powell e Emeric Pressburger; 1953: The Story of Three Loves (História de Três Amores), filme em episódios, de Vincente Minnelli e Gottfried Reinhardt (episódio “The Jealous Lover”, de Gottfried Reinhardt); 1955: The Man Who Loved Redheads, de Harold French; 1960: Les Collants Noirs (Um, Dois, Três, Quatro),  de Terence Young; 1960: Peeping Tom (A Vítima do Medo), de Michael Powell; 1987: A Simple Man, de Gillian Lynne (TV).